Porque É que a Seleção Nacional Islandesa Tem Tantos Fãs?

Para muitos polacos, este país é a sua segunda casa.quarta-feira, 27 de junho de 2018

Por Alexandra E. Petri
Após vencer o Kosovo por 2-0 em casa, na capital Reiquiavique, a Islândia tornou-se no país mais pequeno a competir no Campeonato do Mundo de 2018 da FIFA.

Entre os fãs dedicados que enchem as praças, parques e bares de Reiquiavique para apoiar a seleção da Islândia durante a sua primeira participação no Campeonato do Mundo de 2018 da FIFA, está um grupo inesperado: polacos para quem a Islândia é a sua segunda casa.

“Creio que, de uma forma geral, um desporto como o futebol é importante para os estrangeiros que habitam em solo islandês, porque permite-nos ajustar e encontrar o nosso espaço no seio da comunidade”, diz Tomasz Kwiatkowski, de 39 anos, que vive na Islândia há 10 anos.

Kwiatkowski é um dos quase 12 000 imigrantes polacos a viver na Islândia. Durante mais de 20 anos, os polacos têm sido a maior comunidade de imigrantes na Islândia, um país com uma população de apenas 350 170 habitantes, sendo, por isso, o país mais pequeno a competir no Campeonato do Mundo de 2018 da FIFA. E, enquanto os polacos vão apoiar a seleção da Polónia, que também participa na competição deste ano, muitos vão acompanhar de perto a seleção islandesa.

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Os polacos imigraram para a Islândia em larga escala, por razões financeiras e à procura de oportunidades de trabalho, sobretudo em 2006, quando a Islândia vivia um período de expansão económica e o trabalho no setor da construção sobejava. Embora alguns polacos planeassem começar a vida na Islândia e juntar algum dinheiro antes de regressar ao seu país de origem, a comunidade continuou a crescer e com ela a paixão pelo futebol nórdico.

Quando uma pessoa vive algures por um determinado período de tempo, começa a identificar-se com o país de acolhimento, diz Kwiatkowski. “E há também valores que os polacos partilham com os islandeses, como a coragem e a persistência”, acrescenta. “A seleção islandesa representa estes valores.”

Piotr Giedyk, estabelecido na Islândia, é o fundador do Piłkarska Islandia, ou Futebol Islandês, um clube de fãs e uma comunidade digital de polacos, com uma paixão pelo futebol islandês. Giedyk fundou o clube em agosto de 2013 e criou páginas de fãs no Facebook e no Twitter para os membros discutirem estratégias, táticas e partilharem a sua paixão pela seleção. Em cinco anos, a página do Facebook do Piłkarska Islandia já conta com mais de 5500 seguidores e mais três quartos juntaram-se à conversa a partir da Polónia, com uma base significativa em Varsóvia.

A seleção islandesa surgiu como um adversário insuspeito durante a fase de qualificação de grupos para o Campeonato Europeu de 2016 da UEFA, ou Euro 2016, alimentando ainda mais o entusiasmo dos polacos, diz Giedyk. De facto, membros do Piłkarska Islandia viajaram até à República Checa para apoiar a seleção islandesa, enquanto esta se empenhava para ganhar um lugar na competição de futebol mais importante da Europa. O país insular continuou a arrasar o continente, quando a sua seleção venceu a Inglaterra por 2-1, avançando para os quartos de final contra a França. Embora o confronto com os franceses tenha acabado com uma derrota por 5-2, a equipa ganhou o respeito e os elogios dos fãs em todo o mundo.

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E também os corações dos polacos, quer na Islândia, quer em casa.

“A seleção islandesa tem uma ambição e garra. São um pequeno país, com um coração enorme”, diz Giedyk. “É um jogo completamente diferente para nós.”

Muitos fãs polacos descrevem a sua admiração pelo sentimento que motiva os jogadores da seleção islandesa: o patriotismo, acima de tudo. Ao contrário da Polónia, Espanha, Itália, França e outros países europeus, a Islândia tem jogadores que são menos conhecidos do público e menos influenciados pela fama e fortuna associadas ao desporto. Cada elemento da equipa é importante, e os fãs respeitam cada jogador de forma igual, afirmam os fãs polacos.

“Eles dão 150% pelo seu país, e cada um deles dá a camisola pelo outro”, diz Kwiatkowski. “Eles não têm uma estrela na equipa, mas podemos ter a certeza de que, durante aqueles 90 minutos em campo, teremos sangue, suor e lágrimas.”

Também ajuda a beleza natural da paisagem islandesa, criando aquilo que Giedyk define como “um conto de fadas futebolístico”.

Grzegorz Rucinski vive há 12 anos em Hafnarfjordur, na Islândia, e assistiu a cerca de 20 jogos no Estádio de Laugardalsvollur, em Reiquiavique. Cada jogo foi extraordinário, diz. As multidões gritavam, tambores ressoavam e a ala de fãs da seleção estava elétrica. Não há um jogo da seleção nacional da Islândia em que os fãs e apoiantes não se divirtam, refere Rucinski.

“A Islândia já é vencedora”, diz Rucinski

Enquanto aguarda pelo início do campeonato, Kwiatkowski relembra o jogo de qualificação entre a Islândia e a Holanda para o Campeonato da Europa de 2014, que teve lugar no Estádio de Laugardalsvollur, em Reiquiavique. Foi a primeira vez que assistiu a um jogo da seleção islandesa e também ele ficou, imediatamente, apaixonado pela atmosfera. Os apoiantes da Holanda vestidos com os trajes tradicionais holandeses. Os fãs islandeses, em particular Tólfan, o clube oficial de apoiantes da seleção, agitavam bandeiras da Islândia e entoavam cânticos nacionais. Após o jogo, os fãs sentaram-se juntos, a beber cerveja e a comer cachorros quentes nórdicos — uma salsicha feita de carne de cordeiro, porco e vaca, coberta com cebola crua e frita, mostarda castanha e molho à base de maionese.

A energia e a camaradagem eram diferentes de tudo o que Kwiatkowski vivera até então, e hoje ele sorri com orgulho pela experiência que está prestes a viver, enquanto fã da seleção islandesa: apoiar a equipa durante a sua jornada na Rússia.

"Entre a Polónia e a Islândia, desta vez, vou divertir-me a assistir aos jogos do campeonato”, diz Kwiatkowski.

A seleção islandesa jogou contra a Holanda durante a fase de qualificação de grupos para o Euro 2016, no Estádio Nacional de Laugardalsvollur, em Reiquiavique. Muitos polacos apaixonaram-se pela seleção islandesa pela determinação, garra e coragem que exibiram em campo.
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