As Alterações Climáticas Vão Mudar as Cores dos Oceanos

No próximo século, os satélites observarão enquanto os azuis e verdes do oceano se intensificam.Wednesday, February 13, 2019

Por Sarah Gibbens
Fitoplâncton em crescimento no Mar de Barents a 14 de agosto de 2011. Esta imagem foi captada pelo Espectro Radiómetro de Imagem de Resolução Moderada (MODIS), a bordo do satélite Aqua.

Em 2100, o oceano como o conhecemos mudará provavelmente de cor.

Foi esta a conclusão de um estudo publicado recentemente na revista Nature Communications que modelou a forma como o fitoplâncton se alterará à medida que os oceanos continuam a aquecer. Num cenário de “tudo na mesma”, no qual as emissões de gases de efeito estufa continuam inalteradas, as zonas subtropicais mais azuis do oceano tornar-se-ão ainda mais azuis, e as regiões mais verdes ao longo do equador e dos polos tornar-se-ão ainda mais verdes.

Mais do que uma mera singularidade, os autores do estudo dizem que a mudança de cor é um sinal de alerta de mudanças globais drásticas que ocorrerão num mundo aquecido pelas alterações climáticas.

MEDIR A COR

É bem sabido que as mudanças sazonais mudam regularmente a cor da água, mas o aquecimento dos oceanos pode estar a alterar permanentemente os mosaicos de azuis e verdes vistos a partir do espaço.

A luz do sol penetra mais de 180 metros abaixo da superfície do oceano. Tudo o que esteja a uma profundidade superior está mergulhado na escuridão. Acima disso, a maioria das moléculas de água é capaz de absorver todas as cores, exceto o azul, sendo, por isso, refletido.

A matéria orgânica que cobre a superfície do oceano, como o fitoplâncton, muda essa cor. A maior parte contém clorofila, um pigmento verde que absorve a luz do sol que as plantas necessitam para produzir alimentos. À medida que o oceano aquece, as correntes tornam-se mais irregulares, e as camadas na água tornam-se mais estratificadas, o que significa que as regiões quentes não se misturam tão facilmente com as regiões frias. Existem milhares de espécies de fitoplâncton, exclusivamente adaptadas a águas mornas ou frias. À medida que os oceanos continuam a aquecer, algumas espécies podem morrer, outras prosperarão e outras migrarão para regiões diferentes.

No entanto, a observação da clorofila em si não é suficiente para informar os cientistas de como o aquecimento do clima está a alterar o fitoplâncton. Eventos naturais como El Niños e La Niñas podem influenciar as quantidades de concentração de fitoplâncton em determinadas áreas.

Em vez disso, o grupo de investigação utilizou satélites para medir a luz refletida como um todo.

Stephanie Dutkiewicz, autora principal do estudo, diz que o mesmo modelo foi utilizado anteriormente para observar a forma como o aquecimento dos oceanos irá mudar o comportamento do fitoplâncton. O modelo determina os ciclos de vida e os movimentos do fitoplâncton em padrões oceânicos que ocorrem naturalmente. Utilizando esse mesmo modelo, estimaram a quantidade de luz numa determinada região, tendo por base o número de organismos presentes.

A conclusão a que chegaram: até 2100, metade dos oceanos do mundo terá azuis mais azuis e verdes mais verdes.

UM CENÁRIO DE 'TUDO NA MESMA'

"O que havia de especial no modelo é que este sugere que as mudanças de cor subtis são um sinal de alerta antecipado", diz Dutkiewicz. “O fitoplâncton é a base da cadeia alimentar marinha. Tudo no oceano requer a existência de fitoplâncton. O impacto será sentido até ao topo da cadeia alimentar.”

As suas projeções basearam-se na probabilidade de o mundo aquecer três graus Celsius até 2100. Em novembro passado, a Organização Meteorológica das Nações Unidas estimou que a Terra irá aquecer entre três e cinco graus até ao final deste século.

Dutkiewicz diz que o seu modelo se baseia num "mundo muito mais quente". Se forem implementadas mudanças significativas, a cor do oceano pode permanecer a mesma.

Isso exigiria cortes significativos nas emissões dos gases de efeito estufa criados pela queima de combustíveis fósseis.

 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

Continuar a Ler