Meio Ambiente

Lixo Mais Comum nas Praias em 2018: Embalagens de Plástico de Alimentos

Uma iniciativa anual de limpeza de praias, com mais de um milhão de participantes de 120 países, encontrou todo o tipo de lixo.quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Por Laura Parker
Pepinos embalados em plástico numa mercearia em Toronto. As embalagens de alimentos foram novamente o segundo tipo de lixo mais encontrado na limpeza global de praias de 2018 da Ocean Conservancy.

Nos mercados, os humildes pepinos permanecem frescos durante 3 dias. Se os embalarmos com película aderente, a sua longevidade prolonga-se até aos 14 dias. Isto explica muito resumidamente o rápido crescimento da indústria de embalagens de plástico para alimentos – uma indústria que em 2020 pode atingir um volume de negócios a rondar os 345 mil milhões de euros.

Levando em consideração estes valores, não será de surpreender que a forma como os humanos compram e consomem alimentos tenha um impacto tão tangível nos oceanos. Nove dos dez principais itens recuperados nas limpezas anuais de praia da Ocean Conservancy estão relacionados com comida e bebida. Na limpeza anual de 2018, as embalagens de alimentos foram novamente o segundo tipo de lixo mais encontrado. E agora, pela primeira vez, garfos, facas e colheres de plástico entraram na lista, de acordo com o novo relatório do grupo.

Para além das embalagens de alimentos – das quais foram recolhidas mais de 3.7 milhões de embalagens individuais – a lista de plásticos descartáveis inclui palhinhas, talheres, garrafas, sacos de supermercado e outros sacos de plástico (para alimentos e outros usos), tampas, chávenas e pratos.

A exceção continua a ser as beatas de cigarros (com filtros de plástico) – no topo da lista há vários anos.

“As beatas de cigarros são um problema à parte e todos os anos vencem a corrida”, diz George Leonard, cientista-chefe da Ocean Conservancy.

“Se olharmos para os 10 itens no topo da lista, a grande maioria não é reciclável. E se queremos que a reciclagem seja uma solução para o problema do plástico no oceano, precisamos de atingir níveis de reciclagem entre os 50% e os 90%, um objetivo ambicioso que se complica cada vez mais depressa”, diz.

Pela primeira vez, esta iniciativa de limpeza atraiu mais de um milhão de pessoas. Nas praias de mais de 120 países, recolheram mais de 10 toneladas de lixo e identificaram quase 1 milhão de itens separados – uma imagem representativa do nosso modo de vida.

Entre o lixo estavam: mais de 69.000 brinquedos; mais de 16.000 aparelhos domésticos; lustres; árvores de Natal artificiais; portas de garagem; caixas registadoras e máquinas de escrever.

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A organização está a fazer uma análise aprofundada dos dados, procurando padrões globais que possam ajudar a manter o lixo plástico fora dos oceanos.

O que mais impressionou Leonard na limpeza de 2018 não foi o volume de itens recolhidos, mas sim o volume de pessoas que participaram – isso quer dizer alguma coisa sobre o problema da poluição por plástico.

“O voluntariado está vivo e bem de saúde. E a crescente indignação com o que está a acontecer nos oceanos é motivadora."

A limpeza deste ano está agendada para o dia 21 de setembro.
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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