Arte e o Meio Ambiente: As Mensagens “Escondidas”

Por todo o lado, e cada vez mais, vemos expressões como “arte ecológica”, “arte ambientalista” ou “arte sustentável”. terça-feira, 10 de abril de 2018

Por National Geographic
Instalação de Pejac, “Heavy Sea” (2016), onde uma bóia salva-vidas jaz num “mar” de pneus.

Este facto sugere que, agora mais que nunca, a arte está a tornar-se um dos veículos de um manifesto global de sensibilização para questões de sustentabilidade.

Num momento em que a crise ecológica já não pode ser ignorada e agora que urge tratar o mundo que nos rodeia de um modo responsável, a arte passa a assumir um papel ativo na sensibilização social. Vários artistas agudizam a consciência da sociedade através das suas obras, sejam elas música, cinema ou artes plásticas, entre outros.

Veja-se como exemplo os artistas Eduardo Srur, Gabriel Orozco, Chris Jordan, Pejac ou ainda Paulo Grangeon, o duo Amanda Schachter e Alexander Levi, entre muitos, muitos outros que, com recurso a artes plásticas, nos confrontam com problemas atuais e reais da sociedade em que vivemos – realidade que é transversal a todos os países e culturas – e que influenciam diretamente o meio ambiente. As obras destes artistas são belas, coloridas, mas um olhar que seja mais que um coup d'oeil revela uma potente mensagem: temos que cuidar do nosso planeta, já.

Instalação “Pandas on Tour” de Paulo Grangeon (2008) – 1600 pandas de pasta de papel, para simbolizar o número de pandas restante no mundo.

Por cá temos, entre outros, Bordalo II – o neto do pintor Real Bordalo – que através da sua arte urbana tenta chamar a atenção para o problema do consumismo exagerado, produção excessiva e poluição, fazendo uso de desperdícios para estabelecer um paralelismo entre a vítima e o agressor, neste caso a natureza – os animais – e o “lixo”.

Todas as obras de Bordalo II abordam, de forma implícita ou explícita, questões de sustentabilidade e da interação humana com o mundo, seja sob a forma de graffiti ou stencil, de pequenas esculturas, como a série “World Gone Crazy”, ou de esculturas gigantes, como os seus “Big Trash Animals” – feitos do nosso lixo. Tecendo uma crítica feroz, o artista representa animais com “aquilo que os mata”, ou recria situações em que inverte os papéis de vítima e agressor.

A propósito do lançamento da nova série de Darren Aronofski “One Strange Rock” – que explora a beleza e as vulnerabilidades da Terra – a National Geographic convidou o jovem artista português a criar uma instalação que o próprio aceitou sem hesitar. 

Bordalo II criou uma “rocha estranha” que caiu no planeta e que ameaça o seu futuro. A instalação é feita com materiais, encontrados em praias e em locais abandonados da cidade, que eventualmente acabariam a poluir os oceanos. Numa altura em que se fala de mais de 80 mil toneladas de detritos a flutuar no Pacífico, ou de descargas poluentes a contaminar as águas portuguesas, esta é uma questão premente.

Obra de Bordalo II, da série “World Gone Crazy”

Também ele – que até tem um documentário feito sobre a sua arte – se assume como um ativista, no que respeita a questões ambientais (e não só), e sente que tem o dever de ajudar à consciencialização e sensibilização da sociedade em geral, para estes problemas. No entanto, encara esta obrigação como “um prazer”. “Acho que a partir do momento que um trabalho tem visibilidade e chega a bastante público seria um desperdício não fazer a minha parte enquanto ativista”, diz-nos enquanto cria a sua “One Strange Rock”. Perguntámos a Bordalo II quem o inspirava: respondeu, a correr “Sebastião Salgado, Pawel Kuczynski, Farewell, entre muitos outros!”.

Não perca One Strange Rock, de Bordalo II, em exposição no Museu do Mar - Rei D. Carlos, em Cascais, numa iniciativa da Câmara Municipal de Cascais e National Geographic.

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