Portugal em Sétimo Lugar no Estudo Sobre a Qualidade das Águas Balneares

Portugal possui águas balneares excelentes, qualidade que tem vindo a melhorar nos últimos anos. As praias do Chipre colocam-no a liderar o ranking europeu.

Monday, August 24, 2020,
Por National Geographic
Cabo de São Vicente, a cinco quilómetros de Sagres.

Cabo de São Vicente, a cinco quilómetros de Sagres.

Fotografia de Anne Farrar/National Geographic Creative

Em 2019, a Agência Europeia do Ambiente analisou a qualidade da água das praias marítimas e fluviais, observando que a mesma tem vindo a melhorar na generalidade dos países europeus, sendo que 84.8%, das 22 295 praias analisadas, conseguiram obter um resultado excelente.

Em Portugal, 91.5% das praias revelaram não apresentar problemas, situando-se assim em sétimo lugar no ranking da boa qualidade das água balneares.

A boa qualidade estende-se à Áustria (98.5%), Malta (97.7%), Grécia (95.7%), Croácia (95.6%) e à Alemanha (92.5%). No topo da lista estão as praias do Chipre, liderando a lista europeia com 99.1%.


Já a Polónia, a Albânia e a Eslováquia registaram os piores indicadores europeus, com 21.6%, 58.8% e 62.5%, respetivamente. Seguem-se a Estónia (63%), a Bulgária (65.3%), o Reino Unido (66.1%), o Luxemburgo (70.6%), a Hungria (70.8%), a Irlanda (72.8%) e os Países Baixos (74.2%).

Os resultados do estudo mostram uma qualidade melhor no Mediterrâneo, o que se explica pelas chuvas fracas, ou praticamente inexistentes, durante o verão, para além de uma maior exposição solar e pelas águas mais profundas.

Portugal desenvolve Educação Ambiental através do Programa Bandeira Azul
As águas das praias marítimas de Portugal têm uma qualidade acima da média europeia, e tal também se deve ao envolvimento de programas de Educação Ambiental, como o Programa Bandeira Azul. Este é um programa de educação para o desenvolvimento sustentável, promovido em Portugal pela Associação Bandeira Azul da Europa. O objetivo passa por educar para o desenvolvimento sustentável em praias costeiras, fluviais e lacustre, portos de recreio, marinas, embarcações de recreio e ecoturísticas.

A Bandeira Azul é um símbolo de qualidade que distingue o esforço de diversas entidades em tornar possível a coexistência do desenvolvimento local a par com o respeito pelo ambiente. Tal conduz a uma elevação do grau de consciencialização dos cidadãos em geral, e dos decisores em particular, para a necessidade de se proteger o ambiente marinho, costeiro e lacustre.

Relativamente às zonas balneares, a obtenção da Bandeira Azul é atribuída às praias marítimas que cumpram alguns requisitos como a realização e promoção de pelo menos seis atividades de Educação Ambiental, que informem sobre a qualidade da água balnear, sobre as áreas sensíveis e ecossistemas na zona da praia, entre outras.

A qualidade da água das praias deve cumprir as normas e legislação nacional e do Programa Bandeira Azul, bem como garantir que eventuais descargas de águas residuais industriais, ou urbanas, na área da praia não afetam a sua qualidade, entre outros parâmetros.

O estudo da qualidade da água das praias
A importância da divulgação destes dados permite dar aos banhistas uma boa indicação dos locais onde podem encontrar águas balneares de melhor qualidade.

A qualidade das águas das praias é um tema de grande relevância por ser considerado um bom indicador da qualidade ambiental e do potencial de desenvolvimento turístico, para além de determinante em termos de saúde pública.

A avaliação é realizada com base numa análise bacteriológica para identificação de Enterococos intestinais e Escherichia coli. Quando o perfil das águas balneares revela uma tendência para a proliferação de cianobactérias, macroalgas e/ou fitoplâncton marinho, deve ser verificado se a sua presença é aceitável.

Para tal, são ainda identificados os riscos para a saúde que a sua presença representa e, tomadas as medidas de gestão adequadas.

Durante a monitorização, as águas balneares são também inspecionadas visualmente para detetar poluição por resíduos de alcatrão, vidro, plástico, borracha e outros resíduos.

Conforme os resultados das análises bacteriológicas de Enterococos intestinais e Escherichia coli, a água balnear é classificada como “excelente”, “boa”, “aceitável” ou “má”.

As recomendações da Comissão Europeia para o regresso às praias marítimas
Segundo Bruxelas, a quase totalidade das zonas balneares apresentava águas que cumpriam os requisitos mínimos de qualidade. Em meados de maio, a Comissão Europeia apresentou recomendações para os países retomarem a livre circulação na União Europeia, suspensa pela COVID-19, visando um restabelecimento acautelado dos serviços de transporte e do turismo.

Apesar da qualidade das praias marítimas, a Comissão Europeia pede prudência às populações, dado o surto ainda ativo da COVID-19. Aconselha-se que os cidadãos procurem informações atualizadas, junto das autoridades locais e nacionais, tal como, dos concessionários das praias sobre as medidas de segurança aplicadas.

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