Plástico no Atlântico Norte Triplicou Desde 1960

Um estudo científico, que fazia medições de plâncton, registou acidentalmente as décadas de crescimento de poluição por plástico.terça-feira, 7 de maio de 2019

Lixo plástico no oceano.
Lixo plástico no oceano.
fotografia de Rosemary Calvert, Getty Images

Em 1957 eram pedaços de redes usadas na pesca de arrasto. Em 1965 eram sacos de plástico.

Há mais de 60 anos que os cientistas no Reino unido recolhem dados sobre o plástico marinho, reunindo bases de dados detalhadas sobre a quantidade de plástico infiltrada no Atlântico Norte, ou seja, desde que o plástico se tornou num item doméstico omnipresente.

Ao publicar as suas descobertas, no dia 14 de abril, na revista Nature Communications, a equipa de investigação tornou-se na primeira a confirmar quantitativamente o aumento dramático de plástico nos oceanos, desde a década de 1990.

COMO O FIZERAM?
Calcular a quantidade de plástico no oceano é complicado. Muitos investigadores e publicações referem um estudo de 2015, apresentado na revista Science, que estimava que todos anos entram no oceano entre 4.8 a 12.7 biliões de pedaços de plástico. Esta amplitude vasta resulta de diversos métodos de cálculo de desperdícios, que observa resíduos nos habitats, consumo e capacidade de reciclagem.

Pelas provas visuais, como um saco de plástico na Fossa das Marianas ou o selo de uma marca de cigarros numa medusa, os investigadores também sabem que o plástico está por todo o oceano.

Para verificar as quantidades de plástico no Atlântico Norte, os cientistas usam um engenho antiquado, mas fidedigno, chamado Continuous Plankton Recorder (CPR). Este aparelho, com a forma de um torpedo, tem recolhido amostras de plâncton no Atlântico Norte desde a década de 1930.

O CPR é fixado com um cabo na popa de um barco e arrastado pela superfície da água.

“São aparelhos muito robustos”, diz a autora do estudo, Clare Ostle, bioquímica marinha na Marine Biological Association. “Foram concebidos na década de 1920, e a sua forma permanece a mesma. Por isso é que temos este conjunto de dados.”

Ao longo da história dos CPR, os pequenos aparelhos de metal viajaram mais de 11.9 milhões de quilómetros pelo Atlântico Norte, ficando por vezes presos em navios de contentores e ferries.

“Nesse sentido, o CPR é suscetível de ficar enleado em algo, tal como acontece com os mamíferos marinhos que passam tempo à superfície”, diz o estudo.

Das 16.725 viagens feitas pelos CPR, 669 ficaram emaranhas em plástico. Apesar do CPR não ter sido concebido para contar detritos plásticos, estes registos de viagens defeituosas forneceram dados com várias décadas de idade.

Olhando para os registos feitos no passado pelos CPR, Clare conseguiu observar que, desde a década de 1960, o plástico triplicou no oceano – com o aumento mais significativo a acontecer entre 1990 e 2000.

O QUE PODEM OS INVESTIGADORES FAZER COM ESTA INFORMAÇÃO?
Depois da viragem do milénio, o tipo de plástico mais comum encontrado pelos investigadores era material de pesca. Como o Atlântico Norte é muito importante para as pescarias, Clare quer examinar a ligação entre os diferentes tipos de material de pesca, e diferentes tipos de práticas pesqueiras, com a quantidade de plástico encontrada no mar.

Saber onde se concentra o plástico vai ser muito importante para a conservação, diz Clare.

“É importante para a gestão de resíduos e para a forma como os pensamos limpar.”
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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