Perpetual Planet

Imagens da Misteriosa Vida Marinha Sob a Antártida

No mergulho mais profundo de sempre sob o gelo antártico, são captadas imagens de uma fauna e flora prósperas.Friday, March 9

Por Casey Smith
Fotografias Por Laurent Ballesta
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Numa expedição inédita, o fotógrafo da National Geographic Laurent Ballesta deu um frio e difícil mergulho por baixo do gelo marinho, naquele que foi o mergulho mais profundo de sempre sob a Antártida.

Em outubro de 2015, no início da Primavera no hemisfério sul, Ballesta juntou-se a uma pequena equipa para uma excursão de 36 dias, tendo como ponto de partida a Dumont d’Urville, a estação científica francesa localizada na costa da Terra Adélia, no leste da Antártida. A caminhada iniciou-se assim que começou o degelo, o que permitiu a Ballesta e seus companheiros perfurar uma camada de gelo com três metros de espessura e mergulhar a profundidades que chegaram a atingir os 70 metros.

Ballesta, que trabalhou durante décadas como fotógrafo de mergulho profundo, tinha anteriormente mergulhado a 120 metros ao largo da África do Sul, para fotografar os raros celacantos, bem como na Polinésia Francesa, onde mergulhou durante 24 horas consecutivas, para documentar o acasalamento de 17 000 garoupas.

Contudo, o processo que antecedeu a viagem foi complexo, de tal forma que esta demorou dois anos a preparar.

Uma vez chegados à Antártida, só vestir os fatos de mergulho demorava uma hora. E assim que todo o equipamento estivesse pronto, os mergulhadores tinham de carregar consigo cerca de 90 kg sob o gelo. O peso tornava a natação praticamente impossível, afirma Ballesta, mas sem fatos secos, o mergulhadores morreriam em menos de 10 minutos.

Os mergulhos de cinco horas nas águas com temperaturas inferiores a -1,7 ºC (a água salgada permanece líquida a temperaturas abaixo do ponto de congelação da água doce, a 0 graus) são extremamente dolorosos.

Mas aquilo que Ballesta viu no fundo oceânico, comparou a “um luxuoso jardim.”

“As águas sob o gelo antártico são como o Monte Evereste: mágicas, mas de tal forma hostis que temos de estar muito seguros do nosso intuito antes de partir,” disse ele.

De nove a 15 metros de profundidade, as florestas de algas, estrelas-do-mar gigantes e enormes aranhas-do-mar são visíveis a olho nu, e muito maiores do que aquelas que podemos encontrar em águas mais quentes.

A 70 metros, o limite máximo dos mergulhos, Ballesta afirma que a diversidade é ainda maior. Gorgónias ou leques-do-mar, moluscos, corais moles e pequenos peixes apresentam o “colorido e exuberância” de um recife de coral tropical.

Assim que terminou a expedição, Ballesta refere que demorou sete meses após o seu regresso à Europa para que os seus nervos recuperassem dos danos causado pelas condições inóspitas a que foram sujeitos nas águas gélidas.

Segundo Ballesta, apesar da intensidade da viagem, tudo valeu a pena.

“Não podes partir sem ter uma vontade férrea; não podes fingir a tua paixão. O nível de exigência é demasiado elevado,” acrescenta o fotógrafo. “Mas, em última análise, é isso que torna estas imagens inigualáveis, e torna a experiência de as ter captado e de ter visitado este lugar tão inesquecível.”

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