Musgo Conserva Solo Após Incêndios Florestais

Sabia que o musgo é fundamental para a conservação do solo afetado pelos incêndios florestais? Na prevenção e fertilização das terras, a Universidade de Aveiro redescobriu o papel do musgo.

segunda-feira, 20 de abril de 2020,
Por National Geographic
Fúria dos incêndios em Portugal, a 10 de agosto de 2016.

Fúria dos incêndios em Portugal, a 10 de agosto de 2016.

Fotografia de NASA, Jeff Schmaltz, LANCE/EOSDIS Rapid Response


Em Portugal, todos os anos, especialmente nos meses de verão, os incêndios florestais tendem a ser numerosos. Para além dos prejuízos económicos e ambientais, são uma fonte de perigo para a população e respetivos bens.

Portugal descobre a importância do musgo
A Universidade de Aveiro (UA) desenvolveu um estudo que levou à descoberta de que o musgo não só previne a erosão dos solos, em áreas ardidas, como retém a humidade e conserva a fertilidade da terra.

Com o estudo, realizado no âmbito do projeto RECARE, os investigadores da UA monitorizaram, durante o período de um ano, uma encosta de uma plantação florestal ardida, na qual ocorreu uma colonização espontânea de musgos nas primeiras semanas após o incêndio florestal.

Mais musgo, menos erosão
Pela metodologia selecionada para o estudo, foi possível apurar que o desenvolvimento de uma cobertura média anual de uma área ardida ao longo do primeiro ano após o incêndio, com 67% de musgo, permitiu reduzir a erosão anual em 65%. Para esta análise, os cientistas escolheram uma encosta com plantação de eucaliptos, que tinha ardido na região Centro de Portugal.

Diana Vieira e Jacob Keizer, investigadores do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar da UA e, Els van der Spek, da Universidade de Wageningen, na Holanda, garantem que “os musgos podem ser encarados como engenheiros de ecossistemas naturais que constituem o primeiro passo para a preservação da fertilidade dos solos, proporcionando todas as condições para o desenvolvimento da biodiversidade subsequente”.

Flávio Silva, autor do trabalho, juntamente com os restantes investigadores, quantificaram a erosão do solo pela escorrência superficial causada pela chuva e perda de sedimentos e de matéria orgânica, em parcelas com diferentes graus de musgo.

A necessidade da conservação do solo
Como espécie vegetal cosmopolita, o musgo desenvolve-se muito bem em solos pobres e é de fácil proliferação, necessitando apenas de alguma humidade e luz solar baixa ou moderada.

O estudo, publicado na revista Ecological Engineering, foi destacado pela Comissão Europeia na newsletter Science for Environment Policy. O objetivo passa por demonstrar a importância da necessidade da conservação do solo, que é um recurso não renovável, trazendo o tema a debate prioritário nas políticas europeias.

O musgo na gestão dos solos
O musgo pode também ser encontrado à venda no mercado. A oferta surge em várias espécies. Em Portugal conhecem-se mais de 700 espécies.

Surge como refúgio a pequenos insetos quer durante o frio rigoroso, quer como esconderijo face a predadores. Alguns animais usam o musgo também para forrar os seus ninhos ou as suas tocas.

Os incêndios são catástrofes naturais, das mais graves em Portugal, e a intervenção humana pode ter um papel decisivo na sua origem e na limitação do seu desenvolvimento.

A descoberta da importância do musgo na gestão dos solos queimados, vem estimular o seu crescimento após o incêndio. Como se desenvolve rapidamente, retém o solo e a humidade necessários para o desenvolvimento posterior de plantas vasculares.

Em suma, o musgo surge na abordagem da prevenção da erosão pós-incêndio. Esses esporos, ou fragmentos triturados de musgo seco nos lotes de misturas de sementes, já são habitualmente utilizados em medidas de estabilização de emergência pós-incêndio.

 

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