Aprenda a Fazer Heliesqui Nestas Magníficas Cordilheiras Montanhosas

Este emocionante desporto de inverno não está reservado apenas a especialistas.quinta-feira, 8 de março de 2018

Por Brian Handwerk
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Alguma vez quis estar no topo de um vale glaciar coberto de neve, num qualquer lugar longínquo, ou no corredor de uma grande montanha, sabendo que tem o terreno todo por sua conta? Seria o sonho de qualquer esquiador, mas é também a realidade do heliesqui. A liberdade conferida pelo voo permite a fuga das multidões e a possibilidade de esquiar trilhos intocados desde o último nevão — ou, talvez, desde sempre.

Poderá sentir-se como o protagonista de um filme de esqui, mas não tem de ser um profissional para embarcar numa destas viagens de helicóptero. Há diversos intermediários com créditos firmados, que têm uma vasta oferta de opções para todos os níveis, e não há qualquer razão para temer pela sua segurança. O heliesqui não é tão perigoso como pode parecer, e os fornecedores de equipamento incluem instruções de segurança. Ainda assim, certifique-se que tem os quadríceps em forma, pois numa operação de heliesqui pode chegar a percorrer 6000 metros na vertical por dia.

Contudo, há vários perigos bem reais numa montanha, a maioria dos quais tem que ver com os ciclos climáticos e a própria neve. Os helicópteros não podem voar se o tempo não estiver de feição e os guias não esquiam em rampas em que há possibilidade de haver um deslizamento. Os dias em que não há voos são uma realidade imprevisível. Quando estiver a planear a sua estadia num destes paraísos nevados, não se esqueça de analisar a oferta de seguros de viagem.

Bugaboos, Colúmbia Britânica

Um grupo de esquiadores desce o glaciar Vowel, na zona de esqui das Bugaboos, na Colúmbia Britânica.

O heliesqui levantou voo pela primeira vez nas Bugaboos, na Colúmbia Britânica. Foi aqui que o montanhista e pioneiro do heliesqui Hans Gmoser de o primeiro impulso à modalidade, e a empresa por ele fundada, a Canadian Mountain Holidays (CMH), será ainda hoje, muito provavelmente, o melhor sítio para os principiantes darem os seus primeiros passos no heliesqui.

A CMH ostenta uma dúzia de luxuosas pousadas, com tudo incluído, espalhadas por mais de 12 000 quilómetros quadrados de terreno montanhoso, uma área com um terço do tamanho da Suíça. Seis dessas pousadas oferecem cursos Powder Intro de uma semana, para esquiadores de nível intermédio/avançado que não conheçam a região. Para os especialistas, há uma variedade ilimitada de rampas íngremes, vales glaciares, quedas, árvores, entre outras pérolas, para explorar de dezembro a abril — sendo disponibilizadas orientações mais avançadas, para o ajudar a dominá-las.

Mas as florestas abertas da Colúmbia Britânica oferecem mais para além das melhores pistas de esqui entre as árvores. Também é fornecido um seguro contra as mudanças climáticas, que permite aos esquiadores tentarem a sua sorte mesmo quando a visibilidade acima da linha das árvores é baixa.

Alpes do Sul, Nova Zelândia

O heliesqui na Nova Zelândia é ligeiramente diferente, não apenas porque tem lugar quando os esquiadores do hemisfério norte se preparam para montar as suas bicicletas de montanha, entre junho e setembro. Ao invés das pousadas longínquas com tudo incluído, populares na América do Norte, a Nova Zelândia oferece aventuras facilmente acessíveis a partir de centros populacionais como Queenstown, Methven, Wanaka ou Monte Cook.

Os esquiadores poderão ficar alojados em diversos locais, desde pousadas terra a terra a hotéis de luxo, e escolher a suas aventuras diárias consoante as condições do tempo. Os inúmeros fornecedores de serviços e equipamento de heliesqui da região transportam os clientes do hotel para o heliporto um determinado número de vezes, adaptado à sua perícia técnica, e, geralmente, sem descurar um piquenique inesquecível no cume de uma montanha.

Os Alpes do Sul não atingem as altitudes das maiores cordilheiras do planeta, mas não têm par no que toca a paisagens alpinas. E o sistema um-dia-de-cada-vez torna todo o processo de aprendizagem de heliesqui gradual e muito mais acessível. A não ser, claro, que queira repetir a experiência várias vezes, o que não é tão invulgar quanto isso.

 

Península de Troll na Islândia

Um helicóptero afasta-se após deixar um grupo de heliesquiadores na península Tröllaskagi, na Islândia.

As montanhas da Península de Troll, na Islândia, podem ou não abrigar criaturas da lenda islandesa. Mas são definitivamente um enorme parque de diversões de corredores raramente (e nunca) esquiados, rampas e glaciares a céu aberto. Estes picos podem atingir apenas 1500 metros acima do nível do mar, mas oferecem uma grande quantidade de descidas verticais, uma vez que os esquiadores vão a descer o caminho todo até à costa do Oceano Ártico. Os guias originais deste país, os Arctic Heli-Skiing, podem ensinar várias coisas sobre a região envolvente e dar a conhecer um pouco mais sobre a fascinante cultura do país.

Estas montanhas costeiras são agraciadas com os dias de neve do mês de fevereiro e a vida noturna de inverno, o que significa submergir em fontes termais vulcânicas quentes e contemplar as luzes do Norte, que são, geralmente, mais visíveis de fevereiro a meados de abril.

De abril a junho, a Islândia tem dias extralongos. Aliás, quando se aproxima o final da estação, é possível esquiar até à meia-noite enquanto vemos o brilhante sol ártico a esconder-se no horizonte delineado pelo oceano. O Sol não se põe, apenas faz uma pequena pausa antes nascer um novo dia para esquiar — se as suas pernas aguentarem o desafio.

Valdez e Haines, Alasca

Um esquiador freerider precipita-se montanha abaixo na península Resurrection, no Alasca.

Até mesmo na sua primeira viagem ao Alasca, reconhecerá de imediato a grande e acentuada montanha perto de Haines que o fará suster a respiração. E isto acontecerá porque está a seguir as pistas dos profissionais —  estes picos funcionam como pista de testes onde os melhores se exibem para as câmaras das principais produtoras da área, como a Teton Gravity Research ou a Matchstick Productions. O incrível terreno beneficia de um manto de neve permanente na faixa de Saint Elias, o qual absorve, de forma totalmente não generosa, a humidade do oceano mais próximo. Haines não é um lugar para novatos, mas quando se está pronto para enfrentar as descidas que lá se encontram, os guias de elite da região podem ensinar-lhe como fazê-lo — e como fazê-lo da forma mais segura possível. Assim que se tornar um especialista, poderá, também, tentar tornar-se um guia como eles.

Outro dos centros preferidos para helicópteros, no Alasca, perto de Valdez, apesar da quantidade de high-flying outfitters, nunca tem muitas pessoas. Apenas uma respeitável empresa, a Dean Cummings' H20 Guides, dá apoio a uma parte das Montanhas Chugach, quase com a mesma dimensão que o Connecticut. As pistas do Alasca também são enormes, com uma média de entre 920 a 1500 metros verticais de encostas, rampas, glaciares e árvores — todos cobertos com cerca de 18 metros de neve acumulada ao longo do ano. Quando souber esquiar neste tipo de terreno, as colinas corriqueiras nunca mais o satisfarão.

Como os invernos da região norte são frios e escuros, a prática de heliesqui aumenta normalmente entre março e abril. E, porque se está no Alasca, os dias em que não se pode esquiar são mais frequentes — mas em que outro lugar poderá ocupar esses dias a aprender a conduzir um trenó puxado por cães?

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