Insetos convertem bagaço de azeitona em fertilizante orgânico

Com foco na economia circular e no setor agroalimentar, este projeto utiliza insetos para transformar bagaço de azeitona em fertilizante orgânico para solos, óleos e proteínas para alimentação animal.

Publicado 5/11/2021, 11:28
Oliveiras

  

Fotografia de Matthieu Paley

A EntoGreen surge com um projeto denominado “Olival Circular” que assenta na economia circular, utilizando insetos para transformar o bagaço de azeitona em fertilizante orgânico. Assim, os insetos são utilizados como ferramenta de bioconversão para transformar este subproduto do olival.

Se por um lado, o projeto valoriza o subproduto do olival e impede que este se torne uma ameaça ambiental, devolvendo aos solos do olival parte do que o olival dá, por outro lado contribui também para a sustentabilidade do setor agroalimentar.

Para além de devolver nutrientes e matéria orgânica ao solo, o substrato de inseto que resulta da conversão do bagaço de azeitona, fomenta a retenção da água, o que contribui para a resistência à seca, promove o crescimento das raízes, a atividade microbiana do solo e a resistência das plantas a pragas e doenças. Além disso, o substrato pode contribuir para reduzir a dependência do uso de produtos químicos e melhorar a gestão da rega.

O olival tem sido, nos últimos anos, alvo de críticas, especialmente no que diz respeito aos impactos ambientais associados, desde a produção de resíduos e subprodutos, como o bagaço de azeitona, à desertificação, empobrecimento dos solos e devido ao uso de recursos hídricos e nutricionais.

Para o desenvolvimento deste projeto, a EntoGreen conta com apoios de fundos da União Europeia, através dos Programas Operacionais COMPETE 2020 e PDR 2020, com recurso a uma tecnologia bioindustrial inovadora, que possibilita reutilizar os desperdícios nutricionais que ocorrem no setor agroalimentar, reintroduzindo-os na cadeia de valor.

A empresa que se dedica à produção de insetos em larga escala, procura olivicultores interessados em fornecer a matéria-prima para se iniciarem os trabalhos de bioconversão, quer na fábrica de Santarém, quer numa nova unidade que será projetada e localizada de acordo com as parcerias que resultem com os olivicultores. Procura, portanto, parceiros interessados em encontrar um destino adequado ao bagaço da azeitona e receber de volta um fertilizante orgânico, que vai permitir melhorar substancialmente a produção dos seus olivais.

Segundo a startup, o investimento na nova fábrica vai permitir converter 36.000 toneladas de subprodutos vegetais, dos quais aproximadamente 24.000 toneladas podem ser de bagaço de azeitona. Isto resume-se a cerca de 2.500 toneladas de proteína, 500 toneladas de óleo de inseto para a alimentação de animais e, 7.000 toneladas de fertilizante orgânico para os solos. Além disto, o investimento tem em vista a criação de 60 novos postos de trabalho.

A EntoGreen, no mercado desde 2014, é já especialista na produção e uso da Mosca Soldado Negro, tendo desenvolvido uma tecnologia de biodigestão altamente eficiente e produtiva. Neste processo, passámos com sucesso pelas fases laboratorial e pré-industrial que nos permitiram chegar ao ponto em que podemos aplicar a nossa tecnologia ao nível industrial, reutilizando e valorizando centenas de toneladas de subprodutos orgânicos por mês, produzindo largas centenas de toneladas de fertilizante orgânico, proteína e óleo.

A startup portuguesa, EntoGreen, uma marca da Ingredient Odyssey SA, que tem a investigação e o desenvolvimento no seu ADN, prevê um investimento numa nova fábrica na ordem dos 11 milhões de euros. Esta nova aposta nos insetos que vão transformar o bagaço de azeitona surge após vários anos de investigação, convertendo totalmente um dos principais subprodutos da indústria do olival, o bagaço de azeitona, em novas fontes nutricionais.

Os rostos por trás da EntoGreen são de Daniel Murta, fundador e CEO que lidera a secção de investigação e desenvolvimento, Rui Nunes, fundador e COO que gere os processos de produção e logística, Diogo Palha, CFO responsável da área financeira, Gonçalo da Cunha Ferreira, TTO que se dedica à estruturação e implementação do modelo de expansão da EntoGreen, Maria Ana Machado, R&D Project Manager que conduz experimentos e contribui na comunicação do projeto e, Luís Calixto, Diretor de Qualidade.

De acordo com Daniel Murta, CEO da Ingredient Odyssey SA, “pegamos num subproduto que muitas vezes é um risco ambiental, transformando-o num fertilizante orgânico que pode voltar novamente para os campos dos olivais, contribuindo para a biodiversidade dos solos, para a manutenção de água e para a fertilidade”, que é precisamente o que acontece com o bagaço de azeitona.

O projeto esteve presente na AgroGlobal, que decorreu em setembro, onde a EntoGreen se apresentou ao mercado, revelando como pode contribuir para a sustentabilidade do setor agroalimentar. Este foi o primeiro evento onde foram apresentados os substratos orgânicos de inseto, em que foram instalados campos de olival, vinha, amendoal e batata-doce com substrato orgânico de inseto, para demonstrar o processo passo a passo, com a presença de moscas, larvas em várias fases e produtos finais.

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