National Geographic Summit

Hyeonseo Lee, A Refugiada Da Coreia Do Norte Que Teve De Mudar 3 Vezes De Vida E 7 Vezes De Nome

Um terrível e pessoal conto de sobrevivência e esperança - uma poderosa lembrança daqueles que enfrentam um perigo constante. Sexta-feira, 23 Março

Por National Geographic

Em 1997, então com 17 anos, movida pela curiosidade, e de modo a realizar o sonho que tinha antes de entrar para a faculdade, Hyeonseo Lee convenceu um guarda da fronteira a guardar o segredo, atravessou o rio Yalu junto à sua cidade de Hyesan, na Coreia de Norte, e entrou no território chinês.

Hyeonseo planeava ficar pouco tempo antes de retornar ao seu país natal. Queria apenas verificar como era a China, já que as imagens da televisão chinesa que via às escondidas em casa revelavam um sítio bastante mais interessante e melhor do que aquilo que lhe tinham ensinado na Escola.

‘O que aprendi sobre a China na televisão não tinha nada a ver com o que contavam. A China parecia melhor, e eu comecei, ingenuamente, a pensar passar a fronteira, sem saber que ia mudar a minha vida’.

Com efeito, devido a complicações com a polícia de segurança norte-coreana, Lee teve que ficar a viver na China como imigrante ilegal.

Após conseguir comprar a identidade de uma rapariga de Heilongjiang, Lee obteve um passaporte e uma carta de condução. A certa altura, depois de ser acusada de ser norte-coreana, foi interrogada pela polícia e testada no seu chinês e no seu conhecimento da China. Lee passou no teste.

Este episódio é um dos vários que compõem a sua história, que Hyeonseo retrata no livro intitulado A Mulher com Sete Nomes. Neste livro, relata a sua vida na Coreia do Norte (que é especialmente interessante tendo em conta que os relatos na primeira pessoa sobre a vida quotidiana no Norte são raros), a sua fuga e a coragem que demonstrou, enquanto adolescente solitária e vulnerável, para levar por diante a sua vida na China enquanto imigrante ilegal, e o percurso até à condição de refugiada na Coreia do Sul.  Sete nomes e três vidas.

Doze anos e duas vidas depois, regressou à fronteira da Coreia do Norte, decidida a empreender a arriscada missão de levar a mãe e o irmão para a Coreia do Sul, numa jornada árdua, difícil e tão perigosa quanto se possa imaginar.

‘Para sermos um dissidente temos que ter consciência do lugar onde estamos e eu já tinha começado a perceber algumas coisas, mas tinha vivido toda a minha vida a pensar que vivia no melhor país do mundo. Pensávamos que éramos os melhores do mundo, os mais felizes dos seres humanos. Eu nem sequer sabia que vivia numa ditadura. Quando se vive como na Coreia do Norte, fechados, não sabemos a situação em que estamos’, contou Lee na entrevista que deu ao PÚBLICO em Lisboa, onde veio divulgar o seu livro.  

‘Toda a vida familiar, desde comer, socializar e dormir, se desenrolava sob as fotografias do Grande Líder Kim Il-sung e do Querido Líder Kim Jong-il. Cuidar das fotografias era o principal dever de cada família. [...] Desde tenra idade que comecei a ajudar a minha mãe a limpá-las. Usávamos um pano especial, fornecido pelo Governo, que não podia ser utilizado para limpar qualquer outra coisa. [...] Mais ou menos uma vez por mês, uma equipa de funcionários que calçava luvas brancas entrava em todas as casas do bloco para inspecionar os retratos. Se no seu relatório constassem que uma família não os tinha limpo como devia ser, a família corria o risco de ser presa’.

‘A imagem que nos davam é que fora da Coreia do Norte todos eram mendigos, nem tinham sapatos’.

‘[...] [O]s norte-coreanos, não sabem o que se passa porque não conhecem o conceito de opressão’.

Hyeonseo confessa no seu livro que ela própria levou algum tempo a perceber o que se passava.

Hyeonseo Lee significa ‘brilho do Sol’ ou ‘boa sorte’ e foi a própria que o escolheu, sendo o mais recente dos sete nomes que teve desde que nasceu.

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