Plantas e Fungos Venenosos em Portugal

São belos, dão vontade de colher e parecem inofensivos. Ninguém diria, mas na verdade estas plantas e fungos são venenosos e podem até matar.

Publicado 29/10/2018, 17:55 , Atualizado 28/10/2021, 12:49

Antes de mais, vamos fazer a distinção entre plantas venenosas e tóxicas: uma planta tóxica é aquela cuja ingestão pode provocar efeitos de intoxicação quando em excesso. Uma planta venenosa provoca lesões a médio ou longo prazo, altera as funções do organismo e pode causar a morte, mesmo em doses pequenas.

Estas são as plantas e os fungos venenosos de Portugal que ganharam fama para estarem na Lista de Espécies Perigosas, na categoria de Espécies com Venenos Potencialmente Letais.

CICUTA

A Cicuta, de nome científico Conium maculatum, é uma planta que já tem em si um historial de envenenamento. Diz a história que Sócrates foi condenado à morte por ingestão de uma tisana desta planta.

A Cicuta, que se encontra em todo o território português, tem uma toxicidade muito alta devido aos alcalóides presentes em toda as partes da planta, que produzem ardor na boca e garganta, náuseas, vómitos, diarreias, paralisia progressiva dos músculos, esfriamento das extremidades e convulsões.

Em caso de intoxicação, é necessária hospitalização urgente. No entanto, manipulada da forma certa e em pequeníssimas doses por profissionais, é usada em farmacologia como analgésico, estimulante e repelente.

 

Cicuta, por Eric Coombs, Oregon Department of Agriculture, Bugwood.org
Fotografia de Eric Coombs, Oregon Department of Agriculture, Bugwood.org

EMBUDE

A espécie Oenanthe crocata, nativa do Oeste Europeu e do Mediterrâneo, e encontrada em toda a extensão de Portugal Continental, é mais uma espécie venenosa. 

Também chamada de arrabaça, canafreicha, enanto-de-cor-de-açafrão, embude, prego-do-diabo, rabaças ou salsa-dos-rios, provoca ardor na boca e garganta, náuseas, vómitos, diarreia. Podem ocorrer convulsões e morte por paragem cardiorrespiratória, quando ingerida. É parecida com a cicuta, mas as suas folhas assemelham-se às de salsa.

Pensa-se que já os Sardís a usavam como veneno contra os seus inimigos – afinal esta planta pode matar em apenas 3 horas.

Espécie Oenanthe Crocata, por Wikimedia Foundation
Fotografia de Wikimedia Foundation

ERVA-MOURA

A erva-moura, ou erva-moira, de nome científico Solanum nigrum é uma planta que semelhante com a beringela e o tomate, com folhas largas, flores brancas e frutos negros do mesmo tamanho que mirtilos.

Apesar dos bonitos frutos, cuidado! Esta é uma planta venenosa devido à presença de solanina, especialmente nos frutos. A ingestão provoca ardor na boca e garganta, náuseas, vómitos, diarreia e, também, convulsões e morte por paragem cardiorrespiratória. É originária da Europa e Ásia, e atualmente cresce silvestre em todo o mundo.

Erva-Moura, por Jacopo Werther via Wikimedia Commons
Fotografia de Jacopo Werther via Wikimedia Commons

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ESTRAMÓNIO

Amplamente conhecida por trombeteira, figueira-do-diabo, erva-do-diabo, erva-das-bruxas, castanheiro-do-diabo, erva-dos-mágicos, pomo-espinhoso, figueira-brava ou figueira-do-inferno, a Datura stramonium é uma planta venenosa que já deu que falar em Portugal. O Estramónio é uma planta invasora, não nativa de Portugal, e que foi introduzida no Continente e Madeira pelas suas propriedades “medicinais” e psicotrópicas.

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De folhas verde-escuro, e cuja flor faz lembrar uma trombeta, a erva-do-diabo dá um fruto semelhante a um ouriço que, seco, tem muitas sementes negras no interior. Todas as partes da planta são ricas em atropina, pelo que a ingestão causa delírios, desorientação, alucinações e insónia. Em caso extremo, convulsões e morte por paragem cardiorrespiratória.

 

Estramónio, por Júlio Reis via Wikimedia Commons
Fotografia de Júlio Reis via Wikimedia Commons

DEDALEIRA

A Dedaleira, Digitalis purpurea, é frequentemente apelidada de abeloura, abelouro-vermelho, alcoques, beloiro, beloura, boca-de-sapo, caçapeiro, calças-de-cuco, caralhotas, chapote, chapoto, enchoque, erva-dedal, erva-dedeira, estalo, estoira-fois, estoirotes, estoura-foles, abelouro ou digital.

Esta planta venenosa é nativa de Portugal Continental, Açores e Madeira. A toxina, chamada digitoxina, atua a nível do coração e pode provocar ataques cardíacos. A sua forma mais venenosa é a infusão das folhas, mas a ingestão destas ou das flores pode levar à morte.

Dedaleira, por Pixabay
Fotografia de Pixabay

ANJO-DESTRUIDOR-EUROPEU

O fungo venenoso Amanita virosa, conhecido como anjo-destruidor-europeu, ocorre na Europa, inclusive em Portugal, associado a várias árvores coníferas e faias. Este cogumelo totalmente branco surge no Verão e Outono.

A toxicidade assenta na micotoxina, que causa danos no fígado e rins. No caso de sobreviver ao envenenamento por ingestão de anjo-destruidor-europeu, pode ser necessário um transplante de fígado.

Anjo-destruidor-europeu, por Jason Hollinger via Flickr
Fotografia de Jason Hollinger via Flickr

ANJO-DA-MORTE

Também pertencente ao género Amanita, o Amanita verna é um cogumelo europeu venenoso que, quando ingerido, pode matar. Todo branco, este cogumelo possui um pé alto com 7 a 13 cm, um chapéu achatado com 4 a 8 cm e lamelas serradas. Tal como o anjo-destruidor-europeu, não é muito frequente e confunde-se facilmente com outras espécies comestíveis e inofensivas.

Anjo-da-morte, por Pieria via Wikimedia Commons
Fotografia de Pieria via Wikimedia Commons

CHAPÉU-DA-MORTE

Encerramos o trio das Amanitas mortais com o cogumelo Amanita phalloides, o chapéu-da-morte.

O A. phalloides é o fungo do género Amanitas mais venenoso, e um dos mais comuns. Bastam cerca de 50g deste cogumelo que gosta de carvalhos, coníferas e nogueiras, para causar a morte a um adulto. Os sintomas – os mesmos que com os outros Amanitas venenosos – ocorrem repartidos em três fases. A primeira fase, 6 a 24 horas após a ingestão, carateriza-se por náuseas, vómitos, diarreia, febre, taquicardia, hipoglicemia e hipotensão. A segunda fase, entre um a dois dias após ingestão, é quando surgem sintomas gastrointestinais e deterioração das funções hepática e renal. Na terceira fase, entre três a cinco dias, ocorrem danos irreversíveis no fígado sendo, nos casos mais graves, necessário recorrer ao transplante hepático.

Chapéu-da-morte, por Archenzo Italy via Wikimedia Commons
Fotografia de Archenzo Italy via Wikimedia Commons

ACÓNITO

O acónito (ou capuz) mais encontrado em Portugal é o Aconitum napellus da subespécie lusitanicum. Esta planta venenosa, que floreia no Verão, é altamente tóxica para os sistemas nervoso central e cardiovascular.

A ingestão provoca inicialmente sensação de queimadura e ardor na boca e garganta, náuseas, vómitos, diarreia e perturbações respiratórias, que podem levar à morte.

Acónito, por Jardim Botânico UTAD.
Fotografia de Jardim Botânico UTAD

E porque não há só plantas e fungos venenosos, mas também animais, venha conhecer estas adoráveis rãs venenosas e porque é que elas não se envenena!

Será que as alterações climáticas estão a aumentar as criaturas marinhas venenosas?

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