Meio Ambiente

Estaremos a Viver num Buraco Negro?

O nosso universo pode morar dentro de um grande buraco negro.

Por Michael Finkel

19 Fevereiro 2014

 

Vamos voltar atrás no tempo. Antes dos humanos existirem, antes da formação da Terra, antes da existência do sol, antes do aparecimento das galáxias, antes da luz alguma vez brilhar, existiu o Big Bang (ou a Grande Expansão, em Português). Isto aconteceu há 13.8 biliões de anos.

E antes disso? Muitos físicos dizem que não há nada antes disso. O tempo começou a contar no instante em que ocorreu o Big Bang e a ciência nem sequer pondera que tenha existido algo antes. Nunca conseguiremos compreender como era a realidade anterior ao Big Bang, ou de que era feita, ou porque explodiu para assim criar o nosso Universo. Tais noções vão além da compreensão humana.

Mas alguns cientistas não convencionais discordam. Estes físicos teorizam que, a determinada altura antes do Big Bang, toda a massa e energia do universo emergente foi compactada numa mancha incrivelmente densa – e agora finita. Vamos denominá-la “semente do novo Universo” (Ver também: "Origens do Universo.")

Pensa-se que esta semente terá sido inimaginavelmente pequena, possivelmente triliões de vezes menor do que todas as partículas que os humanos já observaram. E ainda é uma partícula que pode desencadear a produção de todas as outras partículas, para não mencionar todas as galáxias, sistemas solares, planetas e pessoas.

Se realmente quisermos chamar a uma partícula a “partícula de Deus”, esta parece ser a partícula ideal.

Mas como é tal semente criada? Uma ideia, falada durante vários anos —principalmente por Nikodem Poplawski da Universidade de New Haven— é que a semente do nosso universo foi formada num forno, semelhante ao ambiente mais extremo de toda a natureza: dentro de um buraco negro. (Veja "Star Eater (Comedor de estrelas)" na edição deste mês da National Geographic.)

 

Multiversos multiplicados

É importante saber, antes de avançarmos, que durante as últimas duas décadas, muitos físicos teóricos passaram a acreditar que o nosso Universo não é o único a existir. Em vez disso, poderemos ser parte de um “multiverso”, uma imensa variedade de universos separados, cada um com a sua própria esfera de brilho no verdadeiro céu noturno.

Como, ou se, um universo está ligado ao outro é uma questão que está a ser bastante debatida, grande parte altamente especulativa e, até agora, completamente impossível de provar. Mas uma ideia interessante é que a semente de um universo é semelhante à semente de uma planta: É um pedaço de material essencial, fortemente comprimido, escondido dentro de uma concha protetora.

Isto descreve com precisão o que é criado dentro de um buraco negro. E os buracos negros são os cadáveres das estrelas gigantes. Os buracos negros são os cadáveres das estrelas gigantes. Quando uma estrela fica sem combustível, o seu núcleo entra em colapso interior. A gravidade puxa tudo de forma feroz. As temperaturas atingem os 100 mil milhões de graus. Os átomos são esmagados. Os eletrões são triturados. Essas peças são ainda mais amassadas.

Neste momento, a estrela já se converteu num buraco negro, o que significa que a sua força gravitacional é tão forte que nem mesmo um feixe de luz consegue escapar. A fronteira entre o interior e o exterior de um buraco negro é o chamado horizonte de eventos. Buracos negros enormes, alguns deles milhões de vezes maiores que o sul, foram descobertos no centro de quase todas as galáxias, incluindo a nossa Via Láctea.

 

Questões sem fundo

Se usarmos as teorias de Einstein para determinar o que acontece no fundo de um buraco negro, avaliaremos um local que é infinitamente denso e infinitamente pequeno: um conceito hipotético chamado de singularidade. Mas infinitos não são tipicamente encontrados na natureza. A desconexão recai sobre as teorias de Einstein, que fornecem cálculos maravilhosos para a maioria do cosmos, mas que tendem a quebrar face às forças enormes, tais como as que encontramos dentro de um buraco negro —ou às apresentadas à nascença do nosso Universo.

Físicos como Dr. Poplawski dizem que a matéria dentro de um buraco negro chega a um ponto em que não pode ser mais esmagada. Esta "semente" pode ser incrivelmente minúscula, com o peso de um bilião de sóis, mas ao contrário da singularidade, esta é bem real.

O processo de compactação para, de acordo com Dr. Poplawski, porque os buracos negros giram. Eles giram muito rapidamente, possivelmente quase à velocidade da luz. E esta rotação dá à semente compactada uma enorme quantidade de torção. Não é apenas pequena e pesada; também é torcida e comprimida, como uma daquelas cobras de mola jockey em lata.

E esta pode reduzir repentinamente, com uma explosão. Essa poderá ser a “Grande Explosão” – ou o que o Dr. Poplawski prefere chamar “o grande golpe."

Noutras palavras, é possível que esse buraco negro seja um veículo – uma porta de saída, diz Dr. Poplawski—entre os dois universos. Isto significa que se você cair dentro de um buraco negro no centro da Via Láctea, é provável que você (ou pelo menos as partículas despedaçadas do seu corpo desfeito) acabem num outro universo. E esse outro universo não é dentro do nosso, acrescenta Dr. Poplawski; o buraco é somente a conexão, como uma raiz partilhada que conecta as duas árvores de álamo.

E o que acontece depois com todos nós, aqui no nosso próprio universo? Poderemos ser o resultado de outro universo antigo. Chamemos-lhe o nosso universo-mãe. A semente deste universo-mãe forjada dentro de um buraco negro poderá ter-se desenvolvido há 13.8 biliões de anos e, embora o nosso universo se tenha expandido rapidamente desde essa altura, poderemos ainda estar escondidos atrás de um horizonte de eventos de um buraco negro.

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