Meio Ambiente

Clima de Muitas Cidades vai Mudar Drasticamente até 2050

Nova Iorque, São Francisco e Washington estão entre as 17 cidades dos EUA que em breve irão enfrentar um clima sem precedentes.Thursday, August 1, 2019

Por Stephen Leahy
No dia 27 de agosto de 2017, a cidade de Houston, com a autoestrada 288 inundada, lutava contra a subida das águas provocada pelo furacão Harvey.

Previsão climática para 2050: os invernos de Nova Iorque terão o clima que se verifica hoje em Virginia Beach; a cidade húmida e fria de Londres estará quente e seca como Barcelona; a chuvosa Seattle estará seca como São Francisco; e Washington estará semelhante a Nashville da atualidade, mas com variações ainda maiores de temperatura e de precipitação. Estas previsões refletem a primeira análise global sobre as mudanças que algumas cidades irão sofrer com as alterações climáticas.

"Queríamos saber quais eram as estimativas mais conservadoras para o clima de 520 metrópoles no ano 2050", disse Tom Crowther, investigador na ETH Zürich, e um dos autores do estudo publicado no dia 10 de julho na revista científica PLOS ONE.

"As alterações que encontrámos são enormes", disse Crowther em entrevista.

Para ilustrar as suas descobertas, o Laboratório Crowther, na Suíça, criou um mapa de dados global que combina as condições climáticas futuras de uma cidade com as atuais. Por exemplo, em 2050, o mês mais quente de Minneapolis pode subir dos 27 graus em média e ultrapassar os 32 graus.

De um modo geral, as cidades do hemisfério norte terão o mesmo clima que as cidades situadas mil quilómetros mais a sul têm atualmente, disse Crowther.

Na Europa, os verões e invernos ficarão consideravelmente mais quentes até 2050, com aumentos médios de 3,5 e 4,7 graus, respectivamente, em comparação com o ano 2000.

No entanto, para 22% das maiores cidades do mundo – cidades que atualmente têm 1 milhão ou mais de habitantes – não existem termos comparativos ou análogos. Essas 115 cidades terão condições climáticas sem precedentes até 2050, em comparação com o que se verificou no ano 2000.

Isto não significa que Washington será mais quente que Riade, na Arábia Saudita. Significa que não existe uma correspondência atual para as variações climáticas nas temperaturas, sazonalidade e precipitação que a cidade irá sentir, disse Crowther.

A grande maioria das 115 cidades que irão ter climas “novos” fica nos trópicos e inclui metrópoles como Kuala Lumpur, Jacarta, Rangun e Singapura. As mudanças nas cidades tropicais serão menores em termos de aumento de temperatura, mas serão dominadas por eventos extremos de precipitação mais frequentes e pela severidade e intensidade das secas.

“O destino das principais cidades tropicais permanece incerto, pois muitas vão passar por condições climáticas sem precedentes.”

O estudo usou tecnologia de ponta para fazer as projeções do modelo climático com os dados existentes, mas as análises foram feitas de forma a serem acessíveis ao público e aos planificadores urbanos. Saber que o clima de Londres será como o de Barcelona – que em 2008 passou por secas severas que exigiram mais de 22 milhões de euros para importar água potável – pode ajudar os planificadores a prepararem-se para o futuro.

"Queremos ajudar as pessoas a visualizar o impacto das alterações climáticas nas suas próprias cidades, durante a sua vida", diz o autor principal do estudo, Jean-François Bastin, investigador na ETH Zürich.

O movimento das temperaturas mais quentes para norte, a um ritmo de 20 km por ano, parece-me razoável, assim como os resultados do estudo, disse Michael Mann, da Universidade Estadual da Pensilvânia. Ainda assim, as conclusões são "preocupantes", disse Mann por email. A probabilidade de mais de dois terços da população mundial viver em áreas urbanas até 2050 também é preocupante.

A trajetória das emissões de carbono usada no estudo foi a mais conservadora – seguindo uma estabilização projetada de 1,5 a 2 graus até 2050. As emissões reais de carbono são muito mais altas e têm uma trajetória de 3 a 4 graus. No entanto, os aumentos de temperatura em ambas as trajetórias são muito semelhantes até 2050, ano em que a previsão das emissões diverge substancialmente, disse Mann.

Regiões como o Médio Oriente vão ficar cada vez mais quentes, com consequências enormes na produção de alimentos e na capacidade de fornecimento de água para as cidades, disse Crowther. “Para a maioria das cidades, as implicações do estudo são horríveis”.
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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