26 Factos que ilustram a realidade das alterações climáticas

...e quatro que oferecem esperança.
Fotografia de PAUL NICKLEN, NAT GEO IMAGE COLLECTION
Publicado 2/11/2021, 10:19

À medida que a COP26 se desenrola, compreender os inúmeros desafios que o nosso mundo enfrenta não é fácil. É difícil perceber uma crise de escassez de água quando alguns países estão a enfrentar inundações. É difícil ter noção do desaparecimento do gelo ártico quando as notícias estão repletas de histórias de eventos climáticos extremos.

Mas é esta instabilidade climática, provocada pelo lento aquecimento do nosso planeta, que está a perpetuar estes eventos extremos. As consequências podem devastar economias, infraestruturas e causar instabilidade política – uma situação descrita em 2011 pelo Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-Moon, como uma “mistura profana”. No mesmo discurso, Ban Ki-Moon disse que as alterações climáticas eram a “questão definidora dos nossos tempos”. As evidências resumem-se aos factos.

Os gases de efeito estufa nunca estiveram tão elevados em 4.5 milhões de anos

Os mastodontes e mamutes-lanosos ainda vagueavam pela Terra quando a concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera atingiu pela última vez os níveis atuais – 417 partes por milhão – de acordo com a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos EUA. Os cientistas dizem que os níveis de CO2, que na forma de gases de efeito estufa retêm calor e provocam o aquecimento global, são agora comparáveis aos níveis da Era do Plioceno, há 4.1 a 4.5 milhões de anos, quando o nível do mar estava cerca de 24 metros acima do que se verifica atualmente e a temperatura média era quase 4 graus Celsius mais elevada.

Em 170 anos, a Terra testemunhou alterações equivalentes a 20.000 anos

Desde 1850, as atividades humanas aumentaram as concentrações de COem 48%. Foram necessários 20.000 anos para os níveis aumentarem naturalmente com esta amplitude, desde o Último Máximo Glacial, quando o manto de gelo de Laurentides cobria um terço da América do Norte.

Julho de 2021 foi o mês mais quente de que há registo

Nesta corrida, o primeiro lugar é o pior de todos, dado que julho de 2021 garantiu a sua classificação enquanto mês mais quente desde que as temperaturas começaram a ser registadas há 142 anos, de acordo com a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional. Pelo mundo inteiro, a temperatura da terra e da superfície do oceano está 0,93 graus acima da média de 15,8 graus verificada no século XX.

O gelo marinho derrete em lagoas azul turquesa na ilha de Baffin, em Nunavut, no Canadá. No Ártico, entre 1979 e 2018, a proporção de gelo marinho com cinco anos ou mais reduziu dos 30% para os 2%.

Fotografia de BRIAN SKERRY, NATIONAL GEOGRAPHIC IMAGE COLLECTION

A plantação de árvores não é suficiente

A plantação de árvores é uma atividade nobre e regenerativa – mas para absorver emissões de carbono suficientes de maneira a atingir o “zero líquido” em 2050 seriam necessários 1.6 mil milhões de hectares de novas florestas. Trata-se de uma área cinco vezes maior do que a Índia, ou mais do que todas as terras agrícolas do mundo, de acordo com a Oxfam.

Os níveis de precipitação no Reino Unido estão a aumentar...

O Reino Unido está a sofrer eventos climáticos mais extremos à medida que o clima muda. Neste verão, a área de Londres registou mais 48% de precipitação do que a média a longo prazo da cidade, e aumentos com uma escala semelhante foram registados em Hampshire (até 49%), Surrey (até 54%) e West Sussex (até 52%). O ano passado foi o quinto ano mais chuvoso do Reino Unido desde 1862, com 116% da média registada entre 1981 e 2010, e 122% da precipitação média registada entre 1961 e 1990, de acordo com a International Journal of Climatology.

... e as vagas de calor também

O serviço nacional de meteorologia do Reino Unido emitiu o seu primeiro alerta de “calor extremo” para o país em julho de 2021, e a Irlanda do Norte bateu o seu recorde histórico de temperatura no dia 21 de julho, quando os termómetros registaram 31,3 graus em Castlederg.

A primavera está a chegar mais cedo

A natureza está a tentar acompanhar o ritmo da chegada antecipada da primavera e do outono que é proporcionada pelo aumento das temperaturas. Em 2020, no Reino Unido, a data das “primeiras mudas” de carvalho-alvarinho foi 10 dias antecipada em relação à média registada entre 2000 e 2009, de acordo com a International Journal of Climatology

Nesta imagem vemos o lago Poopo seco e incrustado de sal. As terras mal irrigadas, a extração madeireira e a evaporação podem provocar a desertificação. A quantidade de terra que se está a tornar árida está a aumentar anualmente.

Fotografia de MAURICO LIMA, NAT GEO IMAGE COLLECTION

A Antártida perde o equivalente a um Monte Evereste de gelo todos os anos

A Antártida está a perder 151 mil milhões de toneladas de gelo por ano, quase o equivalente em peso à rocha que forma o Monte Evereste, de acordo com dados do satélite Grace Follow-On da NASA.

Dentro de 70 anos, os lares de 200 milhões de pessoas estarão abaixo do nível do mar

Até ao final deste século, se os níveis do mar continuarem a subir, 200 milhões de pessoas pelo mundo inteiro – mais de três vezes a população do Reino Unido – irão viver abaixo da linha de maré, de acordo com a Nature Communications. O nível do mar subiu 178 milímetros desde o século XX e está a subir 3,4 milímetros por ano. Os níveis do mar atingiram um patamar recorde em 2020 pelo nono ano consecutivo – cerca de 91,3 milímetros acima da média registada em 1993, ano em que começaram os registos de altímetro de satélite. O nível do mar sobe porque o calor armazenado no oceano faz com que a água se expanda, ao mesmo tempo que o degelo dos mantos e dos glaciares aumenta o volume de água. A China, o Bangladesh e a Índia são particularmente vulneráveis à subida do nível do mar, tempestades costeiras e inundações, assim como os Países Baixos e parte do Reino Unido.

Cada vez há mais deserto

Todos os anos perdem-se mais de 12 milhões de hectares de terra devido à desertificação, degradação do solo e seca, de acordo com a ONU – uma área equivalente a todo o terreno arável da Alemanha.

Os incêndios estão a ficar mais frequentes – e piores

Os incêndios florestais, quer seja na Austrália, Califórnia ou Grécia, estão a durar mais tempo e a propagar-se por áreas maiores do que nunca, de acordo com a ONU, que estima que os incêndios devastaram cerca de 30 milhões de hectares de terra entre 2018 e 2020.

Um milhão de espécies em perigo

Um número assustador de outros habitantes da Terra, incluindo 40% de todos os anfíbios conhecidos pela ciência (cerca de 3.200 espécies) estão sob ameaça devido ao impacto humano, de acordo com a ONU. As alterações climáticas, a poluição, o desflorestamento, a sobrepesca, o desenvolvimento e as espécies invasoras estão a colocar a biodiversidade em perigo.

Um incêndio devasta a floresta tropical do Brasil perto do Maranhão.

Fotografia de CHARLIE HAMILTON JAMES, NAT GEO IMAGE COLLECTION

A produção de plástico está a acelerar

Estima-se que a produção e uso de plástico dupliquem durante os próximos 20 anos, podendo quadruplicar até ao início de 2050, alerta a Fundação Heinrich Böll – apesar de os gases de efeito estufa, como CO2 e metano, serem libertados em todas as fases do ciclo de vida do plástico – desde a extração e refinamento de petróleo até ao processo de fabrico e descarte no final de vida dos produtos; e eventual incineração. A ONU calcula que todos os anos são usados 17 milhões de barris de petróleo para fazer plástico e cerca 13 milhões de toneladas de plástico escoam para os oceanos.

75 milhões de crianças sofrem com a insegurança alimentar

Em 2020, pelo menos 155 milhões de pessoas, cerca de 2.3 vezes a população do Reino Unido, lidavam com os efeitos da insegurança alimentar devido às condições meteorológicas extremas, bem como conflitos e problemas económicos, de acordo com o Programa Alimentar Mundial. Entre estas pessoas estão mais de 75 milhões de crianças menores de cinco anos que apresentam problemas de crescimento. “Os extremos climáticos vão continuar a exacerbar a insegurança alimentar nas economias mais frágeis.”

A mortalidade devido às vagas de calor está a aumentar

As temperaturas abrasadoras estão a revelar-se fatais, com a revista científica The Lancet a informar que, durante os últimos 20 anos, houve um aumento de 53.7% na mortalidade relacionada com o calor em pessoas com mais de 65 anos. Só em 2018, este fator provocou a morte prematura de 296.000 pessoas em todo o mundo, o suficiente para ocupar três vezes a lotação do Estádio de Wembley.

O conceito de pontos de inflexão é assustador

O que muitas pessoas não percebem sobre o aquecimento global é que, assim que ultrapassamos um determinado limiar, a física assume o controlo. Isto pode verificar-se nos mantos de gelo que – assim que atingem uma taxa de degelo – já não conseguem sustentar a sua massa. Quando se ultrapassa o ponto de inflexão conhecido por balanço de massa superficial (ou SMB na sigla em inglês), os mantos de gelo já não conseguem sustentar a sua massa colossal com base na quantidade reabastecida pela precipitação, dando origem a um declínio acelerado e imparável – um declínio que os humanos são incapazes de impedir. Com medidas fortes de mitigação – limitando o aumento da temperatura global aos 1,5 graus, o nível acordado pelas nações no Acordo de Paris – as mantos de gelo continuarão a perder massa, mas não irão ultrapassar o ponto crítico de inflexão. Sem estas medidas, num cenário de emissões elevadas, os cientistas não sabem ao certo quando se poderá atingir o ponto de inflexão. Porém, com base nos dados do século passado, o cenário não é risonho.

(Relacionado: Alterações climáticas – o planeta pode estar perto do ponto de inflexão.)

A cor do gelo é importante

Não basta ter invernos frios para repor os níveis de gelo. O gelo branco – o gelo de longo prazo e com vários anos – reflete a luz do sol, ajudando a mitigar o aquecimento. O gelo sazonal fino e escuro não reflete a luz com a mesma eficácia. É por esta razão que o declínio do gelo marinho no Ártico é particularmente alarmante. De acordo com o IPCC, entre 1979 e 2018, a quantidade de gelo marinho com cinco anos ou mais desceu dos 30% para os 2%.

Um furacão atinge a costa da Flórida. Os cientistas acreditam que os furacões estão a ficar mais intensos e mais lentos devido às alterações climáticas, aumentando o seu impacto sobre as povoações humanas.

Fotografia de OTIS IMBODEN, NAT GEO IMAGE COLLECTION

As alterações climáticas estão a provocar eventos meteorológicos extremos

Os estudos realizados entre 2015 e 2020 revelam as “impressões digitais” das alterações climáticas em 76 inundações, secas, tempestades e anomalias de temperatura, para além de aumentarem drasticamente o perigo de incêndios florestais em 114 países.

Doenças perigosas no horizonte

As alterações climáticas estão a acelerar a propagação de doenças infeciosas, como a dengue e a malária, criando condições em mais regiões onde as infeções podem prosperar. Em 2018, a dengue já se tinha expandido em cerca de 15% em comparação com a linha de base registada na década de 1950, de acordo com especialistas médicos da The Lancet.

Todas as superfícies da Terra estão a aquecer

Não existe um local no planeta que tenha escapado ao impacto das alterações climáticas. Em 2020, foram registadas temperaturas recorde na Bielorrússia, Bélgica, Estónia, Finlândia, França, Cazaquistão, Lituânia, Luxemburgo, Países Baixos, Noruega, Polónia, Espanha, Suécia, Suíça e Ucrânia, bem como no Japão, México, Rússia e Seychelles – e a cidade de Blenheim, na Nova Zelândia, registou um período recorde de seca de 64 dias, de acordo com os Centros Nacionais de Informações Ambientais.

A Antártida registou temperaturas de verão em 2020 e o Ártico estava a sufocar

Em finais de junho de 2020, a temperatura mais quente de que há registo assolou o Círculo Polar Ártico – atingindo uns impressionantes 38 graus em Verkhoyansk, na Rússia. Este aquecimento é semelhante na outra extremidade do planeta, onde a Estação Esperanza da Antártida registou 18,3 graus no dia 6 de fevereiro de 2020, a temperatura mais elevada alguma vez registada neste continente.

As estatísticas sobre a erosão costeira são impressionantes

Desde o degelo do pergelissolo, que está a provocar o colapso de penhascos no Alasca, passando pela subida do nível do mar e pela redução no fluxo de sedimentos no Mississippi, que está a fazer com que uma área do tamanho de um campo de futebol desapareça por hora na costa da Louisiana, a combinação entre um clima quente, tempestades extremas, subida do nível do mar e atividades humanas está literalmente a tirar o chão debaixo dos nossos pés.

As pessoas mais ricas são as menos ecológicas

Entre 1990 e 2015, a população mais rica do mundo – 1% – foi responsável por mais do dobro das emissões de carbono em comparação com os 50% mais pobres da humanidade, segundo estimativas da Oxfam. A pegada média de carbono estimada deste 1% da população mais rica do mundo pode ser até 175 vezes superior à das pessoas que estão no espectro dos 10% mais pobres.

A Grande Barreira de Coral sofreu um apocalipse

Estima-se que a Grande Barreira de Coral da Austrália tenha perdido metade dos seus corais desde a década de 1990, à medida que o aumento sustentado da temperatura do oceano branqueia e torna os corais insuportáveis para os organismos que os colonizam. Basta um pico de 1 ou 2 graus na temperatura da água para ter um impacto devastador, de acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). Os recifes cobrem menos de 0.1% do leito oceânico, mas abrigam mais de um quarto de todas as espécies de peixes marinhos.

Um terço dos habitats mais preciosos estão ameaçados

Os ecossistemas mais vulneráveis estão ameaçados pelas alterações climáticas, e a UICN alerta que 83 dos 252 Patrimónios Mundiais naturais estão em risco, incluindo a Área de Conservação do Pantanal no Brasil e as Áreas Protegidas da Região Floral do Cabo na África do Sul.

Os veículos elétricos têm um custo oculto

Os veículos elétricos podem ter zero emissões, mas continuam a ter uma pegada de carbono considerável no seu processo de fabrico. Um SUV elétrico tem de percorrer entre 47.000 e 146.000 quilómetros – dependendo se é recarregado com energia eólica ou uma mistura de ‘energia global’ que inclui eletricidade gerada a partir de combustíveis fósseis – para a sua emissão de gases de efeito estufa ser mais baixa do que um carro a gasolina. Caminhar, andar de bicicleta ou de transportes públicos oferece opções de deslocação bastante mais ecológicas.

Uma baleia-jubarte e a sua cria ao largo de Vava'u, em Tonga.

Fotografia de BRIAN SKERRY, NAT GEO IMAGE COLLECTION

As energias renováveis estão em ascensão

Apesar da demanda por carvão e gás estar a aumentar, as energias renováveis poderão fornecer mais de metade das necessidades energéticas em 2021. Este ano, as energias renováveis poderão ter uma expansão superior a 8% – o maior crescimento anual de que há registo. Em 2020, o preço da energia produzida por estes processos também desceu, custando muito menos para produzir do que as alternativas de combustível fósseis – a construção de novas fábricas solares e eólicas, tanto em terra como no mar, também desceram respetivamente 16%, 13% e 9%.

Algumas espécies estão a recuperar

As populações de baleias – as criaturas mais proeminentes da extinção catalisada pelo homem – incluindo baleias-azuis e jubarte, recuperaram e atingiram números recorde em zonas onde historicamente tinham praticamente desaparecido. Com o aumento das zonas oceânicas geridas de forma sustentável e o crescimento das áreas marinhas protegidas (AMP), existe a esperança de que a nossa relação com os “sistemas de suporte de vida” da Terra deixe de ser uma batalha de desgaste e se torne mais numa espécie de simbiose.

A tecnologia pode oferecer soluções

A engenhosidade demonstrada pelos finalistas do Earthshot Prize, que foram anunciados no início deste ano, são uma evidência de que quando os humanos se aplicam – seja por motivos financeiros ou filantrópicos – a nossa criatividade pode ajudar a reverter alguns dos danos que fizemos. Quer seja através da criação de estirpes de coral mais robustas, do tratamento de águas residuais ou a eliminar a necessidade de queimar diariamente toneladas de carvão com um simples dispositivo movido a energia solar, os humanos podem ser tão bons a salvar o ambiente como o são a destruir.

O mundo está a despertar

Uma sondagem feita em 2020 pelo Boston Consultancy Group descobriu que entre os cerca de 3.000 participantes de oito países, 70% estavam agora mais cientes do que antes da COVID-19 de “que as atividades humanas ameaçam o clima e que, por sua vez, a degradação do ambiente ameaça a humanidade”. O aumento do ativismo climático entre os jovens – considerado um dos maiores movimentos globais de todos os tempos – demonstra o aumento da consciencialização sobre os perigos que ameaçam o nosso futuro. Tudo isto, aliado à descida nas emissões devido aos confinamentos e à perceção indireta do impacto das nossas próprias atividades, para além da própria pandemia, significa que cada vez mais pessoas podem sentir inspiração para fazer mais.
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.co.uk
 

A National Geographic está empenhada em incentivar ações positivas a nível individual para ajudar a mitigar as alterações climáticas. No período em que decorre a COP26, descubra outros hábitos para viver de uma forma mais leve e sustentável no planeta.

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