Mariana van Zeller: “A pandemia tem causado uma explosão significativa nos mercados negros mundiais”

Conversámos com Mariana van Zeller antes da estreia da segunda temporada de “Na Rota do Tráfico” sobre alguns dos momentos que mais a surpreenderam durante as gravações.

Por Filipa Coutinho
Publicado 7/12/2021, 17:26
Na série “Na Rota do Tráfico com Mariana Van Zeller”, a jornalista portuguesa conduz os espectadores ...

Na série “Na Rota do Tráfico com Mariana Van Zeller”, a jornalista portuguesa conduz os espectadores numa viagem a lugares nunca antes vistos.

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Há 15 anos que Mariana van Zeller investiga e se encontra com indivíduos de redes criminosas para revelar como operam os mercados negros. Depois do sucesso da primeira temporada de “Na Rota do Tráfico com Mariana van Zeller”, a nova temporada chega no dia 18 de dezembro ao National Geographic.

Na série documental, a premiada jornalista explora o funcionamento interno dos mercados negros, ganhando a confiança e entrando nas redes mais perigosas do mundo. Em cada episódio, Mariana Van Zeller explora diferentes comércios clandestinos como o mercado negro das cirurgias plásticas e os clubes de motards fora-da-lei. A missão da jornalista é conhecer aqueles que se movem neste ambiente, aprender como atuam e revelar o contexto geopolítico que criou esta economia paralela que gera triliões de dólares.

"Nunca tem medo?" perguntámos-lhe no ano passado. Na altura, a jornalista de investigação revelou que a sua curiosidade ultrapassa sempre o medo que possa sentir. A poucos dias da estreia da segunda temporada de “Na Rota do Tráfico” voltámos a conversar com Mariana van Zeller.
 

Esta série permite-nos derrubar estereótipos e preconceitos episódio, após episódio. Que investigação e encontro mais a surpreendeu nesta segunda temporada?
Acho que o mais assustador foi o tempo que passei com o movimento de supremacia branca, sentando-me ao lado de alguns neonazis que falavam abertamente sobre a violência e a morte dos que chamam “invasores do ocidente”, e também da forma como falavam das minorias e da imigração. Foi bastante assustador, sabendo que o que eles dizem faz parte de uma rede global de supremacia branca que está em crescimento e que tem tido efeito direto em ataques terroristas não só nos EUA, como na Nova Zelândia e na Noruega, e que estão todos interconectados. Foi assustador perceber que este movimento funciona muito como o tráfico de drogas ou de armas. Em vez de estarem a colocar drogas ou armas nos corpos de pessoas, estão a colocar ideias e mentiras nas suas cabeças.

Trailer: Na Rota do Tráfico com Mariana Van Zeller 2

Que efeitos tiveram estes quase dois anos de pandemia no mundo do tráfico?
Começámos a gravar a segunda temporada em julho de 2020 e o que reparámos de imediato é que a pandemia tem causado uma explosão significativa nos mercados negros mundiais. Não só de armas e drogas, mas por exemplo, de burlas. Um dos episódios que gravámos foi sobre romances com burlas – um crime que cresceu por causa da solidão de muitas pessoas. Foi incrível ver isto. Sempre que há uma crise económica mundial e sempre que as pessoas perdem empregos, têm de virar-se para onde podem para poder sobreviver e trazer dinheiro e comida para a família. Neste caso, para os mercados negros, que estão sempre à nossa volta e sempre dispostos a receber mais mão-de-obra.

A equipa apanhou algum susto durante as gravações?
Houve uma cena que nunca mais me vou esquecer. Estávamos em mar aberto, no oceano Atlântico, quando fizemos o episódio da pesca ilegal. Fomos com a Sea Shepherd e com a Liberian Coast Guard, com quem entrámos a meio da noite num barco que eles achavam que estava a pescar ilegalmente. Estavam ondas grandes, aproximámo-nos do barco sem luzes, com escuridão total, e tínhamos de saltar para cima de um escadote para subir, com o barco a andar, sem sabermos com que situação nos iríamos deparar. Existem situações em que estes barcos de pesca ilegal têm pessoas armadas lá dentro e nós no momento não sabíamos. Foi um momento de grande preocupação para a equipa toda.

Esquerda: Superior:

Mariana van Zeller durante as gravações do episódio sobre metanfetaminas.

Direita: Inferior:

Uma das conversas da jornalista realizadas para o episódio "Supremacia Branca".

Em que se distingue esta segunda temporada?
Fomos mais fundo nos mercados negros e também alargámos os temas que abrangemos. O tema, por exemplo, da supremacia branca – que à primeira instância não pensamos ser um tema dos mercados negros – é bastante preocupante. E eu tenho um orgulho muito grande na nossa equipa e na National Geographic por ter aceitado este desafio ainda antes da invasão do capitólio no dia 6 de janeiro, e termos inclusive passado tempo com os Proud Boys [organização política neofascista de extrema-direita], que acabaram por estar envolvidos na invasão do capitólio. Fazer um episódio destes é mais relevante do que nunca.

 

Não perca a estreia de "Na Rota do Tráfico com Mariana van Zeller", dia 18 de dezembro às 22:30.

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