Salvar Veneza das inundações pode destruir o ecossistema que a sustenta

Um sistema de comportas móveis, chamado Moisés, protege Veneza das colossais marés altas que estão piorar devido às alterações climáticas. Mas este sistema também está a destruir os pântanos que mantêm a lagoa viva.

O portão principal do Palácio Ducal, em Veneza, a 13 de novembro de 2019. Na noite anterior, a segunda maré mais elevada alguma vez registada deixou partes da cidade submersas em um metro e oitenta de água.

Fotografia por Marco Zorzanello
Por Frank Viviano
Publicado 28/09/2022, 11:22

VENEZA, ITÁLIA – A inundação cataclísmica de 12 de novembro de 2019 atingiu a  Praça de São Marcos em Veneza, Itália, por volta das 6 da manhã. Duas horas depois, as águas começaram a estagnar a cerca de um metro acima do nível do mar, poupando 90% da cidade. Os venezianos suspiraram de alívio. Era apenas mais uma acqua alta, ou maré alta, ligeiramente desagradável na lagoa.

Esta tranquilidade durou até as 16h00. Pouco antes de anoitecer, as sirenes começaram a soar e, numa hora, as praças antigas e as passagens estreitas ao longo dos mais de 40 quilómetros de canais da cidade desapareceram sob torrentes ferozes de água do mar. “Isto não era uma simples maré”, diz Marco Malafonte, que é coproprietário de uma empresa de gestão de propriedades com a sua esposa, Caroline Gucchierato. “Era uma onda colossal, algo que nunca tínhamos visto antes. Era um tsunami.”

O casal separou-se e partiu em direções diferentes, juntando-se a equipas de resgate improvisadas. No bairro de São Marcos, o bairro mais baixo de Veneza, Caroline Gucchierato socorreu uma turista idosa francesa que estava de pé com água até ao pescoço, presa contra um muro de pedra. A senhora tinha empoleirado o neto recém-nascido numa laje, segurando-o enquanto aguardava por ajuda. Os vaporettos, os icónicos autocarros aquáticos venezianos de 24 metros de comprimento, “foram atirados contra os passadiços e pontes como se fossem brinquedos”, diz Marco Malafonte.

A Praça de São Marcos é uma das áreas mais baixas de Veneza, tornando-a particularmente vulnerável às marés altas.

Fotografia por Marco Zorzanello

Às 20h00, as águas pararam a pouco mais de um metro e oitenta de altura, com 85% da cidade submersa. Foi a segunda maior maré de inundação alguma vez registada em Veneza, quase 20 centímetros acima da altura média dos seus habitantes.

Antes de a crise climática mundial se começar a formar na década de 1970, esta terrível noite de novembro podia ter sido considerada um desastre bizarro. Mas em 2022, Veneza – La Serenissima – é um exemplo das alterações climáticas. A ocasional acqua alta destruidora, que ocorria apenas algumas vezes por século antes do ano 2000, tornou-se no novo normal à medida que o nível do mar sobe pelo mundo inteiro. Entre as 25 piores acque alte registadas em Veneza nos últimos 100 anos, cada uma a atingir um metro e trinta, mais de metade aconteceu desde dezembro de 2009.

Este fator levou as autoridades venezianas a gastar milhares de milhões de euros numa série de comportas móveis para bloquear as águas altas da cidade. Com o nome de Mose em italiano, Moisés em português, este sistema está em utilização e parece estar a funcionar. De facto, o sistema Moisés separa temporariamente La Serenissima do mar, separando toda a lagoa de Veneza das marés ameaçadoras do turbulento Mar Adriático. Este feito audacioso de engenharia é um último esforço para evitar o desastre final para uma das cidades mais bonitas e frágeis do mundo. Mas também representa riscos ambientais fatais para os pântanos salgados igualmente frágeis e que estão a desaparecer da lagoa, cuja estrutura protetora e biodiversidade dão vida a Veneza há 1.800 anos.

Funcionamento do sistema Moisés

O sistema Moisés começou a tomar forma em 1987. Trata-se de um sistema de comportas móveis de maré formalmente conhecido por Modelo Eletromecânico Experimental, mas a sua sigla invoca o profeta bíblico que abriu o Mar Vermelho, permitindo aos israelitas escapar do cativeiro no Egito.

Este projeto envolveu algumas das maiores empresas de construção europeias, sob a direção de um consórcio patrocinado pelo governo italiano chamado Venezia Nuova (Nova Veneza). Até ao momento, os seus custos já subiram para os mais de 6 mil milhões de euros – partindo de uma projeção orçamental inicial a rondar os 4.5 mil milhões de euros. Estes custos são altamente controversos em Itália, assim como uma longa série de paralisações nos trabalhos devido a dívidas por pagar e escândalos políticos.

Em 2014, Giorgio Orsoni, na altura presidente da câmara de Veneza, foi detido sob a acusação de aceitar mais de meio milhão de euros em contribuições ilegais na chamada campanha Venezia Nuova em troca de alegadas influências sobre as alocações de contratos. Embora os veredictos judiciais tenham sido inconclusivos, Giorgio Orsoni e 24 membros do conselho da cidade renunciaram posteriormente aos seus cargos.

Esta embarcação, conhecida por Jack-up, foi criada para instalar e manter as comportas do sistema Moisés.

Fotografia por Marco Zorzanello

O Ministério Italiano das Infraestruturas e Transportes, juntamente com o referido consórcio, começou a fabricar os componentes deste sistema em 2003. A instalação no local foi inaugurada em 2008. O objetivo a longo prazo é proteger Veneza até pelo menos ao final deste século, quando os níveis do mar já podem ter subido mais 60 centímetros. Embora o sistema Moisés só fique completamente operacional em dezembro de 2023, no final de 2020 as suas comportas parcialmente concluídas já estavam prontas para os testes reais.

O coração funcional do projeto é uma bateria de quatro comportas gigantescas que se estendem ao longo de três enseadas, desde a lagoa até ao Mar Adriático. As duas maiores comportas, compostas respetivamente por 21 e 20 portões de aço, estão separadas por um centro de controlo numa ilha artificial e estendem-se por 800 metros ao longo da enseada de Lido, a leste das principais ilhas urbanas de Veneza. Cada comporta está equipada com uma tranca que permite que pequenas embarcações saiam ou entrem na lagoa quando a comporta é levantada.

Um terceiro conjunto de 19 portões com 14 metros de profundidade foi instalado 12 quilómetros a sul, na enseada de Malamocco, onde uma tranca adjacente muito maior fornece acesso à lagoa durante as marés altas para os cargueiros e navios industriais. Um quarto conjunto, com 18 portões, fica perto do porto de Chioggia, no limite sul da lagoa, com uma tranca dupla para os barcos de pesca, as embarcações de recreio e de emergência.

Esquerda: Superior:

Este é um dos edifícios que sustentam o sistema Moisés de comportas de inundação que protegem a cidade. As comportas móveis, instaladas em três enseadas na costa da cidade, erguem-se para proteger Veneza das marés cada vez mais altas do Mar Adriático.

Direita: Inferior:

Um investigador do Centro Nacional de Pesquisa (CNR) calibra uma máquina de testes para monitorizar a qualidade da água do mar. À medida que as marés sobem e inundam Veneza com mais frequência, esta organização pública está a usar a cidade como modelo para as inundações costeiras do Mediterrâneo.

fotografias de Marco Zorzanello

A torre de pesquisa Acqua Alta foi instalada em janeiro de 1970 no Golfo de Veneza pelo CNR, para realizar experiências e investigação científica. As autoridades venezianas obtêm as previsões das marés a partir desta estação, para poderem decidir quando devem ser levantadas as comportas do sistema Moisés.

Fotografia por Marco Zorzanello

O aspeto mais experimental do sistema Moisés reside no facto de todas as suas comportas de 10 toneladas estarem discretamente escondidas no fundo do mar, até que surge um alarme de maré alta. Sempre que o nível do mar sobe um metro acima do normal, as comportas estão programadas para serem levantadas automaticamente por 156 dobradiças eletrónicas, duas por cada barreira. As dobradiças bombeiam ar comprimido para o interior das comportas e elevam-nas até uma altura máxima de três metros acima da superfície da água em 30 minutos. Quando o perigo passa, o sistema é reabastecido eletronicamente com água e as comportas são novamente colocadas nos seus invólucros subaquáticos.

O sistema Moisés foi ativado pela primeira vez a 3 de outubro de 2020, para enfrentar uma maré superior a um metro e meio. Os resultados foram dramáticos e, em grande parte, acalmaram as críticas mais comuns dirigidas ao projeto – críticas de que não funcionaria. De facto, pela primeira vez na sua longa luta contra as marés altas, Veneza permaneceu surpreendentemente seca. Nos 20 meses seguintes, as comportas foram levantadas mais 33 vezes, em testes que variaram de 30 a 92 minutos, com os mesmos resultados. “As comportas estão prontas. Protegem absolutamente Veneza”, declarou a alta comissária do sistema Moisés, Elisabetta Spitz, em entrevista à National Geographic a 16 de maio de 2022.

O custo de manter Veneza seca

O vaporetto que transporta os passageiros da Praça de São Marcos navega para  leste ao longo das duas maiores comportas do sistema Moisés e do centro de comando de alta segurança na ilha artificial que fica entre as barreiras. As comportas estão escondidas debaixo de água. Mas a sua infraestrutura operacional está sediada em terra, com aglomerados de compressores gigantes, armazéns e edifícios de escritórios a preencher o horizonte.

As comportas do sistema Moisés foram testadas no portão de entrada da enseada Lido em 2019. Em condições normais de maré, as comportas estão cheias de água e ficam nas suas estruturas. Quando há previsões de maré alta, introduz-se ar comprimido nas comportas para as esvaziar e estas sobem, impedindo a entrada da maré na lagoa.

 

Fotografia por Marco Zorzanello

Este sapal natural em torno da lagoa de Veneza tem margens irregulares e canais serpenteantes, que são essenciais para absorver as marés altas.

Uma equipa de quatro cientistas de investigação marinha da Universidade de Pádua encontra-se comigo no cais de Punta Sabbioni, perto da ponta da península que tem 20 quilómetros de extensão – e quase um metro de altura – e separa o extremo norte da lagoa do Mar Adriático. A oeste ficam os campos verdes escuros de Sant' Erasmo, uma ilha fértil que fornece a Veneza as suas melhores alcachofras, curgetes e tomates. Embarcamos numa pequena lancha alugada, pilotada pelo engenheiro hidráulico Alvise Finotello, que nos transporta até às salinas de San Felice. Calçamos botas de lama e desembarcamos.

Numa manhã ensolarada em maio, durante a maré baixa, San Felice é um campo arejado de salicórnia, espartina, lavanda-do-mar e outras plantas de estuário. As águas lagunares recuaram para uma teia de canais estreitos repletos de pequenos peixes, caranguejos e ervas marinhas. Ao início da noite, todo o pântano fica completamente submerso pela maré, e a sua fauna e flora capturam os nutrientes necessários para sobreviver – assim como a lagoa.

Este é o universo ameaçado pelo sistema Moisés, um sistema de vegetação “halófita”, plantas tolerantes ao sal que passam parte do dia ao ar e parte debaixo de água, onde são nutridas por nuvens de sedimentos das marés que entram e saem, e que as comportas bloqueiam. Os sedimentos permitem às plantas crescer e, neste processo, reforçam os bancos de areia e a estrutura da lagoa – reforçando a sua própria existência. As salinas são “pontos de acesso para a biodiversidade”, diz Andrea D'Alpaos; sem elas e os ecossistemas que alimentam, a lagoa morre. E também representam um dos papéis mais críticos da natureza na luta contra as alterações climáticas.

“São extraordinariamente eficientes a captar dióxido de carbono e a armazená-lo no solo em forma de carbono orgânico”, diz o geólogo Massimiliano Ghinassi. “Um quilómetro quadrado dos pântanos venezianos remove anualmente 370 toneladas de dióxido de carbono da atmosfera terrestre, a uma taxa 50 vezes superior à das florestas tropicais”, como as da Amazónia.

Alvise Finotello, juntamente com o bolseiro em engenharia hidráulica Davide Tognin e a líder da equipa Andrea D'Alpaos, engenheira ambiental e uma autoridade na lagoa, fornecem-me as informações básicas, enquanto Massimiliano Ghinassi insere uma ferramenta cilíndrica com um cabo em forma de T no solo esponjoso. Esta mistura interdisciplinar de especialistas é deliberada, explica Andrea D'Alpaos. “Eliminar as barreiras entre a ciência e a engenharia traz diversas perspetivas ao nosso trabalho – e melhores resultados.”

Esquerda: Superior:

Esta erva invasora, chamada espartina, foi encontrada pela primeira vez na lagoa de Veneza no início dos anos 2000. Os cientistas ainda estão a tentar determinar se estas ervas são benéficas para o ecossistema.

Direita: Inferior:

Os cavalos-marinhos como esta espécie de museu foram reintroduzidos nas ervas da lagoa depois de terem sido dizimados pela criação de uma amêijoa invasora.

À esquerda, o engenheiro ambiental Alberto Barausse, da Universidade de Pádua, inspeciona a área circundante. O biólogo Davide Tagliapietra, ao centro, e a diretora da estação Laura Airoldi comparam notas sobre uma amostra colhida recentemente da erva espartina invasora.

Massimiliano Ghinassi coloca o peso do seu corpo sobre a ferramenta com um movimento de torção, e depois puxa-a cuidadosamente, carregada com uma amostra de solo do pântano. “Esta é a biografia de San Felice de há cerca de 500 anos”, diz Massimiliano, apontando para a extremidade mais profunda da amostra, que está fortemente marcada com estrias em tons de cinzento, castanho e vermelho. “Este local regista com grande detalhe a evolução do sapal, a flora e a fauna que o sustentou. A parte superior, mais recente, é rica em detritos vegetais cobertos por uma camada de lama depositada pelas marés altas – é uma janela para o processo de extração de carbono.”

Massimiliano Ghinassi, especialista em sedimentologia marinha – a interação do mar com a areia, o lodo e a argila que se encontram em torno e por baixo do mar – consegue discernir muito desta história à primeira vista, mas examina-a mais de perto no seu laboratório universitário com instrumentos avançados de análise de solo. Nas últimas duas décadas, Massimiliano fez trabalho de campo na Noruega, Turquia, Sudão, Etiópia, Eritreia, Grécia, Escócia, Inglaterra, Espanha e Estados Unidos – um currículo que exemplifica o caráter mundial dos problemas agora enfrentados pelo ambiente marinho.

A equipa da Universidade de Pádua avalia intensamente a saúde dos pântanos há mais de três anos. As suas conclusões não são animadoras. Enquanto o mundo está justificadamente preocupado com o destino de La Serenissima e dos seus tesouros, os ambientalistas alertam que este local pode estar perto do limite. Graças principalmente às intervenções humanas descuidadas com os fluxos de sedimentos da lagoa, as salinas vitais desta lagoa veneziana encolheram para uma extensão de apenas 40 quilómetros quadrados, apenas um sexto dos quase 260 quilómetros quadrados que tinha no século XVII.

Degradação de um pântano salgado

Na década de 1920, os reformistas económicos italianos começaram um programa de “modernização” que transformou a costa continental da lagoa de Veneza numa das regiões mais industrializadas de Itália. Foram construídas dezenas de fábricas e refinarias. Canais profundos foram abertos no leito da lagoa para acomodar os cargueiros pesados com destino ao porto de Marghera, a apenas três quilómetros a oeste da ilha principal de La Serenissima e, mais recentemente, para acomodar os enormes navios de cruzeiro de 5.000 passageiros.

Estas instalações industriais extraíram enormes quantidades de água subterrânea dos sedimentos comprimidos sob a lagoa, fazendo com que Veneza descesse mais de 11 centímetros no século XX, ao mesmo tempo em que o nível do Mar Adriático subia 10 centímetros. Embora o governo italiano tenha encerrado a maioria destes poços em 1970, o afundamento de terras é irreversível e está a aumentar lentamente.

Investigadores recolhem amostras de solo de um banco de areia artificial na lagoa de Veneza. O objetivo desta atividade é estudar os insetos e microrganismos presentes nestes solos, para compreender as diferenças entre um banco de areia natural e um artificial.

Este banco de areia artificial está a ser construído com sedimentos dragados do canal navegável mais profundo da lagoa de Veneza.

Falando sem eufemismos, os ambientalistas receiam agora que os esforços do sistema Moisés para evitar que a Veneza urbana desmorone no mar possam completar a destruição do próprio ecossistema que deu origem à cidade e a sustentou durante 15 séculos.

Esta grande ameaça, dizem os investigadores, põe em perigo a interação crucial dos pântanos com as correntes das marés. A equipa da Universidade de Pádua acumulou dados extensos nos primeiros 15 testes das comportas entre o dia 3 de outubro de 2020 e o inverno seguinte, com um foco em San Felice e noutros dois pântanos. A análise da equipa sugere que as comportas podem reduzir em 25% o fornecimento anual de sedimentos às plantas dos sapais, com efeitos potencialmente fatais no futuro da lagoa, uma vez que os sedimentos distribuídos pelo fluxo e refluxo das marés – o “orçamento sedimentar” – fica nos terrenos existentes e nas margens lagunares.

Davide Tognin diz que, para além disso, um estudo relacionado revelou que 70% da sedimentação necessária da lagoa ocorre durante os episódios de ventos fortes – exatamente quando as comportas geralmente são levantadas.

“É óbvio que a defesa da cidade de Veneza e dos centros habitados é uma questão essencial, isso não está em discussão”, diz Andrea D'Alpaos. “Não questionamos essa necessidade.” Em vez disso, os investigadores pedem que as comportas sejam levantadas apenas quando a maré atingir um nível um pouco mais elevado – um metro e trinta, em vez de quanto atinge um metro, algo que, segundo os investigadores, reduziria a perda de sedimentos para 10%, valor que ambientalmente é sustentável.

Esquerda: Superior:

A lagoa perto da ilha de Mazzorbo.

Direita: Inferior:

Estas caixas são usadas para pescar caranguejos na lagoa.

Uma vista aérea da ilha de Burano na lagoa veneziana.

Ainda não foi estabelecida uma decisão final sobre os níveis de ativação, diz a comissária Elisabetta Spitz. O objetivo do atual regime de testes, salienta Elisabetta, é chegar ao “ponto ideal” de subida das comportas. A conclusão, no entanto, é a de que “Veneza é uma cidade muito delicada”, acrescenta Elisabetta Spitz – é um tesouro de monumentos históricos, arte e cultura. “Não podemos arriscar outro evento como o de novembro de 2019.”

“Sim, continuaríamos a ter inundações com uma elevação de um metro e trinta, podendo afetar até metade da cidade”, admite Andrea D’Alpaos. “Mas muito disso poderia ser controlado por medidas complementares, como um sistema permanente de drenagem pluvial na Praça de São Marcos e com a subida das calçadas pedestres nas áreas mais baixas.”

Depois dos milhares de milhões de euros gastos do erário público e décadas de trabalho no sistema Moisés, qualquer compromisso na proteção de Veneza certamente irá gerar uma acqua alta politicamente angustiante. No entanto, comprometer a saúde frágil dos pântanos é um convite para outro tipo de catástrofe. “Se o sistema Moisés for usado com muita frequência e ficar levantado durante muitas horas”, Andrea D’Alpaos prevê categoricamente que “os pântanos irão morrer”.

Ter La Serenissima cercada por uma lagoa estagnada e morta é uma coisa impensável.

A Veneza do século XXI é um cenário idílico com 1.500 anos que está imerso num pesadelo contemporâneo apocalíptico. Mas esta cidade não está sozinha a enfrentar o terrível desafio da subida do nível do mar e das alterações climáticas, de acordo com um relatório publicado recentemente pela Oceanography Society. Contudo, graças à sua fama, acrescentam os autores do relatório, esta cidade é um equivalente marítimo ao “canário na mina de carvão”, cujos esforços determinados para enfrentar a crise existencial “podem ser o exemplo que vai apressar o mundo a agir”.

Nevoeiro desce sobre a lagoa.

Fotografia por Marco Zorzanello

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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