Baleia Morre com 1000 Plásticos no Estômago

A poluição dos mares é um problema real e afeta até os maiores animais marinhos. Um cachalote encontrado morto na Indonésia tinha mais de 1000 plásticos no estômago.

Publicado 23/11/2018, 10:57
imagem de plástico no oceano
Plástico no oceano em El Gouna, no Egipto.
Fotografia de Maarten Wouters, GETTY IMAGES

Esta semana trouxe mais uma notícia terrível de uma baleia encontrada morta. O mais triste: no seu estômago estavam mais de 1000 objetos plásticos.

O animal deu à costa, já em estado de decomposição, na passada segunda-feira, dia 19 de novembro, num parque nacional no sudoeste da Indonésia. Com cerca de nove metros e meio, a baleia cachalote tinha ingerido quase seis quilos de plástico.

 

Os Restos da Ação Humana

Muito se fala dos microplásticos que invadem os oceanos, mas neste caso, o problema foram mesmo os “macroplásticos”. Dentro do estômago da baleia morta estavam 115 copos, quatro garrafas, 25 sacos, um saco de nylon, 2 chinelos, e outros 1000 objetos menores... todos de plástico.

Dwi Suprapti, coordenadora da conservação de espécies marinhas no WWF Indonesia afirma que não se sabe se a causa de morte do cachalote foi a ingestão de plástico. Devido ao estado de decomposição em que a baleia se encontrava, não é possível deduzir qual a causa da morte. No entanto, sublinha, os factos são “verdadeiramente terríveis”.

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A História Repete-se

Infelizmente, esta história não é única. Em junho deste ano, uma baleia-piloto morreu depois de engolir mais de 80 sacos de plástico, na Tailândia. As autoridades marítimas tailandesas localizaram a baleia, incapaz de nadar, e ainda conseguiram levá-la até uma equipa de veterinários. No entanto, acabou por morrer com uma obstrução severa no intestino, apesar de todas as tentativas de salvamento. A autópsia da baleia-piloto revelou que no estômago, além dos 80 sacos de plástico, se encontravam muitos outros plásticos, num total de 8 quilos.

Em Abril, uma outra baleia deu à costa em Cabo de Palos, Múrcia, em Espanha, morta, e com 29kg de lixo no estômago. No início de 2017, em Fevereiro, foi a vez de uma baleia-bicuda-de-cuvier avistada numa zona portuária de Bergen, na Noruega. As tentativas de salvamento do animal que estava em grande sofrimento, com o intestino obstruído, não foram bem sucedidas, e acabou por ser abatido. No seu interior estavam 30 sacos de plástico, papéis de rebuçados e nenhum sinal de comida.

A Luta Contra o Plástico

A Indonésia é um dos países com um maior problema de desperdícios plásticos e poluição, ficando atrás apenas de China. De facto, um estudo de 2015 publicado na revista Science aponta cinco nações asiáticas – China, Indonésia, Tailândia, Filipinas e Vietname – como responsáveis por mais de 60% do plástico que acaba nos mares. Apenas a Indonésia produz cerca de 3.2 milhões de toneladas de desperdício plástico, dos quais 1.3 milhões acaba no mar, anualmente.

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O Ministro dos Assuntos Marítimos da Indonésia, Luhut Binsar Pandjaitan, afirma que esforços estão a ser postos em prática para combater este problema. A iniciativa do governo tailandês para reduzir o consumo de plástico (e reduzindo assim a quantidade de plástico que acaba nos mares) nos próximos anos, passa principalmente pela legislação – proibição dos sacos plásticos em supermercados e lojas – e pela educação e sensibilização. O objetivo dos esforços, diz, é uma redução de 70% do plástico não reciclado até 2025.

Demasiadas Ameaças

Estima-se que, todos os anos, cerca de 8 milhões de toneladas de plástico acabem no mar. Isto tem, claramente, um efeito devastador na vida marinha.

Veja a quantidade de lixo plástico que está atualmente a poluir o nosso planeta.

Os animais marinhos, tais como estas baleias, tartarugas, golfinhos e outros peixes, encontram na poluição dos mares uma das maiores ameaças à sobrevivência. Por um lado, confundem os plásticos na água com comida, e acabam por ingeri-los. E porque não conseguem digerir ou expulsar o plástico do corpo, morrem de subnutrição por não conseguirem comer mais nada. Ainda há o caso, como deste cachalote, em que os plásticos causam obstruções graves nos intestinos, provocando a morte. Por outro lado, há ainda o perigo de morte por afogamento de alguns animais, que ficam presos em plásticos. É também este o caso de milhares de aves todos os anos, que mergulham no mar para pescar e acabam por ficar com as patas, asas ou bico presos e morrem afogadas ou de inanição.

Devemos lembrar o leitor que estas baleias, os cachalotes, encontram-se atualmente e à escala mundial, classificadas como Vulneráveis pela União Internacional da Conservação da Natureza (UICN), e na sua Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas.

Quando será que vamos escolher o planeta, em vez do plástico? Já assumiu o compromisso?

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