Investigadores desenvolvem pinheiros mais resistentes à seca

O Campus de Tecnologia e Inovação (BLC3) desenvolveu pinheiros mais resistentes à seca e com melhor qualidade genética.

    

Fotografia por Jim Richardson
Por Catarina Fernandes
Publicado 18/04/2022, 16:52

Problemas de ordem global, como as alterações climáticas e a poupança de recursos naturais, levaram um grupo de investigadores, do Campus de Tecnologia e Inovação (BLC3), a desenvolver um melhoramento genético em pinheiros, com o objetivo de garantir a preservação da biodiversidade das florestas.

Descubra o que são pinheiros mais resistentes à seca e quais os seus benefícios, tanto para o homem como para a área da genética e da inovação.

Pinheiros melhorados geneticamente

Num estudo conduzido pelo BLC3, os pinheiros que foram estudados e modificados geneticamente foram o pinheiro-bravo (Pinus pinaster Aiton) e o pinheiro manso (Pinus pinea L.). A cultura destes pinheiros é muito comum e abundante, por todo o território português.

Atualmente, o pinheiro-bravo (Pinus pinaster Aiton) apresenta 22% da floresta em Portugal, estando presente no continente bem como nos arquipélagos dos Açores e da Madeira. É uma espécie que cresce rápido, adapta-se a solos em condições inferiores (degradados) e produz muitas sementes de interesse agrícola.

Por outro lado, o pinheiro manso (Pinus pinea L.) também é uma espécie em expansão devido ao elevado valor do seu fruto, que é o pinhão – uma semente que apenas pode ser colhida de quatro em quatro anos. A presença desta árvore é mais predominante a sul do país.

Pela sua elevada importância, no ecossistema florestal, estas duas espécies são assim alvo de comuns intervenções científicas com o objetivo do seu melhoramento genético.

O que são pinheiros mais resistentes à seca?

Os pinheiros mais resistentes à seca são obtidos através de técnicas de melhoramento genético, ou seja, através de cruzamento seletivo, hibridização ou outras ferramentas biotecnológicas.

O melhoramento genético visa obter genótipos superiores, mas a expressão desses genótipos, que são os fenótipos, dependem, entre outros fatores, do ambiente em que este genótipo está inserido.

Assim, em primeiro lugar, os cientistas têm de controlar as espécies de pinheiro selecionadas e, em seguida, selecionar aquelas cujas características são as mais desejáveis para o efeito pretendido (pinheiro manso e pinheiro-bravo).

Como resultado do melhoramento genético podem surgir espécies como os pinheiros mais resistentes à seca, ou seja, árvores mais sustentáveis, resilientes e com melhor qualidade genética.

Este processo tem como objetivo gerar novas variáveis na cultura com benefícios a nível ambiental e também económico.

Os principais benefícios

Um dos principais benefícios associados aos pinheiros mais resistentes à seca é a sua capacidade de desenvolvimento e crescimento, com menos de metade da água fornecida. Estas espécies melhoradas poupam, entre 50 e 60% dos recursos naturais, comparativamente com uma espécie de pinheiro normal.

A partir de abordagens de melhoramento, ao nível da genética e da biologia molecular, estes pinheiros mais resistentes à seca também são espécies mais resilientes e com melhor qualidade genética.

Ou seja, são pinheiros capazes de dar continuidade à sua linhagem em ambientes de stress hídrico, em solos pobres e/ou degradados ou face a ameaças graves no povoamento do pinho, como é o caso do nemátodo (verme microscópico que causa a doença da murchidão do pinheiro, o principal responsável pela destruição de florestas de coníferas).

Ao combaterem o nemátodo da madeira do pinheiro (NMP), praga responsável pela destruição dos pinheiros e pela diminuição da produção de resina, os pinheiros mais resistentes à seca estão assim a estimular a produção de bens naturais como a resina natural, tão importante para a economia nacional.

Pinheiros mais resistentes à seca: o estudo do BLC3

O melhoramento genético dos pinheiros mais resistentes à seca foi conduzido por três cientistas do Campos de Tecnologia e Inovação (BLC3), em Oliveira do Hospital, ao longo de dois anos.

As árvores foram plantadas em fileira, com o devido espaçamento entre si, num terreno localizado no distrito de Coimbra, na província da Beira Alta. Estas foram expostas a situações de stress induzido e controlado, com o intuito de fazer prevalecer apenas as plantas mais resilientes.

Dos exemplares plantados, 162 pinheiros sobreviveram às condições impostas, provando serem as espécies mais preparadas e resilientes a alterações climáticas e aos riscos fitossanitários.

O objetivo deste estudo consiste em evitar a perda significativa de plantas que são fundamentais para o equilíbrio do planeta terra, ao mesmo tempo que produzem bens naturais tão importantes para a economia do país, como é o caso da: resina natural e dos pinhões.

Os pinheiros mais resistentes à seca, resultantes deste estudo, são assim as plantas mães que irão geram outras plantas com as mesmas características. No futuro, estas condições genéticas irão prevalecer e permitir que estas plantas sejam transplantadas para ecossistemas agrícolas ou florestais.

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