Startup portuguesa cria saco que recolhe microplásticos durante a lavagem

A startup Skizo criou um saco para lavar roupa que evita que microplásticos sigam para os rios e oceanos.

Publicado 10/09/2021, 13:31
O saco de lavagem de máquina da Skizo é respirável e feito em Portugal, a partir ...

O saco de lavagem de máquina da Skizo é respirável e feito em Portugal, a partir de redes de pesca descartadas.

Fotografia de Grab the Ocean

Incubada no Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto (UPTEC), a startup Skizo criou um saco para a lavagem da roupa sintética que consegue recolher os microplásticos libertados pelas fibras de tecido durante cada ciclo, evitando que os mesmos acabem nos rios e oceanos.

Este saco da Skizo foi elaborado com base nos plásticos encontrados na costa e praias portuguesas e a partir de redes de pesca descartadas por pescadores locais que, posteriormente, são transformados em material têxtil por empresas do Norte do país.

De acordo com André Facote, CEO e cofundador da Skizo, estima-se que 35% dos microplásticos libertados para o oceano são provenientes do desgaste de têxteis sintéticos, que ocorre durante os ciclos de lavagem da roupa.

Tais microplásticos poderão ser ingeridos pelos peixes que depois vimos a consumir e, sabendo que apenas durante uma lavagem de roupa na máquina, podem ser libertadas mais de 700 mil microfibras que vão parar ao ambiente, o saco da Skizo revela-se como um grande instrumento para impedir essa proliferação.

O saco para a lavagem de roupa da Skizo é mais um passo em direção à solução deste problema ambiental, com objetivo de progredir no combate à poluição marinha. Para utilizar o saco, basta enchê-lo até cerca de dois terços com roupa sintética e colocar na máquina, juntamente com outras peças de vestuário não sintéticas para evitar desequilíbrio.

Saco de roupa suja made in Portugal

A Skizo apresenta um saco feito com uma camada fina de poliamida, proveniente de redes, com aberturas de cerca de 50 micrómetros que acabam por conseguir filtrar as fibras que possam libertar-se das roupas sintéticas e que, em seguida, podem ser colocadas na reciclagem de plástico.

Resultado da reciclagem de alta qualidade, tem um processo de produção vertical com rastreabilidade controlada. As redes de pesca coletadas são transformadas em pó e depois em grânulos, fios e tecidos de fabricação responsável.

Trata-se de um saco com 74cm x 50cm, respirável, para lavar a roupa na temperatura máxima de 40 graus, sendo recomendado o uso de detergentes líquidos e naturais, sem produtos sintéticos. Só este saco da Skizo equivale a 10 garrafas de plástico e a 1 kg de rede de arrastão velha.

O saco conta ainda com a certificação Vegan, aprovada pela PETA, cumpre o Padrão Global Reciclado 4.0 e, tem também o certificado OEKO-TEX Standard 100. Esta startup portuense, que transforma o plástico do oceano em têxtil, garante, desta forma, que é possível lavar a roupa suja sem poluir os oceanos.

A startup que saiu da Universidade do Porto para o mundo

A Skizo iniciou a sua atividade com uma linha de sapatilhas, tendo já exportado para vários países europeus, para o Brasil, Estados Unidos da América e Canadá. A startup vai lançar novos designs e afirma que cada par de sapatilhas tem o equivalente a 36 garrafas recolhidas pelos pescadores. São produzidas pelas mãos de artesãos portugueses e personalizados por cada cliente.

Além das sapatilhas, também já criou malas de praia produzidas com plástico do oceano, algodão reciclado e linho, assim como máscaras de proteção contra a COVID-19, com 70% de plástico reciclado do oceano, equivalente a cinco garrafas de plástico. Os seus produtos são produzidos apenas após encomenda, evitando assim utilizar recursos desnecessariamente.

Os pescadores são aliados na hora de recolher os plásticos dos rios e das praias, sendo que a Skizo conta já com mais de 500 apoiantes. Entre março de 2019 e fevereiro de 2021, já foram transformadas em têxtil mais de 2 toneladas de plástico e mais de 100 mil garrafas de plástico já foram transformadas em produtos.

Ainda há esperança para os oceanos

Estima-se que a poluição proveniente do plástico mata cerca de 100 mil mamíferos marinhos e 1 milhão de aves marinhas por ano. Segundo um estudo de 2020, a quantidade de lixo plástico que flui para os oceanos todos os anos pode quase triplicar até 2040 – para cerca de 29 milhões de toneladas anuais.

A missão da Skizo é criar impacto ambiental e social, e construir um legado para as próximas gerações. No segundo ano de existência, a startup realizou uma parceria para limpar uma área tão grande quanto o Distrito de Lisboa e Porto. Atualmente, a Skizo pretende estudar a possibilidade de dar uma segunda vida aos microplásticos recolhidos pelo saco de lavagem de roupa. Em vista está, também, a produção de roupa de banho a partir de redes de pesca descartadas.

Os preços dos produtos que a Skizo oferece, desde o saco de lavagem de roupa, às malas de praia e sapatilhas, vão desde os 25 aos 150 euros. Partindo da premissa de que o Homem é o grande responsável da acumulação diária de plásticos no oceano, o saco lançado pela Skizo apresenta-se como mais um pequeno passo para fazer a diferença e trazer de volta a esperança de oceanos mais limpos.

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