Um País Insular Prepara-se Para Interditar o Plástico

A Dominica tenciona tornar-se no primeiro país do mundo resiliente às alterações climáticas, e interditar as embalagens de uso único é um passo para alcançar o objetivo.quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Num discurso nas Nações Unidas no ano passado, o primeiro-ministro da Dominica anunciou que o país tenciona tornar-se na primeira nação do mundo resiliente às alterações climáticas.
Num discurso nas Nações Unidas no ano passado, o primeiro-ministro da Dominica anunciou que o país tenciona tornar-se na primeira nação do mundo resiliente às alterações climáticas.
fotografia de JAD DAVENPORT, National Geographic Creative

A Dominica, uma nação insular na região este das Caraíbas orgulha-se da sua beleza.

Está rodeada por águas azuis, é povoada por florestas tropicais espetaculares e atrai os turistas sob o epíteto Ilha da Natureza. Para proteger os seus melhores ativos, a pequena nação insular adotou recentemente uma medida ambiciosa.

Em janeiro de 2019, a Dominica, com uma população de 70 000 pessoas, planeia interditar, por completo, todas as embalagens correntes, feitas de plástico e poliestireno, de uso único.

Numa declaração, que descreve a medida em detalhe, feita no mês passado, o governo explicou que a decisão se baseia numa iniciativa anterior para restringir as importações de recipientes não biodegradáveis, numa tentativa de impedir que cheguem aos estabelecimentos comerciais e restaurantes que os distribuem.

“Dominica orgulha-se de ser a Ilha da Natureza”, afirmou o primeiro-ministro Roosevelt Skerrit num comunicado. “Devemos honrar e refletir essa designação em todos os sentidos. O problema da gestão dos resíduos sólidos afeta essa perceção e continuamos a tentar combatê-lo.”

Outras nações tomaram medidas para eliminar determinados itens plásticos, sobretudo os sacos de plástico, mas a Dominica vê esta medida como um passo à frente para alcançar um objetivo maior. Nos próximos anos, o país quer tornar-se na primeira nação do mundo resiliente às alterações climáticas. Além de proteger a valiosa indústria do turismo, o governo espera que a implementação de políticas sustentáveis torne a ilha mais resiliente aos furacões, como aquele que arrasou as infraestruturas do país em 2017.  

“Temos uma oportunidade única de nos afirmarmos como um exemplo para o mundo, um exemplo de como uma nação inteira se reergueu da catástrofe e como uma nação inteira pode ser resiliente às alterações climáticas no futuro”, afirmou Skerrit numa conferência de imprensa no ano passado, em Dominica.

NA LINHA DA FRENTE

A Dominica não está apenas na linha da frente das alterações climáticas. As águas quentes da ilha são também um dos habitats estivais mais populosos para os cachalotes migratórios. A necessidade de proteger estas populações imprime urgência à iniciativa para eliminar os plásticos, que constituem uma ameaça aos mamíferos marinhos.

Shane Gero, explorador da National Geographic, passou 15 anos a estudar os cachalotes na Dominica e afirma que, em comparação com outras regiões, as águas da Dominica ainda se mantêm cristalinas, mas não é assim tão raro ver plásticos a flutuar.

“Os animais têm curiosidade, sobretudo as crias”, diz. “Por vezes, brincam com aquelas caixas de esferovite dos hambúrgueres.”

Os cachalotes podem viver até cerca de 70 anos. Muitos vivem em grupos familiares. Gero também teve a oportunidade de observar a dinâmica desses grupos de cetáceos durante anos. No entanto, nos últimos anos, algumas crias não sobreviveram.

Gero não sabe exatamente a razão que ditou a morte prematura das crias de cachalote e diz que essa é ainda uma questão em estudo, mas os cientistas sabem que a vida selvagem e o plástico não se misturam. Algumas baleias e outros animais marinhos deram à costa na Tailândia e em Espanha, com quilos de plásticos acumulados no estômago.

Segundo as estimativas de um estudo de 2015 publicado na revista Science, oito milhões de plástico terminam todos os anos nos oceanos do planeta. Mas a Dominica espera que as suas águas cristalinas continuem a ser refúgio para algumas das criaturas mais majestosas do oceano.

UM OBJETIVO MAIOR

O anúncio da Dominica surge várias semanas após a edição especial da National Geographic dedicada ao tema Planeta ou Plástico?, que aborda os problemas que levantam os plásticos não biodegradáveis, sobretudo nos oceanos do planeta.

Brian Skerry, fotógrafo da National Geographic, fotografou a fauna marinha por todo o mundo e, em muitos lugares, viu os desafios que os plásticos levantam aos animais que tenta fotografar.

“São lugares ao quais são precisos dias para chegar, partindo de regiões remotas como as ilhas Fiji e, no entanto, estava em ilhas desabitadas, que deveriam estar imaculadas, e os resíduos plásticos chegavam-me aos gémeos”, diz. “Isso é elucidativo da quantidade de plástico que existe nas águas do oceano.”

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeograhic.com.

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