Espreite o Interior de um Misterioso Buraco Azul na Grande Barreira de Coral

A formação geológica atinge cerca de 30 metros de profundidade e o seu conteúdo é visível apenas através de mergulho.quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

BURACO AZUL DA GRANDE BARREIRA DE CORAL FILMADO PELA PRIMEIRA VEZ
BURACO AZUL DA GRANDE BARREIRA DE CORAL FILMADO PELA PRIMEIRA VEZ
Esta formação geológica atinge os 30 metros e o seu interior apenas pode ser visto mergulhando para além dessa profundidade.

A National Geographic produziu este conteúdo como parte da sua parceria com a Rolex, estabelecida para promover a exploração e conservação. As organizações irão unir forças num esforço para apoiar exploradores veteranos, acolher exploradores emergentes e proteger as maravilhas da Terra.

De todos os nomes atribuídos às formações geológicas, "buracos azuis" talvez tenham sido as mais diretas. No entanto, para os investigadores marinhos, são tudo menos isso. Os sumidouros escondem verdadeiros tesouros de informação.

"Devido à acumulação de sedimentos durante milhares de anos, os buracos azuis podem ser uma espécie de cápsulas do tempo para o oceano", afirmou o biólogo marinho Johnny Gaskell.

Gaskell explorou recentemente um destes buracos azuis numa localização remota na Grande Barreira de Coral. Aqui, filmou um vídeo para captar o que é praticamente impossível de ver de cima.

No seu centro, o buraco azul tem cerca de 30 metros de profundidade. Uma abundância de vida marinha, como tartarugas e peixes tropicais, habita as águas.

"Nas paredes do buraco azul, tudo está imóvel, sem qualquer corrente", afirmou Gaskell. "O que se destaca são as grandes colónias de coral que cresceram em formações de formas interessantes, provavelmente devido à falta de corrente e perturbação da ação das ondas. Estas colónias formam estruturas abstratas que parecem não ter qualquer padrão, crescendo para fora e mudando de direção de forma aleatória."

Segundo Gaskell, estes crescimentos de coral abrangem apenas uma parte do caminho descendente. Quando os mergulhadores desceram ao fundo negro do buraco azul, o mesmo apresentava maioritariamente sedimentos arenosos.

OÁSIS DE VIDA

As paredes altas que revestem os sumidouros costumam preservar o que se encontra em baixo das condições meteorológicas prejudiciais. Os grandes furacões podem ser particularmente perigosos para os corais, que são esmagados pelas ondas.

Quando o ciclone Debbie atingiu a Austrália em março passado é que Gaskell começou à procura de buracos azuis. Estava à procura de coral que se tivesse sido poupado na tempestade.

Pesquisando no Google Mapas, avistou um buraco azul num local remoto, a cerca de 193 quilómetros de distância da ilha mais próxima. Apesar de o buraco azul em casa já ter sido previamente identificado, a sua localização remota dificultou o seu acesso pouco se sabia sobre o mesmo. Gaskell conseguiu finalmente confirmar que se tratava de um buraco azul durante uma expedição de mergulho em setembro, mas só agora está a divulgar as imagens do mesmo mergulho com a National Geographic.

EM QUE CONSISTE UM BURACO AZUL?

A maioria dos buracos azuis formam-se a partir de sumidouros ou cavernas que se desenvolvem lentamente com o passar do tempo, à medida que a rocha começa a erodir e colapsar. Muitos buracos azuis formaram-se durante a última Idade do Gelo, após a subida dos níveis do mar e consequente enchimento dos sumidouros com água. O termo "buraco azul" tem origem simplesmente nas águas escuras, de tom azul escuro que caracterizam as formações. Muitas vezes, essa água cria um contraste notável com o tom turquesa circundante.

Gaskell tenciona continuar à procura e a explorar os buracos azuis em toda a Grande Barreira de Coral.

"Alguns destes locais já foram explorados por cientistas no passado mas, devido à localização remota em alto mar, ainda existem partes da Grande Barreira de Coral que permanecem um mistério", afirmou.

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