Minifloresta está a nascer em Lisboa, através do método Miyawaki

A Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa vai ter uma minifloresta, criada pelo método Miyawaki. É um projeto pioneiro e pretende tornar o campus um laboratório vivo.

Publicado 19/05/2021, 16:44 WEST, Atualizado 20/05/2021, 13:27 WEST
projeto rePLANT

Os trabalhos de plantação decorreram em março, com especial atenção às restrições legais e cuidados de saúde relacionados com a COVID-19.

Fotografia de ACI-Ciências ULisboa

Uma minifloresta está a nascer em plena Lisboa e a iniciativa decorre no âmbito do projeto europeu 1Planet4All, resultado de uma parceria entre a Organização Não-Governamental para o Desenvolvimento (ONGD) VIDA e a 2adapt.

A plantação da minifloresta, coordenada pelo investigador David Avelar e por António Alexandre, decorreu nos primeiros dias de março com o apoio da Lisboa Green Capital 2020. Contou com 22 toneladas de composto proveniente de resíduos verdes e orgânicos, recolhidos pela Câmara Municipal de Lisboa (CML), e transformados pela Valorsul, a empresa responsável pela valorização e tratamento de resíduos urbanos.

A atividade envolveu cerca de 150 jovens de diferentes grupos e contextos universitários e, ao longo de uma semana, transformaram um relvado num espaço de abundância de alto impacto e com baixa pegada ecológica.

Método do botânico japonês Akira Miyawaki

Para a implementação da minifloresta, foi escolhido o método criado pelo botânico japonês Miyawaki. Este método passa por otimizar a plantação de florestas, com o intuito de restaurar a biodiversidade.

O método remonta à década de 1970 e à descoberta do botânico japonês Akira Miyawaki, de que apenas 0.06% das florestas do país são nativas. Face a esse achado, Miyawaki desenvolveu um método de restaurar as vegetações originais, em terras degradadas ou destruídas. Através dele, já foi possível criar 1.700 novas florestas por toda a Ásia.

A FCULresta servirá como caso de estudo para avaliar e compreender o verdadeiro potencial do método para a ação climática no Mediterrânico

Fotografia de ACI-Ciências ULisboa

Miyawaki nasceu em 1928 e tornou-se conhecido internacionalmente como especialista em botânica e reflorestamento. É professor emérito na Universidade Nacional de Yokohama e diretor do Centro Japonês de Estudos Internacionais em Ecologia. Recebeu também vários reconhecimentos, como o prémio Blue Planet Prize, no ano de 2006.

O método ocorre através de quatro passos simples:

Identificação – perceber o local onde se pretende plantar a nova floresta e identificar as plantas nativas, que melhor se adaptam ao local;

Preparar o terreno – proceder à limpeza do solo, à adição de nutrientes orgânicos, à preparação de elementos para ajudar na retenção de água;

Plantar – plantar densamente, ou seja, entre três e cinco pequenas árvores por metro quadrado;

Cuidar – por fim, regar e cuidar da plantação, protegendo contra pragas e ervas daninhas, durante os três anos seguintes.

O método Miyawaki na Europa

Utilizado atualmente em diversos países europeus, tem representação na criação de florestas urbanas em França e na Bélgica e, de miniflorestas na Holanda. O objetivo destes países passa por ajudar a combater as alterações climáticas.

Diversos estudos comprovam que o uso de vegetações nativas, facilita todos os processos, começando pela polinização. Assim, na França e na Bélgica já se contabiliza a plantação de 21 mil árvores, em 7 mil metros quadrados. Na Holanda, o grupo de conservação IVN Natuur Educatie já ajudou cidades e famílias a plantar 100 florestas deste tipo, desde 2015.

As florestas que nascem do método Miyawaki proporcionam biodiversidade, trazendo uma maior variedade de alimentos, abrigos, insetos, lesmas, anfíbios, borboletas e outros mais. Estes ecossistemas podem tornar-se maduros em apenas 20 anos, contendo 20 vezes mais espécies e tornando-se 30 vezes mais densas do que as florestas plantadas por métodos convencionais.

De acordo com os defensores do método, os resultados são ecossistemas complexos, perfeitamente adequados às condições locais que melhoram a biodiversidade, crescem mais rápido e, por isso, absorvem mais CO2.

Benefícios para toda a comunidade

Para além do impacto na biodiversidade, as florestas urbanas ajudam a melhorar a saúde mental da comunidade, reduzem os efeitos nocivos da poluição do ar e ajudam a regular o fenómeno das ondas de calor nas cidades. É, essencialmente por isso, que as miniflorestas têm um grande potencial para ajudar a combater as alterações climáticas.

A Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Ciências ULisboa), no âmbito do projeto pioneiro em Lisboa, vai tornar um espaço pouco cuidado, com pouca utilidade e pouca diversidade vegetal, numa minifloresta densa e multifuncional, com 662 plantas arbóreas e arbustivas de 44 espécies, distribuidas pelos 5 estratos.

Graças à sua densidade, esta minifloresta vai conseguir captar mais carbono e promover mais biodiversidade. Com o intuito de acolher diferentes espécies, este espaço conta ainda com dois hotéis para insetos (um só́ para joaninhas), um refúgio para anfíbios, outros para répteis, um charco temporário e, também, sensores de monitorização do solo.

A Ciências ULisboa toma a minifloresta como caso de estudo, para avaliar e compreender o verdadeiro potencial do método Miyawaki para a ação climática no Mediterrâneo, bem como, de outros serviços de ecossistema em meio urbano. Ambiciona-se comprovar o valor deste tipo de miniflorestas e potenciar a replicação da iniciativa pelo restante território, nacional e internacional.

Projeto das miniflorestas visto em cooperação

O projeto, implementado em Portugal pela ONGD VIDA, resulta de um consórcio de 14 ONGs europeias, que trabalham em Cooperação para o Desenvolvimento e Ação Humanitária em países do Sul Global. É ainda financiado pela União Europeia e pelo Instituto Camões.

Lisboa foi distinguida com o galardão de Capital Verde Europeia 2020 e, a distinção resulta da avaliação de um conjunto de especialistas internacionais, com base em 12 indicadores que avaliam a sustentabilidade na cidade. Neste sentido, a capital tem vindo a desenvolver-se no sentido de uma cidade mais verde e amiga do planeta e das pessoas.

As alterações climáticas já não são um fenómeno longínquo e estamos, constantemente, a sentir o seu impacto no nosso dia a dia. Falar sobre as ações e contributos possível, assim como, sensibilizar sobre o impacto global das alterações climáticas, pretende gerar a oportunidade de participação, intercâmbio de experiências e as boas práticas por parte de todos.

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