Planeta ou Plástico?

Foi Encontrado um Saco de Plástico no Fundo da Fossa Oceânica Mais Profunda do Mundo

Nem mesmo um dos lugares mais remotos do planeta Terra, como é a Fossa das Marianas, escapa ao flagelo do lixo plástico. Quinta-feira, 24 Maio

Por Sarah Gibbens

Este artigo faz parte da campanha da National Geographic, Planeta ou Plástico?—o nosso esforço para alertar sobre a poluição dos plásticos em todo o mundo. Saiba o que pode fazer para reduzir a sua utilização de plásticos de uso único, e assuma este compromisso.

A FOSSA DAS MARIANAS — O ponto mais profundo do oceano — estende-se até cerca de 11 mil metros de profundidade numa parte remota do Oceano Pacífico. Mas, se achava que a fossa escaparia ao cruel ataque da poluição pelos plásticos, desengane-se.

Um estudo recente revelou que foi encontrado o saco de plástico — igual aos que são distribuídos nos hipermercados — considerado o pedaço de lixo mais profundo de que se tem conhecimento, encontrado a uma profundidade de 11 mil metros, na Fossa das Marianas. Os cientistas descobriram-no quando analisavam a Deep-Sea Debris Database, uma coleção de fotografias e vídeos que resultaram de cinco mil e dez mergulhos efetuados ao longo dos últimos 30 anos, e que foi tornada pública recentemente.

Dos detritos classificados na base de dados, o plástico é o que tem maior prevalência, e, especificamente, os sacos de plástico constituem a principal fonte de lixo plástico. Outros detritos classificados provêm de materiais que incluem borracha, metal, madeira e tecido, e alguns estão ainda por classificar.

A maioria do plástico — 89%, surpreendentemente — correspondia ao tipo de plástico que é usado uma vez e se deita fora, como garrafas de água de plástico ou utensílios descartáveis.

Ainda que a Fossa das Marianas possa parecer um local escuro e sem vida, abriga, na verdade, mais vida do que se possa pensar. A embarcação Okeanos Explorer da NOAA fez exploração nas profundezas da região em 2016 e descobriu diversas formas de vida, incluindo espécies como corais, alforrecas e polvos. Este estudo recente descobriu também que 17% das imagens do plástico classificado na base de dados mostravam interações com algum tipo de vida marinha, nomeadamente animais a ficarem enleados nos detritos.

QUAL A ORIGEM DO PLÁSTICO?

O novo estudo é apenas um de entre os muitos estudos que mostram o quão prevalente se tornou a poluição pelos plásticos em todo o mundo. Os plásticos de usar e deitar fora estão praticamente em todo o lado, e podem levar centenas de anos a degradar-se, uma vez na natureza.

No passado mês de fevereiro, num estudo à parte mostrou-se que a Fossa das Marianas tem, nalgumas zonas, níveis de poluição em geral bem mais altos do que os de alguns dos rios mais poluídos da China. Os autores do estudo estabeleceram a teoria de que parte dos poluentes químicos presentes na Fossa podem ter origem na desintegração do plástico na coluna de água.

O plástico tornou-se recentemente na principal preocupação do movimento ambientalista, tendo sido um assunto bastante destacado no Dia da Terra, por exemplo. Apesar de o plástico poder entrar diretamente no oceano, como lixo levado de uma praia ou derramado de navios, num estudo publicado em 2017, chegou-se à conclusão de que a maioria do lixo chega ao mar através de 10 rios que atravessam regiões densamente povoadas.

Os equipamentos de pesca abandonados são também uma fonte importante de poluição de plásticos, e, num estudo publicado no passado mês de março, descobriu-se que era deste material que era composta a Grande Ilha de Lixo do Pacífico, uma massa do tamanho do Texas, que flutua entre o Havai e a Califórnia.

O oceano contém, claramente, muito mais plástico do que um único saco de plástico. Este elemento passou, assim, de uma metáfora à apatia levada pelo vento para um exemplo do quão impactante pode ser a ação dos humanos no planeta.