Nova Espécie de Planta Encontrada na Costa Vicentina

Investigadores da Universidade de Évora estiveram envolvidos na descoberta de uma espécie rara e ameaçada, na Costa Vicentina.

Por National Geographic
Publicado 13/10/2020, 17:21
A nova planta endémica Helosciadium milfontinum é rara e fortemente ameaçada.

A nova planta endémica Helosciadium milfontinum é rara e fortemente ameaçada.

Fotografia por Carla Pinto Cruz

Investigadores da Universidade de Évora e botânicos da Universidade de Oviedo, em Espanha, desenvolveram um estudo onde demonstraram uma nova espécie, claramente diferente de outra previamente identificada, a Apium repens, cuja área de distribuição é mais abrangente no território europeu.

A nova espécie de planta, designada Helosciadium milfontinum, restringe-se mundialmente a pequenas áreas da Costa Vicentina. Apresenta caules rastejantes e folhas lobadas, com margens dentadas. O conjunto de flores é semelhante às flores do agrião e floresce entre julho e agosto, frutificando no início do mês de setembro.

Estudo taxonómico
Desde o início do século que os cientistas trabalham na recolha de dados moleculares com o objetivo de melhorar a classificação das plantas e a identificação das espécies.

Foi possível identificar a Helosciadium milfontinum através de um estudo taxonómico. O objetivo do estudo é a organização da diversidade biológica dos exemplares preservados, recorrendo a amostras já existentes em herbários e outras recolhidas na natureza.

Uma vantagem deste trabalho é a possibilidade de identificar a espécie de forma objetiva, independentemente da época do ano, com apenas recurso a pequenos fragmentos de uma planta. Para além disso, também contribui para a base de dados de DNA Barcoding, também conhecida por Enciclopédia da Vida, um sistema binomial que é universalmente padronizado.

Seis espécies, entre elas, surge a milfontinum
O género Helosciadium é constituído por seis espécies, das quais três foram identificadas em Portugal: H. nodiflorum, frequente e abundante em grande parte do território, H. inundatum e H. repens, com distribuição dispersa pelo país. Agora, as características morfológicas e genéticas revistas na investigação confirmam a nova espécie distinta.

A origem do nome Helosciadium milfontinum reporta à combinação exclusiva entre o género e o epíteto específico, sendo que milfontinum é alusivo à área de ocorrência da planta - Vila Nova de Milfontes, no distrito de Beja.

Os charcos temporários onde a espécie surge apresentam-se muito ameaçados, do ponto de vista da sua conservação. Possuem um habitat único que alberga uma grande diversidade de organismos, onde a diversidade biológica vai sendo perdida, à medida que cada espécie se extingue.

Ações de conservação
A identificação precisa de cada espécie torna-se essencial, também para ser possível planear os esforços de conservação da melhor forma. Percebendo que a Helosciadium milfontinum cresce em charcos temporários e que se revela apenas em pequenas áreas da Costa Vicentina, percebe-se que a espécie está mais isolada geneticamente do que se pensava.

As relações genéticas integram as seleções evolutivas e de parentesco das espécies, que são estudadas por métodos de inferência filogenéticas, avaliando as características herdáveis observadas. O resultado é depois expresso num diagrama, que vai constituir a árvore filogenética.

Este trabalho permitiu desenvolver uma maior consciência sobre o estatuto da espécie, da sua importância e do elevado grau de ameaça. Apesar de já ter sido alvo de alguns esforços de conservação, só com o conhecimento que este estudo veio revelar é que será possível perspetivá-los e priorizá-los adequadamente.

Os investigadores afirmam que as ações de conservação e planeamento são essenciais, tendo em conta as consequências das nossas ações diárias no planeta e o ritmo acelerado a que se produzem alterações.

Investigação reúne Évora e Oviedo
O projeto Recuperação de Valores Naturais – Habitats e Espécies de Zonas Húmidas Temporárias, coordenado pela Universidade de Évora, já direcionou alguns esforços de conservação, quer nos charcos temporários da região, quer direcionados à própria planta Helosciadium milfontinum.

O projeto é uma iniciativa lançada pelo ICNF, em parceria com o Fundo Ambiental, o qual contribuiu para a conservação de valores e recursos naturais, para a promoção e manutenção da biodiversidade, assim como o restauro de habitats ou a valorização do território, com base nos sistemas e espécies autóctones.

À frente da investigação esteve Carla Pinto Cruz, investigadora do Instituto Mediterrâneo para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento (MED) da Universidade de Évora, em conjunto com Eduardo Cires, Herminio S. Nava e José Antonio Fernández Prieto, da Universidade de Oviedo.

Continuar a Ler

Também lhe poderá interessar

Ciência
Descoberta Espécie de Cavalinha com Cerca de 300 Milhões de Anos na Região do Douro
Ciência
Planta primitiva com mais de 300 milhões anos "redescoberta" em museu do Porto
Ciência
Lesma-do-gerês, uma rara espécie descoberta no Parque das Serras do Porto
Ciência
Novas espécies de mosca-formiga descobertas na Península Ibérica
Ciência
Portugueses Podem Ajudar a Encontrar Espécies Marinhas

Descubra Nat Geo

  • Animais
  • Meio Ambiente
  • História
  • Ciência
  • Viagem e aventuras
  • Fotografia
  • Espaço
  • Vídeos

Sobre nós

Inscrição

  • Revista
  • Registar
  • Disney+

Siga-nos

Copyright © 1996-2015 National Geographic Society. Copyright © 2015-2021 National Geographic Partners, LLC. Todos os direitos reservados