26 Agentes de mudança que lutam pelo planeta

Quer sejam cientistas, inovadores, filantropos ou adolescentes com uma causa – por detrás de cada grande ação está uma força motriz. Eis 26 agentes de mudança que merecem o devido reconhecimento.

Por Simon Ingram
Publicado 3/11/2021, 16:06
Agentes de mudança

Conservacionistas, filantropos, jovens ativistas e cientistas – são apenas algumas das vozes influentes que lutam por um mundo melhor.

Fotografia por David Attenborough, Imagem De Jeff Gilbert, Alamy, Outros Mencionados Abaixo

Onde quer que estejamos no mundo, precisamos de combater as alterações climáticas. As temperaturas estão a aumentar, o gelo está a derreter, o nível do mar está a subir – e os eventos climáticos extremos indicam que o equilíbrio está a desaparecer pelo mundo inteiro. Estes eventos estão a desencadear uma avalanche de efeitos em todas as vertentes da natureza e a privar o planeta dos seus habitats, ecossistemas e – em última instância – das suas espécies. Aos poucos, uma dessas espécies pode ser a nossa.

A atividade humana tem acelerado as alterações climáticas: no entanto, em todo o mundo, existe a forte crença de que a engenhosidade humana pode reverter esta situação. Com a realização da COP26, num momento em que o mundo se reúne para discutir resoluções de grande impacto que lidem com a desestabilização ambiental, eis 26 agentes de mudança – indivíduos, organizações e fundações – que se estão a mobilizar, a pesquisar, a inovar e a financiar um trajeto para um futuro melhor para o nosso planeta. (Relacionado: O que é a COP26 – e por que razão é tão importante?)

I. Os Influenciadores

Todos nós temos um papel a desempenhar na tentativa de encontrar soluções para as alterações climáticas. Algumas pessoas – como estes indivíduos – usam as suas vozes e plataformas para inspirar ação.

Greta Thunberg, ativista ambiental
Poucos adolescentes na história ficaram tão icónicos quanto a ativista sueca Greta Thunberg, que saiu da obscuridade para se tornar na figura espiritual de um movimento de milhões de pessoas. Em agosto de 2018, Greta Thunberg era apenas uma curiosidade: uma figura minúscula com tranças e um fato de macaco amarelo – ofuscada pelo austero colosso do parlamento sueco com um cartaz feito em casa que dizia Skolstrejk för klimatet (greve escolar pelo clima). Para alguns, esta era uma analogia adequada para os jovens desprovidos de voz, jovens cujo futuro seria vivido em qualquer ambiente que os legisladores da atualidade estivessem a galvanizar. Cerca de 18 meses depois, Greta Thunberg estava a apelar copiosamente aos líderes mundiais para prestarem contas na COP25, em nome de uma geração cada vez mais ativa de jovens que exigem mudanças. Agora com 18 anos, os apelos diretos e apaixonados de Greta Thunberg capacitaram jovens ativistas pelo mundo inteiro para agir – com alguns observadores a descreverem a campanha de greve climática resultante como “possivelmente o maior movimento internacional na história da humanidade”.

David Attenborough, naturalista
Uma figura cuja presença tem sido sinónimo de apreço pelo mundo natural durante mais de meio século, a credibilidade emprestada pela voz de Sir David Attenborough continua a fazer com que espectadores de todas as idades se sentem e prestem atenção. Através de documentários como Vida e Planeta Azul, e trabalhos como Climate Change: The Facts da BBC, David Attenborough tem narrado momentos decisivos que ficam na consciência pública, questões como a poluição dos oceanos, a perda de biodiversidade e o impacto humano no planeta. Aos 95 anos, David Attenborough continua a dar voz a iniciativas ambientais como o The Earthshot Prize.

(Relacionado: Estas ideias disputam o prémio ambiental mais prestigiado da história.)

Jane Goodall, primatóloga e ativista
Apesar de ficar para sempre conhecida pelo seu trabalho com primatas, o ativismo educacional e prático da britânica Jane Goodall continua a ecoar ao longo de gerações. Os seus estudos em 1963 com chimpanzés no Parque Nacional de Gombe Stream ofereceram uma nova visão sobre a inteligência e o comportamento destes animais – um comportamento semelhante ao dos humanos. A própria Jane Goodall – agora com 87 anos – definiu um rumo para a sua vida que passa pela defesa dos direitos dos animais e pela contestação da forma como a sociedade encara aqueles que “não têm voz”.

Patricia Espinosa, Secretária Executiva, UNFCCC
Enquanto secretária executiva da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCCC), a responsabilidade de Patricia Espinosa é liderar uma posição unificada contra a desestabilização do clima num momento que muitos especialistas consideram ser um ponto de inflexão. A diplomacia da antecessora de Patricia Espinosa, Christiana Figueres, levou à formulação do Acordo de Paris em 2015. No momento difícil em que se realiza a COP26, e durante uma pandemia que afeta quase todos os aspetos do processo diplomático, a responsabilidade de Patricia Espinosa na liderança de uma posição unificada não podia estar mais bem definida. Em declarações ao The Observer, Patricia Espinosa disse: “Devido à impossibilidade de um encontro pessoal, as negociações formais ainda não começaram. Portanto, temos muito trabalho para fazer e muito pouco tempo para o fazer.”
 

II. Os Cientistas

A ciência é a espinha dorsal da política ambiental e de uma ação afirmativa. O trabalho destes seis Exploradores da National Geographic representa uma ciência pioneira que está na vanguarda da ciência climática – e na proteção de alguns dos últimos lugares selvagens que restam.

Victoria Herrmann, geógrafa e socióloga
Enquanto diretora do laboratório de ideias The Arctic Institute, o trabalho da Exploradora da National Geographic Victoria Herrmann na forma como se fala sobre alterações climáticas – especificamente a utilização dos órgãos de comunicação social e a importância da narrativa na mobilização contra as alterações climáticas – garantiu o seu reconhecimento na lista 30 under 30 da revista Forbes. “Em primeiro lugar, considero-me uma ouvinte – depois estabeleço ligações”, disse Victoria Herrmann num vídeo feito para a National Geographic que narra a sua jornada pelos Estados Unidos e os seus vários territórios, onde realizou mais de 350 entrevistas com líderes locais e as pessoas que sentem as alterações climáticas em primeira mão. “Existe esperança em todas as histórias sobre alterações climáticas”, acrescenta Victoria Herrmann. “Trata-se apenas de encontrar as soluções certas.”

Tom Matthewscientista climático
Professor de ciências do clima na Universidade Loughborough do Reino Unido, Tom Matthews é um Explorador da National Geographic especializado em interações entre sistemas terrestres e eventos extremos. Em 2019, na Expedição Rolex Perpetual Planet da National Geographic, Tom Matthews fez parte da equipa de meteorologistas que realizou o exame científico mais aprofundado até hoje sobre a condição do Evereste.

O objetivo de Tom Matthews era estudar os efeitos das alterações climáticas nos glaciares de maior altitude do planeta e monitorizar a saúde de uma fonte de água que sustenta mais de mil milhões de pessoas. A expedição conseguiu estabelecer a estação meteorológica terrestre de maior altitude, que vai permitir a monitorização em tempo real das regiões mais extremas da Terra. Tom Matthews também recolheu a amostra do núcleo de gelo de maior altitude e encontrou microplásticos na maior altitude de sempre – a 8.230 metros, nas encostas do cume do Evereste. (Participe numa sessão de perguntas e respostas da National Geographic Society a partir da COP26 com Tom Matthews no dia 9 de novembro às 12h30. Esta sessão faz parte do Programa Público Zona Verde.)

Isla Myers-Smith, ecologista e cientista de dados
As alterações nos sistemas de vegetação da tundra ártica podem ter repercussões de grande escala no clima mundial – e com os incêndios florestais na Sibéria e o degelo circumpolar em grande escala do pergelissolo, que basicamente é o armazenamento de alguns dos depósitos de carbono mais densos do mundo – faz desta uma área de compreensão vital quando se trata de alterações climáticas. A investigação de Isla Myers-Smith, Exploradora da National Geographic e bolseira da Universidade de Edimburgo, gira em torno do que se considera ser um dos sinais mais visíveis das alterações climáticas – o chamado “esverdeamento” do Ártico.

“Existe esperança em todas as histórias sobre alterações climáticas.... trata-se apenas de encontrar as soluções certas.”

por VICTORIA HERRMANN

O uso de tecnologia como drones e observações de satélite para rastrear as mudanças na cobertura vegetal está a dar aos cientistas como Isla Myers-Smith uma compreensão mais aprofundada sobre as alterações que podem afetar o equilíbrio entre o armazenamento natural de carbono e a sua libertação na atmosfera, com consequências potencialmente devastadoras.

Enric Sala, ecologista marinho
A conservação dos oceanos é o objetivo de Enric Sala, ex-professor universitário e Explorador da National Geographic que também é o fundador da iniciativa Pristine Seas, um empreendimento lançado em 2008 que visa proteger 30% dos oceanos mundiais até 2030. Até agora, esta iniciativa já protegeu 6 milhões de quilómetros de oceano e criou 24 reservas marinhas – áreas que irão permitir a gestão e regeneração de ecologias e recursos – às quais Enric Sala chama “sistemas de suporte de vida” do planeta.

Intan Suci Nurhati, especialista em paleoclimatologia
No Instagram, Intan Suci Nurhati é conhecida por coral_oracle, um nome adequado: esta especialista em paleoclimatologia usa recursos como corais e árvores para estudar a nossa influência no planeta. A química do carbonato que forma os corais ao longo do tempo tem uma assinatura que indica as condições em que foram depositados e possibilita a cientistas como Intan Suci Nurhati determinar variações em muitos aspetos do clima durante um longo período de tempo. O objetivo de Intan Suci Nurhati é compreender a escala do impacto humano através destes registos naturais. Investigadora do Instituto de Ciências da Indonésia (LIPI), Intan Suci Nurhati também é Exploradora da National Geographic e colabora no relatório da Sexta Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC).

Luis Daniel Llambi, ecologista
Luis Daniel Llambi é Explorador da National Geographic e trabalha na Universidade dos Andes da Venezuela. Através do seu projeto – O Último Glaciar da Venezuela – Luis Daniel Llambi determinou que o glaciar Humboldt está prestes a desaparecer devido às alterações climáticas. Isto fará com que a Venezuela seja o primeiro país andino a perder completamente os seus glaciares, perdendo também fontes importantes de água.

III. Os Ativistas 

Pelo mundo inteiro, os jovens estão a juntar as suas vozes à emergência climática – mas as vozes de pessoas que vivem em lugares onde as alterações climáticas já estão a ser sentidas nem sempre são ouvidas. Estes seis indivíduos, incluindo jornalistas e fotógrafos, são descritos juntamente com outros 24 ativistas no livro We Have a Dream.

Vanessa Nakate, ativista climática
Nascida no Uganda, Vanessa Nakate começou greves climáticas em locais públicos na capital Kampala em 2019, depois de testemunhar o impacto das alterações climáticas nas comunidades dependentes da agricultura perto da sua casa. Mais tarde, enquanto fundadora da organização Youth for Future Africa, Vanessa Nakate fez parte de um grupo de ativistas – incluindo Greta Thunberg – que falaram na COP25 em dezembro de 2019. Em janeiro de 2020, depois de Vanessa Nakate ter discursado no Fórum Económico Mundial em Davos, a Associated Press retirou a sua imagem de uma fotografia na qual aparecia com quatro ativistas brancos. “A mensagem de todos os outros estava a ser comentada, mas a minha mensagem foi cortada. E a minha fotografia também foi cortada... esta foi a primeira vez na vida que compreendi a definição da palavra racismo”, disse Vanessa Nakate num vídeo que publicou no Twitter. (A AP emitiu posteriormente uma declaração a pedir desculpa e reeditou a fotografia.) Este incidente foi assinalado como uma forma de marginalização das vozes que estão na vanguarda dos efeitos e esforços que visam combater as alterações climáticas – e Vanessa Nakate é agora uma figura proeminente na luta pela igualdade racial entre os ativistas.

Brianna Fruean, ativista e educadora
Nascida em Samoa, Brianna Fruean sabe em primeira mão quais são os efeitos das alterações climáticas na subida do nível do mar. A localização das suas ilhas no Pacífico Sul, que ficam numa junção tectónica, está a fazer com que estas ilhas se afundem, exacerbando uma taxa que já é acima da média na elevação do nível do mar. Aos 11 anos, Brianna Fruean fundou o grupo 350, que defende as energias renováveis, e em 2012, com 15 anos, falou na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável. A educação dos jovens – “a próxima geração de líderes”, como Brianna Fruean os descreve no livro We Have A Dream – sobre as realidades das alterações climáticas e a importância das suas consequências humanitárias é o objetivo principal do ativismo de Brianna Fruean.

Zanagee Artis, Cofundador do movimento Zero Hour
Zanagee Artis, nascido no Connecticut, cofundou em 2017 o movimento Zero Hour com os ativistas Jamie Margolin, Nadia Nazar e Madelaine Tew. De acordo com o seu  website, este movimento nasceu da frustração com a “inação dos funcionários eleitos e pelo facto de as vozes dos jovens serem quase sempre ignoradas nas conversas sobre as alterações climáticas”. O movimento tem crescido, com manifestações coordenadas e planeadas através de uma rede de jovens que pensam de forma semelhante nos Estados Unidos. Zanagee Artis – diretor de logística – ficou encarregado pela organização e gestão de alguns dos primeiros protestos climáticos liderados por jovens. Com uma marcha climática de muita visibilidade realizada em Washington D.C. em julho de 2018, as atividades satélite deste movimento têm crescido pelo mundo inteiro, com grupos de pressão semelhantes a organizarem manifestações locais – culminando num evento realizado no dia 20 de setembro de 2020, onde ativistas de todas as idades, em cerca de 185 países, encenaram aquela que se considera ser a maior greve climática da história.

Javier Cang, fotógrafo
O fotógrafo Javier Cang é um contador de histórias visual que usa as imagens para destacar os efeitos – e os perigos – das alterações climáticas. Durante a sua infância nas Filipinas, Javier Cang observou as mudanças a acontecer e começou a partilhar imagens, recorrendo ao seu enorme número de seguidores no Instagram como uma plataforma para agir. Javier Cang, que atualmente estuda na Universidade de Auckland, está focado em finanças sustentáveis e o seu trabalho ambiental foi reconhecido quando se tornou no primeiro e único embaixador filipino do The Earthshot Prize em 2020, narrando uma curta-metragem para a categoria “Limpar o Nosso Ar”.

“Somos os que contribuímos menos para o que está a causar as alterações climáticas, porém, somos os mais afetados.”

por CAITLYN BAIKIE

Scarlett Westbrook, ativista e jornalista
A ativista e jornalista Scarlett Westbrook luta por uma educação melhor, reforçando as mensagens sobre as alterações climáticas nas escolas. Com a Teach the Future, uma campanha para uma “educação climática mais abrangente no Reino Unido”, Scarlett Westbrook visa mudar os métodos tradicionais de ensino para que estes incorporem aspetos do colonialismo e da marginalização do ponto de vista indígena. Após os protestos climáticos de setembro de 2020, Scarlett Westbrook disse ao The Independent: “As pessoas no sul global alertam-nos sobre isto há séculos. Estas pessoas têm tomado todas as medidas que podem, mas nós [no norte global] temos seguido em frente com o nosso complexo de superioridade, recusando ouvir as suas palavras.”

Caitlyn Baikie, ativista climática e defensora dos direitos indígenas
Nativa de Nunatsiavut, no norte do Canadá, Caitlyn Baike defende o reconhecimento das perspetivas indígenas nos debates sobre as alterações climáticas – e o conhecimento que se pode obter das pessoas cujos modos de vida já estão a ser afetados. No livro We Have a Dream, Caitlyn Baike diz: “Somos os que contribuímos menos para o que está a causar as alterações climáticas, porém, somos os mais afetados.”

IV: Os Inovadores 

O The Earthshot Prize – organizado pela Royal Foundation – um esforço de dez anos que visa inspirar soluções que consigam impulsionar mudanças significativas, vai contribuir anualmente com 1 milhão de libras para financiar cinco inovações que mostrem potencial enquanto soluções expansíveis para cinco questões ambientais de importância vital. Em outubro de 2021, os primeiros vencedores do The Earthshot Prize foram anunciados em Londres, colocando as seguintes iniciativas na linha da frente na luta contra o desperdício, a poluição do ar, na restauração dos oceanos, no combate às alterações climáticas e restauração da natureza.

Coral Vita, bioengenharia marinha
A devastação dos recifes de coral pelo mundo inteiro devido ao aumento da temperatura do oceano e acidificação das águas desencadeou uma crise de biodiversidade em áreas que costumavam ser focos de vida. A empresa Coral Vita – fundada nas Bahamas pelos empreendedores Gator Halpern e Sam Teicher – faz bioengenharia de corais em tanques terrestres através de um processo de “evolução assistida” que cultiva estirpes de rápido crescimento resistentes a estes fatores. Estes corais são depois transplantados para os recifes mais atingidos para se estabelecerem e, com sorte, prosperar.

Takashar, tecnologia agrícola
A Takashar é uma empresa social sediada na Índia que foi projetada para lidar com o problema da poluição do ar e da libertação de carbono provocada pela queima de resíduos agrícolas: globalmente são gerados mais de 100 mil milhões de euros em resíduos. A Takashar usa um dispositivo para converter resíduos que, de outra forma, seriam queimados em subprodutos como fertilizantes ou biocombustíveis. Para além disso, esta empresa – cofundada por Vidyut Mohan e Kevin Kung – acredita que 98% da redução de fumo permitida pelo seu dispositivo vai melhorar a esperança média de vida e a qualidade do ar nas áreas afetadas localmente, e reduzir anualmente até mil milhões de toneladas de dióxido de carbono se for adotada globalmente.

Cidade de Milão, gestão de desperdício alimentar
A alimentação é um dos setores com maiores disparidades entre ricos e pobres – um terço dos alimentos é desperdiçado pelo mundo inteiro, mas estima-se que mais de 2 mil milhões de pessoas vivam com algum tipo de insegurança alimentar. Para além das pressões sobre a agricultura, a indústria alimentar produz um terço das emissões de gases de efeito estufa. As alterações nos hábitos de consumo e as práticas aprimoradas de produção são dois aspetos a levar em consideração, mas a cidade de Milão venceu o The Earthshot Prize deste ano pelo seu modelo de distribuição alimentar que já está a chegar às pessoas que mais precisam, reduzindo assim o desperdício e a insegurança alimentar de uma só vez. Este projeto funciona através de uma série de centros alimentares onde a cidade fornece infraestruturas para recuperar o excesso de alimentos, sobretudo em supermercados e refeitórios, que são depois distribuídos por organizações não governamentais a quem mais necessita na cidade. Os três centros alimentares de Milão recuperam agora cerca de 350 kg de alimentos por dia. O modelo usado por esta cidade, se visar os centros urbanos mais populosos para ter mais impacto, “é um projeto que pode ser adotado pelo mundo inteiro”.

Costa Rica, política ambiental
Na década de 1990, o Ministério do Ambiente da Costa Rica, uma república na América Central, elaborou um esquema para restaurar a sua cobertura florestal. As florestas tropicais da Costa Rica foram dizimadas pelo abate de árvores durante as décadas de 1970 e 1980 – um período em que o país registou uma das taxas mais elevadas de extração madeireira da América Latina. Ao abrigo do Programa de Pagamentos por Serviços Ambientais, a extração de madeira foi regulamentada e os cidadãos são pagos para plantar árvores, proteger bacias hidrográficas e restaurar habitats ecológicos. Os resultados são notáveis e este país é agora um marco para a política ambiental e para o turismo de vida selvagem. Ao juntar a capacidade de colher seletivamente madeira nas áreas reflorestadas com o enriquecimento do potencial turístico do seu país, os proprietários de terrenos – incluindo os grupos indígenas – têm um incentivo óbvio para proteger as suas terras. Agora, espera-se que este modelo seja adotado pelo mundo inteiro.

Enapter, combustível gerado por energias renováveis
O hidrogénio “verde” é considerado por muitos um combustível elixir para tudo, desde a indústria automóvel a todos os outros setores – mas conseguir obter este combustível de forma sustentável e eficiente é complicado. O Eletrolisador AEM da Enapter é um pequeno dispositivo que foi projetado para produzir hidrogénio combustível a partir de água – usando fontes de energia renováveis (hidrogénio “verde”) e projetado para ser modular – com cada unidade do tamanho de um micro-ondas a conseguir produzir 500 litros/hora de hidrogénio isoladamente, que pode ser usado em aplicações domésticas ou acumulado para produzir energia à escala de megawatts.

V. Os fundadores

Quer seja para fins de investigação ou por motivos filantrópicos, as fundações podem ser definidas de várias formas, mas fazem essencialmente doações – recursos, tempo e experiência – para as causas mais necessitadas.

Ellen MacArthur, velejadora e ambientalista
A decisão da recordista britânica Ellen MacArthur, que abandonou a vela competitiva em 2009, abriu as portas para uma nova carreira com o estabelecimento da Fundação Ellen MacArthur – um fundo de caridade dedicado à investigação sobre economia circular. O modelo de circularidade, que privilegia a redução de desperdício através do reaproveitamento e reciclagem de itens e materiais, visa lidar com o custo ambiental dos métodos insustentáveis de produção presentes em tudo, desde o mundo da moda até à agricultura, e as ligações comuns que existem entre si. No novo artigo da fundação – Completing the Picture: How the Circular Economy Tackles Climate Change – Ellen MacArthur cita a descoberta de que 45% das emissões têm origem na forma como produzimos alimentos e produtos... e se queremos restaurar o clima, temos de transformar a economia – e não apenas a forma como esta é alimentada.

Leonardo DiCaprio, ator e ambientalista
As estrelas de Hollywood têm uma voz poderosa que alguns atores optaram por usar em benefício do planeta. Leonardo DiCaprio usou a oportunidade que teve no seu discurso de aceitação do Óscar em 2016 para salientar a sua própria opinião sobre a crise climática em frente a dezenas de milhões de telespectadores: “Precisamos de parar de procrastinar e apoiar os líderes em todo o mundo que não falam em nome dos grandes poluidores, [mas] sim para toda a humanidade, para os povos indígenas do mundo, para os milhares de milhões de pessoas desfavorecidas que vão ser mais afetadas por isto... e para todas as pessoas cujas vozes foram abafadas por uma política de ganância.”

Não foi um gesto aleatório: quando fez este discurso, Leonardo DiCaprio já era a figura proeminente da sua fundação homónima, que se dedica a “responder às ameaças mais urgentes da humanidade”. No 20º aniversário da Fundação Leonardo DiCaprio, depois de duas décadas a financiar iniciativas de impacto por todo o planeta, a fundação já tinha doado mais de 100 milhões de dólares para 200 projetos – com o ator a tornar-se Mensageiro da Paz da ONU e a liderar uma série de documentários – incluindo Before the Flood da National Geographic.

Bill Gates, magnata da tecnologia e filantropo
Bill Gates, cofundador da Microsoft, é atualmente a quarta pessoa mais rica do mundo. E também é o autor de um livro sobre alterações climáticas e o financiador de uma série de esforços inovadores que visam encontrar soluções tecnológicas para, entre muitas outras coisas, reduzir as emissões de carbono para zero líquido até 2050. Os interesses e a posição financeira de Bill Gates colocam as atividades filantrópicas da fundação que preside com a sua ex-mulher Melinda numa base mais estável do que a maioria. Para além disso, Bill e Melinda formaram uma coligação com o amigo milionário Warren Buffet para fundar o The Giving Pledge – uma iniciativa que se destina a encorajar os super-ricos a usar a sua fortuna para ajudar a humanidade.

Os alertas sérios feitos por Bill Gates em 2017 sobre a ameaça de um vírus infecioso para a humanidade – e subsequentes doações que a sua fundação teria de fazer para o desenvolvimento de vacinas – fizeram dele um alvo para as teorias da conspiração. Este exemplo demonstra como a filantropia a esta escala, ao contrário de receber o devido reconhecimento por estar um passo à frente, tem os seus próprios custos intrincados.

Kris Tompkins, defensora de terras selvagens e filantropa
Kris Tompkins, conservacionista americana e fundadora da marca de roupa Patagonia, é Defensora das Áreas Protegidas da ONU e diretora da Conservação Tompkins – a fundação que começou com o seu marido Doug Tompkins antes de este falecer num acidente de caiaque em 2015. Doug Tompkins fundou a marca de vestuário The North Face e o trabalho do casal na proteção de terras selvagens, sobretudo na Argentina e no Chile, já engloba cerca de 5.7 milhões de hectares que foram transformados em 13 parques nacionais e selvagens por equipas locais. “O Doug é que teve realmente a ideia de procurar oportunidades onde pudéssemos comprar enormes extensões de terras privadas, agregá-las e devolvê-las ao país na forma de parques nacionais”, disse Kris Tompkins à National Geographic Traveller (do Reino Unido) em 2021. “Creio que não é possível termos uma conservação de longo prazo a não ser que tenhamos, ao mesmo tempo, benefícios de longo prazo – quer sejam económicos, sociais ou culturais – para as comunidades locais.”

Gordon Moore, engenheiro informático e filantropo
Gordon Moore é cofundador da gigante de processadores Intel, sendo assim adequado que este milionário da Califórnia faça doações avultadas da riqueza pessoal da sua família para promover avanços científicos e tecnológicos. A filantropia de Gordon Moore, conduzida através da Fundação Gordon e Betty Moore, tem financiado uma lista diversificada de projetos – desde telescópios a faculdades de enfermagem – mas é no trabalho ambiental que estas doações são mais impactantes. Desde 2001, a Fundação Gordon e Betty já ajudou a conservar 170 milhões de hectares na Amazónia, sustentando a manutenção permanente das terras indígenas. Na declaração da fundação, o casal escreveu: “Procuramos mudanças duradouras, não queremos simplesmente retardar as consequências durante um curto período de tempo.” A Fundação Gordon e Betty Moore concede anualmente cerca de 400 milhões de dólares em bolsas.

A National Geographic está empenhada em incentivar ações positivas a nível individual para ajudar a mitigar as alterações climáticas. No período em que decorre a COP26, descubra outros hábitos para viver de uma forma mais leve e sustentável no planeta.


Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.co.uk

Continuar a Ler

Também lhe poderá interessar

Meio Ambiente
National Geographic Summit 2022 - os oradores
Meio Ambiente
National Geographic Summit 2022
Meio Ambiente
Summit 2022 | Programa
Meio Ambiente
O National Geographic Summit está finalmente de volta
Meio Ambiente
National Geographic Summit 2022

Descubra Nat Geo

  • Animais
  • Meio Ambiente
  • História
  • Ciência
  • Viagem e aventuras
  • Fotografia
  • Espaço
  • Vídeos

Sobre nós

Inscrição

  • Revista
  • Registar
  • Disney+

Siga-nos

Copyright © 1996-2015 National Geographic Society. Copyright © 2015-2021 National Geographic Partners, LLC. Todos os direitos reservados