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8 Dicas Para Visitar o Kilimanjaro Que o Seu Guia se Esqueceu

Não se deixe desencorajar por não ter muita experiência em escalada ou acampamentos. Um pouco de preparação é tudo o que precisa antes de se fazer ao caminho. Quarta-feira, 7 Março

Por Marie McGrory

Com 5895 metros de altitude, o Monte Kilimanjaro é a montanha mais alta de África, e a quarta mais alta dos Sete Cumes (as montanhas mais altas de cada continente onde a Antártida é incluída e o continente americano dividido em Norte e Sul).

O tempo estimado para alcançar o pico e regressar, para a maioria das pessoas, é de entre cinco a oito dias.

Até aos 25 anos, eu nunca tinha acampado ou feito montanhismo de uma forma remotamente séria. Foi por isso que quando o meu namorado me disse que subir o Monte Kilimanjaro era uma das coisas que tinha mesmo de fazer antes de morrer, eu, sem fazer a menor ideia do que me esperava, rapidamente me prontifiquei a acompanhá-lo. 

Fomos com a  Materuni Tours, a empresa gerida por Ambrose, um extraordinário tanzaniano, que oferece bons preços e um serviço ainda melhor. Optámos pelo trilho de Machame – sete dias de percurso. A equipa da Materuni Tours tratou do essencial, mas aqui ficam algumas dicas que lhes escaparam:

Conversa de Casa de Banho

Traga o seu próprio papel higiénico. Envolva um ou dois rolos em plástico para os manter secos e guarde-os na sua mochila — não servirão de muito no acampamento, arrumados na tenda, durante uma caminhada de nove horas!

O próximo conselho deu-me vontade de rir quando mo deram, mas acabaram por ser os 160 dólares mais bem gastos da viagem: uma tenda-sanitária. Montada a poucos metros das tendas de dormir, esta pequena tenda irá salvá-lo da fila para ir à casa de banho ou de ter de andar dezenas de metros a meio da noite até à latrina mais próxima.

Hidratação Deliciosa

É absolutamente imperativo que se mantenha hidratado. Muito hidratado. Depois do primeiro dia, toda a sua água que vai beber será proveniente dos cursos por que vai passar. Essa água deverá ser purificada com um comprimido de iodo. Não sendo propriamente fã de água a saber a iodo, senti-me muito grata por me ter lembrado de levar uma embalagem de comprimidos de hidratação Nuun. Experimente algumas marcas e sabores antes da viagem, para saber de quais gosta mais (os meus favoritos são os de limonada de frutos vermelhos). Apesar de não poder confirmar que me deram mais energia, o sabor agradável foi um grande incentivo para me manter hidratada.

E Diversão?

Esta é um pouco pessoal, e depende das preferências de cada pessoa. Depois de rever o nosso itinerário meti algumas coisas na mochila que para me entreter ao fim do dia: um pequeno diário, um baralho de cartas, um estojinho de aguarelas e a minha câmara fotográfica com a lente de 50 mm. Mas a verdade é que depois nunca nos sobrou muito tempo livre para usar estas coisas. As caminhadas eram feitas sem pressas, e normalmente só chegávamos ao acampamento às cinco horas da tarde, onde chá quente e um lanche esperavam por nós. Pouco depois, jantávamos, conversávamos um pouco com os nossos guias, e por volta das oito horas, por causa da altitude, na maior parte das noites, já estávamos a dormir. Não usei as aguarelas nem cartas uma única vez.

Mantenha-se Quente

Levámos uma embalagem de aquecedores de mãos que não foi utilizada da forma tradicional. Uma vez que acabei por tirar fotografias essencialmente com o meu telemóvel, o aquecedor de mãos ajudou-nos a poupar alguma bateria. Mantenha o telemóvel no mesmo bolso do casaco que o aquecedor de mãos de modo a manter a bateria aquecida entre fotografias.

Treine os Pulmões

Não é preciso ser capaz de correr uma maratona para subir uma montanha. Apesar de haver um nicho de adeptos de maratonas em montanhas, não era desse tipo de aventura que esta viagem se tratava. Estávamos rodeados de pessoas de todas as idades e com diferentes níveis de condição física. A altitudes elevadas é importante saber manter o ritmo e escutar o que o nosso corpo nos diz. Sem viver numa zona de elevada altitude, uns meses antes da viagem comecei a fazer treinos intervalados de alta intensidade para preparar os meus pulmões para o topo do Kilimanjaro, onde o oxigénio é rarefeito.

Escute

Por muito que se prepare e ouça relatos de quem já se aventurou pelo Kilimanjaro, o mais importante é saber escutar o seu corpo. A aclimatação afeta todas as pessoas de maneiras diferentes, por isso dê ouvidos aos guias, esteja alerta para o que o seu corpo lhe diz, e preste atenção à montanha. Se estiver cansado, pare e descanse um pouco. Se se sentir tonto, beba água. Se uma senhora de 70 anos o ultrapassar, deixe-a ir. Não se trata de uma corrida para ver quem alcança primeiro o cume. Trata-se de uma viagem para desfrutar, por isso não tenha pressa.

No segundo dia perdi o apetite. Sentia-me doente e exausta. Ainda faltavam quatro dias para chegar ao topo da montanha, e eu estava aterrorizada com a ideia de que o meu corpo não se iria adaptar e aguentar até ao fim. Depois de uma noite bem dormida e de muita água, na tarde do terceiro dia já me sentia muito melhor. Foi sempre a subir a partir daí.

Uma Noite no Topo da Montanha

Respire, hidrate-se, e dê, literalmente, um passo de cada vez. Regressámos do cume; chegámos ao acampamento à tarde, comemos, preparámos os sacos-cama e fomos dormir o mais cedo possível. Acordámos às onze da noite. Bebemos chá, acrescentámos algumas camadas aos nossos sacos-cama (dormi com seis camadas por cima e cinco por baixo). Com lanternas na cabeça, começámos uma longa caminhada noturna rumo a um cume que não conseguíamos ver. Uns pequenos pontos de luz à nossa frente pareciam estar a milhas de distância, mas mantivemos a cabeça para baixo, e continuámos dando um passo de cada vez. Olhar para cima demasiado vai magoar-lhe o pescoço e fazer com que a viagem pareça não ter fim. Metemos os pés no cume – o ponto mais alto de África – assim que o sol rompeu e iluminou a imensa paisagem à nossa frente.

Agradeça aos Guias

As regras do parque obrigam a que haja um guia certificado a acompanhar todas subidas. Há ainda regras no que diz respeito ao acampamento e ao equipamento utilizado para cozinhar, o que significa que a maioria dos viajantes não sobe sem um considerável grupo que inclui guias, auxiliares que carregam a bagagem, e um cozinheiro. Um grupo de apoio composto por onze pessoas foi o que nos permitiu alcançar o topo da montanha, e apesar de tê-los por perto ser mais uma necessidade do que uma dica, não se esqueçam de lhes agradecer e dar uma boa gorjeta. Também aceitam, e ficam gratos, se lhes oferecer roupa, garrafas de água, calçado e outros objetos que queira deixar para trás.

Cuide de Si

Aprecie um bom duche, lave o cabelo duas vezes, e durma uma merecida sesta. Alcançou um feito incrível, por isso recompense o seu corpo dorido com um safari ou um fim de semana na praia em Zanzibar.