Uma Lista em Atualização de Ações Contra a Poluição Provocada pelo Plástico

O mundo está a despertar para uma crise do plástico nos oceanos — e estamos a acompanhar os desenvolvimentos e soluções à medida que ocorrem.

Publicado 2/11/2018, 10:43 WET, Atualizado 5/11/2020, 06:02 WET
Garrafas de plástico enchem a famosa Fonte Cibeles em Madrid durante uma exposição que chamou a ...
Garrafas de plástico enchem a famosa Fonte Cibeles em Madrid durante uma exposição que chamou a atenção para o impacto ambiental do plástico descartável.
Fotografia de RANDY OLSON, NATIONAL GEOGRAPHIC

O MUNDO ENFRENTA um problema de poluição por plástico, que está a acelerar rapidamente — mas a acelerar está também a sensibilização do público para o problema e a ação contra o mesmo.

Anualmente, estima-se que cerca de 8 mil milhões de quilos de resíduos plásticos entram nos oceanos pelas zonas costeiras. Tal equivale a cerca de cinco sacos de compras de lixo plástico empilhados em cada metro de linha costeira do Planeta. Todo esse plástico está a prejudicar as criaturas que vivem no oceano, desde recifes de coral sufocados pelos sacos, a tartarugas que se engasgam em palhinhas até baleias e aves marinhas que passam fome porque têm o estômago cheio de pedaços de plástico, o que não deixa espaço livre para alimentos verdadeiros.

Estão a surgir, a um ritmo rápido, novos estudos sobre os possíveis impactos a longo prazo dos pequenos pedaços de plástico na cadeia alimentar marinha — levantando novas questões sobre como tal pode, em última análise, ter um impacto na saúde humana e segurança alimentar.

A National Geographic também se associou à Wattpad para sensibilizar o público para o problema global do plástico através de um desafio criativo de narração de histórias. Estamos a pedir às pessoas que partilhem uma história, real ou ficcionada, inspirada neste problema global. Saiba mais e partilhe aqui a sua história: www.wattpad.com/user/NationalGeographic.

Cerca de 40% de todo o plástico produzido é utilizado em embalagens e muitas destas embalagens são utilizadas apenas uma vez e, depois, deitadas fora. Menos de 1/5 de todo o plástico é reciclado, apesar de muitos países e empresas estarem a implementar soluções inovadoras para aumentar esse número.

250 GRUPOS LANÇAM ENORME PARCERIA GLOBAL CONTRA O PLÁSTICO

29 de outubro de 2018

250 organizações responsáveis por 20% das embalagens de plástico produzidas no mundo inteiro assumiram um compromisso para reduzir o desperdício e a poluição.

A iniciativa chama-se "New Plastics Economy Global Commitment" (Novo Compromisso Económico Global contra o Plástico) e inclui um grupo diversificado de membros, incluindo a cidade de Austin, a empresa de vestuário H&M, Unilever, PespsiCo, L'Oreal, Nestlé e a Coca-Cola.

Esta iniciativa divulga várias parcerias de alto nível. Trata-se de uma colaboração com as Nações Unidas e está a ser liderada pela Fundação Ellen MacArthur. Outros parceiros incluem o World Wide Fund for Nature (Fundo Mundial de Proteção da Natureza), o Fórum Económico Mundial, Consumer Goods Forum (Fórum de Bens de Consumo) e 40 instituições académicas.

Em última análise, consiste em trabalhar para promover uma “economia circular” para o plástico, um conceito que implica a reutilização do plástico em vez de o deixar num aterro. A mudança irá exigir a construção ou melhoria de instalações de recolha e processamento, pelo que cinco empresas de capital de risco já prometeram 200 milhões de dólares norte-americanos para financiar a iniciativa.

A reciclagem de artigos utilizados para criar novos produtos é um dos três objetivos do compromisso. As empresas que aderirem ao compromisso também devem eliminar gradualmente as embalagens de plástico descartável e garantir que o material pode ser reutilizado, reciclado ou transformado em composto até 2025.

"Apesar de elementos do Compromisso Global EMF estarem a seguir o rumo certo, o problema é que as empresas continuam a dar prioridade à reciclagem em detrimento da redução e reutilização", afirmou Ahmad Ashov da Greenpeace Indonésia num comunicado de imprensa. "As empresas não são obrigadas a definir objetivos reais para reduzir a quantidade total de plástico descartável que estão a eliminar".

A cada 18 meses, os objetivos irão ser revistos e as empresas participantes devem publicar anualmente dados sobre o seu progresso.

Os governos que aderirem ao compromisso estão a prometer a criação de políticas que ajudam a suportar a economia circular.

 

PARLAMENTO EUROPEU APROVA FIM DE UTILIZAÇÃO DE PLÁSTICO DESCARTÁVEL

O Parlamento Europeu votou (571 votos a favor, 53 contra) esta semana para aprovar uma medida para reduzir drasticamente o plástico descartável em todo o continente. O projeto de lei ainda tem de passar por medidas processuais adicionais antes de entrar em vigor, mas os observadores afirmam que tem boas hipóteses e poderá começar a ser aplicada no início de 2021.

Citando uma necessidade de proteger o oceano de uma enchente de poluição de plástico, o projeto de lei pede a proibição na Europa da utilização de talheres e pratos de plástico, cotonetes, palhinhas, agitadores de bebidas e suportes de balões, além de reduções noutros tipos de plástico descartável como recipientes para comida e bebida.

O projeto de lei foi inicialmente apresentado em Maio (ver abaixo). A Grã-Bretanha tem uma proposta semelhante em curso (ver também abaixo).

Uma lista de artigos de plástico específicos foi cuidadosamente selecionada para incluir artigos que já têm alternativas prontas, afirmam os defensores. Artigos com menos alternativas disponíveis, tais como filtros de cigarros, estão a ser selecionados para uma redução mais gradual.

Frédérique Ries, eurodeputada belga que apresentou o projeto de lei, descreveu-o como: "uma vitória para os nossos oceanos, para o ambiente e para as gerações futuras", de acordo com a BBC.

 

AS EMPRESAS DE BENS DE CONSUMO INVESTEM NA RECOLHA DE RESÍDUOS

25 de outubro de 2018

Para evitar que a poluição de plástico chegue aos cursos de água, os fabricantes têm de parar a sua produção ou garantir que o material é recolhido no fim do seu ciclo de vida. Mas em alguns países em vias de desenvolvimento, as infraestruturas de recolha de resíduos são insuficientes ou inexistentes.

A Circulate Capital, uma empresa de investimento sediada em Nova Iorque criada em 2018, afirma ter angariado 90 milhões de dólares norte-americanos para investir neste problema no Sudoeste Asiático, uma atitude apoiada pela organização ambiental  Ocean Conservancy. Rob Kaplan, CEO da Circulate Capital, afirma que este investimento será aplicado na melhoria da recolha de resíduos de plástico no terreno e na criação de mercados para o material recolhido.

A PepsiCo, a Coca-Cola, a Procter and Gamble, a Danone, a Unilever e a Dow estão empenhadas em financiar o investimento de 90 milhões de dólares norte-americanos. A Circulate Capital, por sua vez, afirma que será assinado um acordo no início de 2019. A empresa afirma que também está a trabalhar em formas de investimento por parte das PME.

"Apesar de estarmos a trabalhar arduamente para garantir que as nossas embalagens são concebidas para serem circulares, a realidade é que não podem ser reutilizadas, recicladas nem transformadas em composto sem a implementação de sistemas eficazes de gestão de resíduos", afirmou Katharina Stenholm, da Danone, num comunicado de imprensa. A vice-presidente sénior da empresa referia-se ao conceito de uma economia circular, na qual quaisquer materiais de resíduos numa indústria, tais como as embalagens, são reintegradas em novos produtos.

A maioria do plástico nos oceanos surge de dez rios, oito dos quais estão localizados na Ásia. A Circulate Capital está a trabalhar com conselheiros científicos, incluindo a exploradora da National Geographic Jenna Jambeck, para indicar onde os seus investimentos podem ser mais eficazes.

As garrafas de plástico, por exemplo, podem ser recolhidas por pequenas empresas locais e vendidas a fabricantes para serem criados novos produtos. Apesar do plástico descartável ser, normalmente, de qualidade inferior, alguns projetos em curso já comprovaram que o modelo pode funcionar e a Circulate Capital espera que o seu investimento possa dar origem a novas inovações. (Ler sobre “Um esforço para reciclar redes de pesca entrançadas em alcatifa”.)

"Não existe uma solução mágica para travar a poluição de plástico", afirma Kaplan. "Não vamos conseguir resolver o problema através da reciclagem e nem vamos conseguir fazê-lo através da redução".

Mas Kaplan espera que os investimentos da Circulate Capital possam ser uma peça do puzzle. Kaplan estima ser necessário mais de mil milhões de dólares norte-americanos para construir infraestruturas de gestão de resíduos verdadeiramente mais eficazes no sudeste asiático. A Circulate Capital conta aumentar o seu compromisso em pelo menos 100 milhões de dólares norte-americanos ao longo do próximo ano como um passo nessa direção.

 

REDIRECIONAR AS CORRENTES DE PLÁSTICO PARA LONGE DO MAR

22 de outubro de 2018

As grandes empresas têm estado a adotar medidas para eliminar a quantidade de resíduos de plástico que produzem. Mas e o plástico que já se encontra nos rios ou nas praias que pode entrar facilmente no oceano?

É aqui que entra a NextWave, uma aliança fundada por empresas, incluindo a Dell e um grupo ambientalista denominado "Lonely Whale". Ao contratar pessoas que vivem em zonas costeiras, o grupo recolhe plástico descartado a cerca de 48 metros dos cursos de água para evitar que o mesmo chegue ao mar. Até ao momento, a NextWave tem-se concentrado em dois tipos de plástico encontrado normalmente em ambientes marinhos: o nylon 6 e o polipropileno.

Este plástico recuperado é depois enviado para fabricantes que o reutilizam em vez de produzirem novo plástico. Os locais de recolha de plástico são escolhidos com base no impacto que a limpeza provocaria nesse local e onde será mais fácil de transportar o plástico recolhido para instalações de reciclagem existentes. Estas decisões de localização são feitas com base na ciência por parte dos químicos Jason Lochlin e Jenna Jambeck, uma exploradora National Geographic.

Hoje, a empresa informática HP anunciou que irá aderir à aliança NextWave. Desde 2016, a HP tem estado a trabalhar com os habitantes locais no Haiti para recolher um total de cerca de 249 toneladas de plástico que a empresa utilizou desde então para a produção de cartuchos de tinta. Segundo um comunicado de imprensa, a HP associou-se a uma ONG denominada First Mile Coalition, com o objetivo de melhorar as condições de trabalho dos haitianos, para criar até 600 postos de trabalho na recolha de garrafas de plástico.

Além da HP, a Ikea também divulgou que irá aderir à NextWave. Além disso, a empresa de mobiliário comprometeu-se em eliminar o plástico descartável das suas lojas até 2020 e em criar produtos de origem mais sustentáveis, incluindo mais artigos produzidos com plástico reciclado, até 2030.

Dez empresas integram atualmente a NextWave e tencionam extrair plástico recuperado da Indonésia, Chile, Filipinas, Camarões e Dinamarca. A NextWave ainda não tem números relativamente à quantidade de plástico que poderá potencialmente manter longe dos oceanos, no entanto, o seu site estima que só a sua parceria com a Dell evitou a entrada de um total de cerca de 1 milhão e 360 kg de plástico no oceano nos últimos cinco anos.

Correção: esta reportagem foi atualizada para destacar que a HP trabalhou com a aliança First Mile no Haiti e para esclarecer os tipos de plástico com que a NextWave trabalha.

 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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