Estudo prova que plásticos PET podem ser reciclados infinitamente

A reciclagem infinita e sustentável dos plásticos PET é um dos grandes desafios da economia circular e uma equipa de investigadores da Universidade de Aveiro comprovou ter encontrado a solução para esse desafio.

Por Catarina Fernandes
Publicado 29/06/2022, 17:03
Plástico PET

Garrafa de plástico, antes do processo de reciclagem.

Fotografia por Simão Pandeirada

De todas as garrafas de plástico PET que utilizamos na Europa, reciclamos 50% dessas. Seria de esperar, por isso, que das novas garrafas que entram no mercado, cerca de 50% do seu plástico seria oriundo de plásticos PET reciclados. Todavia, tal não acontece. Das novas garrafas que entram no mercado, apenas 17% dos seus constituintes são plásticos PET reciclados. Ou seja, existe aqui uma grande diferença entre aquilo que reciclamos e aquilo que estamos efetivamente a utilizar como produto dessa reciclagem.

Existem muitas razões para que tal aconteça. Uma dessas razões relaciona-se com o próprio processo de reciclagem dos plásticos PET que é pouco eficiente, produzindo um novo plástico que vai perdendo qualidade ao longo dos seus ciclos de reciclagem. Neste artigo, vamo-nos focar neste desafio, uma vez que uma equipa de investigadores da Universidade de Aveiro anunciou uma nova solução capaz de tornar a reciclagem dos plásticos PET mais eficiente e mais sustentável.

O que são os plásticos PET?

Os plásticos PET são o tipo de plástico utilizado predominantemente nas garrafas de plástico e em muitas embalagens de alimentos. PET é o acrónimo de politereftalato de etileno, um nome complexo baseado nos dois compostos que dão origem ao plástico PET: o ácido tereftálico e o etileno glicol. Importa aqui ainda mencionar que a matéria-prima que está na base destes dois compostos é o petróleo, o que faz com que os plásticos PET não sejam sustentáveis.

Apesar disso, há uma forma de reduzir o seu impacto no ambiente: a reciclagem. E isso leva-nos ao ponto seguinte.

Como é feita a reciclagem “convencional” dos plásticos PET?

Os plásticos PET são atualmente reciclados através de um processo mecânico. De forma muito simples, este processo passa pelo aquecimento da garrafa até que esta se funda, e depois o PET é novamente extrudido, obtendo-se o PET reciclado. Contudo, a maioria dos plásticos é uma mistura de muitos materiais diferentes e este processo reciclado não garante a pureza necessária para que possa reciclar totalmente todo o plástico possível. 

O processo mecânico descarta resíduos de PET contaminados com outros materiais que não podem ser reciclados por esta via. Resultado? Deixará de poder ser reciclado. E daí surgem duas consequências negativas: 
- Os resíduos da reciclagem mecânica são direcionados para um aterro;
- Uma vez que há menos PET a ser reciclado, há que utilizar mais matérias-primas para produzir novos plásticos;

Esquerda: Superior:

Trabalho de laboratório da equipa.

Direita: Inferior:

Polímero após a reciclagem.

fotografias de Sofia Simões

Qual é a grande inovação do estudo da Universidade de Aveiro?

A equipa de investigadores da Universidade de Aveiro desenvolveu um processo de reciclagem química dos plásticos PET. É este processo inovador e mais sustentável que dá origem à sua grande vantagem: a reciclagem infinita dos plásticos PET. 

Como vimos, a reciclagem mecânica convencional não pode ser feita infinitamente sem que o PET perca qualidade. Com esta reciclagem química, sim. Graças a ela, entramos verdadeiramente na era da economia circular, naquilo a que se referem os plásticos PET. 

Como funciona a reciclagem química dos plásticos PET?

Esta reciclagem utiliza solventes eutécticos que são compostos químicos inovadores que têm um ponto de fusão mais baixo do que os componentes. Graças a estes solventes ocorre a reciclagem dos plásticos PET sem que estes percam as suas características. Assim, asseguram que possam ser reciclados infinitamente.

Além disso, importa mencionar que estes solventes são biodegradáveis, apresentam um grau de toxicidade muito baixo e a sua preparação é simples. Daí que este processo de reciclagem química seja adjetivado como química verde.

Por fim, como indicaram os investigadores no próprio site da Universidade de Aveiro, este processo de reciclagem tem um potencial que pode ir além dos plásticos PET, podendo vir a ser utilizado em outros tipos de plásticos. 

O que é o plástico?
Em tempos um produto completamente natural, grande parte do plástico usado hoje em dia é produzido de forma sintética e depende, em larga escala, dos recursos fósseis. Desde os polímeros às bolinhas de plástico, descubra como é fabricado este material e o que podemos fazer para atenuar os seus impactos no planeta e nas nossas vidas.

Qual a relevância deste estudo para o futuro?

Assim que consigamos aplicar este método de reciclagem infinita dos plásticos PET, conseguimos ter dois impactos muito positivos no futuro e sustentabilidade do planeta:
- Redução da produção de resíduos a partir de plásticos PET;
- Redução da utilização de matérias-primas para a produção de novos plásticos;

Outra porta que este estudo abre para o futuro, é a possibilidade de aplicar este método a outros tipos de plásticos, aumentando ainda mais os impactos positivos mencionados acima. 

Por fim, este estudo mostra mais uma vez a importância da investigação e da ciência rumo a um futuro mais sustentável. São precisas novas soluções para garantirmos um futuro mais verde e vivermos numa economia verdadeiramente circular. 

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