Árvores Com História

Aqueles que vivem mais de uma centena de anos, têm certamente muitas histórias para contar. Então e as árvores, que nos acompanham, algumas, há milénios?segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Por National Geographic

Quando vemos uma árvore, não costumamos parar para pensar o que aquela árvore terá vivido, e as histórias que teria para contar caso pudesse falar. Em Portugal, temos muitas, muitas árvores dessas, que escondem histórias reais, mitos ou lendas, ou que existem há mais tempo do que é possível contar.

Conheça 10 árvores portuguesas com História, e com muitas histórias.

A ANCIÃ OLIVEIRA DO MOUCHÃO, ABRANTES

Sabia que esta árvore é a mais velha de Portugal? Tem uns impressionantes 3350 anos! A Oliveira do Mouchão fica no lugar de Cascalhos da freguesia de Mouriscas, em Abrantes, mas quase que podia ter que ir a Londres vê-la.

Este belíssimo exemplar milenar quase foi levado para o Reino Unido, a pedido de um vereador luso-britânico que queria plantá-la num parque da capital, como homenagem ao Tratado de Windsor. Também na altura se achava que esta Oliveira teria apenas cerca de 340 anos. A verdade foi reposta, e a árvore contemporânea de Moisés e Nefertiti, ficou. E que majestosa que é!

O CARVALHO DO PRESÉPIO, CASTRO DAIRE

Em Castro Daire, no lugar do Mosteiro, há uma árvore que remonta à fundação de Portugal, o Carvalho do Presépio. No entanto, do carvalho em si, resta apenas o tronco, (em 1987 foi danificado num temporal).

Para preservar este Carvalho do Presépio, plantou-se um outro carvalho no seu interior, que é oco. Aliás, o nome desta árvore secular deve-se à proximidade com a Capela da Nossa Senhora do Presépio. Assim, o carvalho ancião protege o mais novo, e juntos mantêm viva a sua memória.

CARVALHO DA FORCA, MONTALEGRE

Mais um carvalho (não fosse esta uma árvore autóctone) com muita história surge em plena Praça do Município, em Montalegre. Este carvalho, com mais de 300 anos, foi buscar o seu nome a 1844, data da última execução por enforcamento em Montalegre.

É que era aqui, bem ao lado deste carvalho, que se enforcavam os criminosos no século XIX. Apesar das histórias assustadoras que guarda só para si, esta imponente árvore com doze metros de altura é hoje considerada um ex-libris do concelho, e com muita razão.

SOBREIRO ASSOBIADOR, ÁGUAS DE MOURA

O Sobreiro Assobiador de Águas de Moura, com 234 anos, venceu o concurso Árvore Europeia do Ano 2018. E porquê? O sobreiro, além de contar com mais de dois séculos, tem mais de 16 metros de altura, e já foi descortiçado mais de vinte vezes!

Além de Assobiador – nome atribuído por causa do chilrear dos muitos pássaros que se juntam na sua imensa copa – também se lhe chama Sobreiro Monumental ou Sobreiro Casamenteiro. Casamenteiro porque já deu sombra a muitas festas de casamentos, e a muitos casais de namorados... quem sabe se terão dado em casamento? Podia também ser o Sobreiro Sortudo, já que por pouco não foi abatido em 2000.

O FREIXO QUE TESTEMUNHOU O AMOR DE D.PEDRO, LOURINHÃ

E se é de amor que falamos, não podemos esquecer o Freixo em São Bartolomeu dos Galegos, na Lourinhã. Esta árvore com mais de 300 anos era, reza a lenda, o local onde D. Pedro parava para descansar e dar de beber aos cavalos, quando voltava das caçadas.

Mais diz a lenda, que D. Pedro apaixonado pela sua Inês, fazia aqui paragem quando ia ter com a sua amada. O Freixo da Lourinhã é uma árvore que, se falasse, teria amor para contar.

OLIVEIRA CONTEMPORÂNEA DE VIRIATO DE SANTA IRIA DA AZÓIA, LOURES

Esta já foi considerada a árvore mais antiga de Portugal, contando com mais de 2.850 primaveras. A sua idade foi determinada através de um método de datação inovador desenvolvido por investigadores da UTAD.

Esta Oliveira milenar tem um perímetro na base de 10,15 metros, uma altura que chega aos 4,40 metros e copa com dimensões de 7,60 por 8,40 metros. Será que esta árvore chegou a conhecer o guerreiro Viriato? Talvez nunca venhamos a saber, mas é possível!

VEJA: FOTOGRAFIAS MAJESTOSAS DAS MAIORES ÁRVORES NA TERRA

A AZINHEIRA DA COVA DA IRIA, FÁTIMA

A Azinheira mais conhecida do país é na Cova da Iria, pelas razões que conhece. Reza a lenda que os Pastorinhos Lúcia, Jacinta e Francisco testemunharam ali ao lado uma aparição de Nossa Senhora.

Não foi debaixo desta árvore, que pertenceu aos pais da Irmã Lúcia, mas numa outra que já não existe, que os meninos tiveram a visão da virgem. Ainda assim, esta azinheira centenária é considerada uma relíquia da zona, e todas as obras que ali acontecem são feitas de forma a preservar a árvore e o seu espaço.

O ULMEIRO CAMARANCHÃO DE SOBREIRA DA FORMOSA, PROENÇA-A-NOVA

Este ulmeiro é uma árvore de interesse público em Portugal devido à sua idade – mais de cento e vinte anos -, dimensão e forma. O Ulmeiro de Sobreira da Formosa tem forma de camaranchão, e dá sombra a uma praça onde os locais costumam sentar-se a conviver.

Infelizmente, os ulmeiros – ou “avelaneiras-bravas”, “Lamegueiros”, “Mosqueiros”, “Negrilhos”, “Olmeiros”, “Olmos”, “Ulmeiros-das-folhas-lisas” e “Ulmos” - estão em rápido declínio em todo o mundo devido a uma doença transmitida por escaravelhos. Este Ulmeiro imponente, no entanto, continua saudável e a ser uma referência de Proença-a-Nova.

CIPRESTE-DO-BUÇACO DO PRÍNCIPE REAL, LISBOA

Este cipreste, de nome científico Cupressus lusitanica Miller, ao qual todos se habituaram a chamar cedro, é certamente um lutador e um sobrevivente. Então não é que esta bela árvore com mais de 140 anos já sofreu várias ameaças? A principal são os piolhos ou pulgões das plantas que teimam em se instalar periodicamente, mas também já esteve perto de arder, e mais recentemente foi alvo de vandalismo.

Estoicamente, este cipreste resiste e continua a dar sombra aos que se sentam nos bancos debaixo da sua copa de 28 metros.

OLIVEIRA DO CONVENTO DO ESPINHEIRO, ÉVORA

Qual é a árvore que tem na sua história amores clandestinos, fervores religiosos, mistérios seculares e realeza? É esta Oliveira do Convento do Espinheiro. Ali, esta árvore com 1100 anos presenciou, segundo dizem, uma grande história de amor, que não agradaria a todos.

Um futuro rei português estava de casamento marcado com uma filha dos reis católicos de Espanha, que se alojava no convento enquanto não se oficializava a união. No entanto, os prometidos, proibidos de se verem a sós, esperavam pela calada da noite e lá ia o enamorado, trepando pelos ramos desta árvore para chegar aos aposentos da sua futura esposa. Havia muito quem suspeitasse, mas só a Oliveira poderia confirmar... e, como boa confidente, guardou o segredo até hoje.

Estas são apenas dez, segundo o Instituto para a Conservação da Natureza e Florestas, das mais de trezentas árvores de interesse público em Portugal. Será que consegue saber os mitos, lendas, segredos e factos que guardam?

Continuar a Ler