A poluição marinha, explicada

Existem muitos tipos de poluição, do plástico à luminosa, que afeta os ecossistemas marinhos.

Por Jenny Howard
Lixo plástico

Lixo plástico nas águas de uma vila de pescadores no delta do Níger, na Nigéria. A poluição por plástico é apenas um dos tipos de poluição que prejudicam o ambiente marinho.

Fotografia por Ed Kashi, Nat Geo Image Collection

Os oceanos são tão vastos e profundos que, até recentemente, era amplamente assumido que, independentemente da quantidade de lixo e produtos químicos que os humanos vertessem, os efeitos seriam insignificantes.

Atualmente, basta olhar para a enorme zona morta, do tamanho do estado de Nova Jérsia, que se forma todos os verões no golfo do México, ou para o cinturão de lixo plástico de 1600 quilómetros de largura no norte do oceano Pacífico, para ver que esta "política" inicial colocou o ecossistema oceânico, outrora florescente, à beira do colapso.

Os muitos "sabores" da poluição marinha

A água dos oceanos cobre mais de 70% do planeta, mas só nas últimas décadas começámos a entender a forma como os seres humanos afetaram este habitat aquático. A poluição marinha, diferente da poluição geral da água, consiste em produtos criados pelo homem que entram nos oceanos.

Antes de 1972, por todo o mundo se vertia impunemente lixo, lodos de esgotos e resíduos químicos, industriais e radioativos nos oceanos. Milhões de toneladas de metais pesados e contaminantes químicos, juntamente com milhares de recipientes de resíduos radioativos, foram conscientemente vertidos no oceano.

Um Cachalote Foi Encontrado Morto com 6 Quilos de Plástico no Estômago
21 de Novembro,2018 - Um cachalote morto deu à costa do Leste da Indonésia com 6 quilos de plástico no seu estomâgo. Este lixo inclui 115 copos, 25 sacos de plástico, garrafas de plástico, 2 chinelos, e mais de 1.000 pedaços de corda. A causa exata da sua morte é desconhecida, mas investigadores afirmam que é mais uma consequência da poluição causada pelo plástico.

A Convenção de Londres, ratificada em 1975 pelos Estados Unidos, foi o primeiro acordo internacional a definir uma melhor proteção do ambiente marinho. O acordo implementou programas regulatórios e proibiu a eliminação de materiais perigosos no mar. Um acordo atualizado, o Protocolo de Londres, entrou em vigor em 2006, proibindo especificamente todos os resíduos e materiais, exceto uma pequena lista de itens, como sobras de materiais de dragagem.

Muitos destes poluentes afundam-se nas profundezas do oceano ou flutuam para longe da sua fonte, sendo consumidos por pequenos organismos marinhos e introduzidos na cadeia alimentar global. A poluição marinha engloba muitos tipos de poluição que perturbam os ecossistemas marinhos, incluindo a poluição química, luminosa, sonora e por plástico.

Poluição química

A poluição química consiste na introdução de contaminantes nocivos no ambiente. Os poluentes artificiais comuns que atingem o oceano incluem pesticidas, herbicidas, fertilizantes, detergentes, petróleo, produtos químicos industriais e esgotos.

Muitos poluentes oceânicos são libertados para o ambiente a montante das linhas costeiras. Os fertilizantes repletos de nutrientes aplicados em terras agrícolas, por exemplo, acabam muitas vezes em pequenos rios locais, sendo eventualmente depositados em estuários e baías. Estes nutrientes em excesso desencadeiam enormes florações de algas que capturam o oxigénio da água, deixando zonas mortas onde poucos organismos marinhos podem viver. Alguns poluentes químicos penetram fortemente nas cadeias alimentares, como é o caso do DDT, o inseticida que colocou a águia-de-cabeça-branca dos Estados Unidos na lista de espécies ameaçadas de extinção.

Os cientistas estão a começar a entender melhor a forma como alguns poluentes específicos, lixiviados para o oceano a partir de outros materiais, afetam a vida selvagem marinha. Os PFAS, um produto químico incorporado em muitos produtos domésticos, acumula-se no sangue dos humanos e dos mamíferos marinhos. Mesmo os produtos farmacêuticos ingeridos pelos seres humanos, mas não totalmente processados pelos nossos corpos, acabam nas cadeias alimentares aquáticas.

Poluição luminosa

Desde a invenção da lâmpada, a luz espalhou-se por todo o globo, atingindo quase todos os ecossistemas. Muitas vezes pensado como um problema terrestre, os cientistas estão a começar a entender a forma como a luz artificial afeta muitos organismos marinhos durante a noite.

A poluição luminosa penetra na água, criando um mundo muito diferente para os peixes que vivem em recifes rasos próximos de ambientes urbanos. A luz interrompe os sinais normais associados aos ritmos circadianos, que são responsáveis pelos ritmos de migração, reprodução e alimentação das espécies. A luz artificial noturna pode tornar mais fácil para os predadores encontrar as suas presas e pode afetar a reprodução dos peixes em recifes.

Poluição sonora

A poluição nem sempre é visível. Em grandes massas de água, as ondas sonoras podem ser transmitidas durante vários quilómetros sem diminuição do seu volume. O aumento da presença de sons altos ou persistentes de navios, sonares e plataformas de petróleo interrompe os ruídos naturais no ambiente marinho.

Para muitos mamíferos marinhos, como as baleias e os golfinhos, a baixa visibilidade e as grandes distâncias potenciam a importância da comunicação subaquática não visual. As baleias dentadas recorrem à ecolocalização, emitindo sons refletidos pelas superfícies para poderem "ver" no fundo do oceano. Os ruídos não naturais interrompem a comunicação, bem como os padrões de migração, comunicação, caça e reprodução de muitos animais marinhos.

Poluição por plástico

A poluição por plástico infiltra-se no oceano através de descargas intencionais ou não intencionais. A quantidade de plástico no oceano Atlântico triplicou desde a década de 1960. A mancha de lixo que flutua no oceano Pacífico, com quase 620 000 milhas quadradas (o dobro do tamanho do estado do Texas) é uma imagem poderosa que ilustra o nosso problema com o plástico.

Um grande culpado é o plástico descartável, usado apenas uma vez antes de ser deitado no lixo ou diretamente nos oceanos. Estes artigos descartáveis são acidentalmente consumidos por muitos mamíferos marinhos. Os sacos de plástico assemelham-se às medusas, um alimento comum para as tartarugas marinhas, enquanto algumas aves marinhas comem plástico porque liberta um produto químico cujo odor se assemelha ao seu alimento natural. As redes de pesca descartadas andam à deriva no mar durante anos, enredando peixes e mamíferos.

Pedaços de plástico giram pela coluna de água, afundando-se até às profundezas do oceano. Os cientistas encontraram fibras plásticas em corais no oceano Atlântico e, ainda mais preocupante, descobriram que os corais preferiam consumir o plástico em vez dos seus alimentos habituais. Os mamíferos marinhos moribundos que chegam à costa também contêm plástico nos seus estômagos.

Existe uma "solução" para a poluição marinha?

Muitas leis nacionais, bem como acordos internacionais, proíbem agora o despejo de materiais nocivos no oceano, mas a aplicação destes regulamentos continua a ser um desafio.

Ainda persistem muitos poluentes no ambiente, cuja remoção completa será muito difícil. A decomposição de vários poluentes químicos demora muito tempo, ou a sua concentração aumenta à medida que ascendem na cadeia alimentar. Uma vez que o plástico demora centenas de anos a decompor-se, representa uma ameaça ao ambiente marinho que durará séculos.

Os esforços isolados para restaurar os estuários e baías tiveram algum sucesso, mas a poluição fica retida nos sedimentos marinhos e torna a limpeza completa quase impossível.

Olhando para o futuro, o incentivo à reciclagem e à reutilização pode minimizar a poluição por plástico. Diminuir a intensidade das luzes noturnas desnecessárias pode limitar a poluição luminosa. E incentivar o uso responsável de produtos químicos, por meio de ações políticas e no domínio dos consumidores, pode proteger o meio ambiente no futuro.

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Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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