Meio Ambiente

Extinção de Plantas Afeta as Fundações Verdes da Terra

Desde o início do século XX, desapareceram mais plantas na natureza do que mamíferos e anfíbios. Qual é o custo para os ecossistemas?quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Por Michael Greshko
Em meados do século XX, a demanda dos jardineiros por açafrão-azul chileno deixou a planta quase à beira da extinção na natureza. Mas em 2001, foi encontrada uma população próspera nas terras a sul de Santiago.

Quando pensamos em "extinção", na nossa mente, imaginamos um animal – um dodó, ou um lobo-da-tasmânia. Mas a crise da biodiversidade não se resume à fauna, também temos a flora. De acordo com uma investigação global publicada recentemente na Nature Ecology & Evolution, desde a década de 1750, pelo menos 571 espécies de plantas ficaram extintas na natureza.

Desde o início do século XX, a cada 3 anos, desaparecem em média mais de 8 espécies de plantas. Este ritmo de extinção é cerca de 500 vezes superior à taxa de extinção natural, ou extinção de fundo, das plantas.

"Fico chocada a nível pessoal, mas pior do que isso, acho que é assustador para o futuro do nosso planeta", diz a coautora do estudo, Maria Vorontsova, taxinomista de plantas nos Jardins Botânicos Reais do Reino Unido. "As plantas são a infraestrutura dos ecossistemas, e são interdependentes de outros organismos – e entre si – de formas que ainda não conseguimos compreender na sua totalidade".

Os botânicos tentaram salvar a oliveira de Santa Helena, mas em 2003, os fungos exterminaram as poucas mudas sobreviventes.

Como é que as atividades humanas empurraram as plantas para fora do mundo? Algumas espécies, como a oliveira de Santa Helena (Nesiota elliptica), foram confinadas a espaços pequenos. Os colonos da ilha de Santa Helena, no Atlântico Sul, limparam grande parte da vegetação, corroendo o habitat da árvore; o último espécime selvagem morreu em 1994. E em 1912, a estudante de botânica Norma Pfeiffer estava a caminhar pela Torrence Avenue, em Chicago, quando descobriu uma Thismia americana, uma planta bizarra e sem folhas. Apesar das inúmeras investigações, esta planta não é vista desde 1916.

O número de plantas extintas presente no estudo é certamente uma estimativa baixa, mas as mudas de esperança persistem. Os autores também referem que 431 plantas que se consideravam extintas, como o açafrão-azul chileno (Tecophilaea cyanocrocus), foram redescobertas. Mas manter estas plantas connosco não vai ser uma tarefa fácil: cerca de 89% ainda estão em perigo de extinção.
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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