Jane Goodall junta-se a campanha para plantar um bilião de árvores até 2030

A campanha “Trees for Jane” vai apoiar os esforços em andamento, sobretudo nos países em desenvolvimento, para reabastecer as árvores da Terra.

Publicado 22/09/2021, 11:47
Jane Goodall

A primatóloga britânica Jane Goodall caminha pelo museu de ciências CosmoCaixa em Barcelona, em 2018.

Fotografia de Enric Fontcuberta, EPA-EFE/Shutterstock

Jane Goodall, a famosa primatóloga, lançou esta semana a campanha Trees for Jane, juntando-se a uma campanha global que visa combater as alterações climáticas com a plantação de um bilião de árvores até 2030.

Jane, Exploradora da National Geographic de longa data, deixou bem patente que esta plantação é apenas uma das vertentes da campanha; há outra coisa ainda mais importante. “A chave é proteger a floresta existente porque as árvores grandes já armazenaram CO2”, diz Jane em entrevista à National Geographic.

A campanha Trees for Jane faz parte de um número crescente de projetos de plantação de árvores em todo o mundo, com o objetivo de remover gases de efeito estufa da atmosfera. Entre outros, o esforço de Jane vem juntar-se à Trillion Tree Campaign e 1t.org, sendo apoiado pelo Fórum Económico Mundial.

Jane, uma Mensageira da Paz das Nações Unidas, sente uma forte “ligação espiritual” com as árvores, diz Jane em conversa via Zoom a partir da sua casa de família no sul de Inglaterra. “As árvores absorvem dióxido de carbono. Elas dão-nos oxigénio. Elas ajudam a fazer chover. Portanto, as árvores são uma dádiva.”

Na curta-metragem A Trillion Trees, que estreia durante a Semana de Ação Climática da ONU, que começou nesta segunda-feira, Jane diz que as árvores são “uma dádiva de Deus para a humanidade”. O número de árvores que a Trillion Trees Campaign, 1t.org e Trees for Jane querem plantar ou preservar é impressionante: 128 árvores por cada ser humano na Terra.

Porém, existe um motivo para este objetivo, diz Jane. O mundo contém agora cerca de três biliões de árvores e o planeta perde 15 mil milhões de árvores anualmente, de acordo com um estudo de mapeamento publicado em 2015 na revista Nature.

“Eu sei que um bilião parece uma insanidade”, diz Jeff Horowitz, cofundador da campanha Trees for Jane. “Não estamos a dizer abertamente que o vamos conseguir fazer, mas queremos chegar o mais perto possível.”

Apoiar os esforços já existentes

A campanha Trees for Jane vai apoiar “os esforços já existentes no terreno” para proteger e restaurar a biodiversidade do nosso planeta, diz Jeff. “Assim de repente, quando se trata de plantar árvores para a campanha, provavelmente teremos 300 ou 400 grupos prontos para começar. Com pás prontas e árvores no solo logo no primeiro dia.”

As doações feitas para a campanha vão apoiar grupos locais que trabalham para travar a desflorestação. E as pessoas que plantam também são convidadas para cuidar das árvores e fazer a sua monitorização até que estas se estabeleçam.

A preservação da floresta e a plantação de árvores estão entre as soluções climáticas naturais que, em conjunto, podem fornecer até um terço da mitigação necessária até 2030 para “evitar um aquecimento catastrófico”, diz Susan Cook-Patton, cientista de restauração florestal da The Nature Conservancy. “Nem sempre é necessário plantar árvores. Quando as condições são adequadas, as árvores podem voltar a crescer sozinhas por uma fração dos custos.”

“Como é óbvio, a plantação de árvores não é um substituto para a redução das emissões”, diz Susan. “A ação mais importante é reduzir as emissões dos combustíveis fósseis. No entanto, mesmo que consigamos reduzir rapidamente as emissões, continuamos a precisar de remover o carbono da atmosfera para evitar um aquecimento catastrófico. É por isso que as estratégias de remoção de carbono, como o recrescimento de árvores, continuam a ser importantes.”

Alguns esforços de plantação de árvores têm sido criticados por cientistas por serem ineficazes e contraproducentes, uma vez que muitos destes programas não plantam espécies nativas, criando basicamente quintas de produção de árvores, não ajudando assim as florestas.

A mensagem de Susan é clara: “Plantar as árvores corretas, nos lugares corretos e da forma correta.” Isto significa plantar árvores nativas onde viveram historicamente. Jane Goodall diz que este conceito alinha-se perfeitamente com a missão da Trees for Jane.

Na sexta-feira passada, a ONU alertou que o mundo não estava a fazer o suficiente para mitigar as emissões e que previa um aquecimento “catastrófico” de 2,7 graus Celsius.

Desenvolver um movimento

A plantação de árvores com o intuito de ajudar o ambiente não é um conceito novo; esta ideia surgiu na década de 1970, quando a ativista queniana Wangari Muta Maathai fundou o Movimento Cinturão Verde. Este grupo colaborou com mulheres ao nível local para plantarem um milhão de árvores como parte de um esforço mais abrangente de restauração ambiental no Quénia. Wangari Maathai, a primeira mulher africana a vencer o Prémio Nobel da Paz, mostrou como a plantação de árvores pode melhorar os ecossistemas locais e capacitar as comunidades, dando-lhes novas fontes de rendimento.

A campanha Trees for Jane quer desenvolver este modelo e vai trabalhar com comunidades em África e por todo o mundo em desenvolvimento. O programa TACARE na Tanzânia, apoiado pelo Instituto Jane Goodall, trabalha na preservação da floresta de Gombe, onde Jane estudou chimpanzés. É um dos diversos grupos que estão prontos para trabalhar com a campanha, diz Jane.

A reflorestação dos centros urbanos também faz parte dos planos. “É algo que pode ajudar a retirar calor das cidades”, diz Ellie Cohen, CEO do The Climate Center, um grupo de ação política sediado na Califórnia. “A plantação de árvores nas áreas urbanas com espécies apropriadas pode ter benefícios que vão para além do sequestro de carbono, particularmente na mitigação do efeito ilha de calor.”

“Os estudos mostram consecutivamente que os bairros mais pobres têm a menor quantidade de vegetação. Portanto, a plantação de árvores nessas áreas pode ser essencial para a sobrevivência das nossas comunidades.”

Jane Goodall, sublinhando que a Trees for Jane incentiva as pessoas a plantar árvores ou a fazer doações para apoiar os esforços globais, diz que o seu amor pelas árvores remonta à infância. “Lá fora, no jardim, está a Beech”, diz Jane sobre a faia que consegue ver pela janela da casa onde cresceu e onde vive agora.

“Quando era criança, gostava muito da Beech. Era em cima dela que fazia os meus trabalhos de casa. Li vários livros lá em cima. Ia para aquela árvore quando estava triste. Quando tinha dez anos, escrevi a minha própria versão de um testamento.” O testamento dizia que a sua avó, dona da casa, deixaria a Jane a sua árvore preferida. “A minha avó assinou e deixou-me a Beech.”

Quase oito décadas depois, Jane Goodall continua a trabalhar incansavelmente pela saúde do planeta, partilhando a dádiva das árvores com o mundo inteiro.
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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