Viagem e Aventuras

Veja as Naves Espaciais Soviéticas Abandonadas no Deserto do Cazaquistão

Há um filme com planos fantásticos dos despojos do programa espacial da Guerra Fria. Quinta-feira, 9 Novembro

Por Nadia Drake

Dois vaivéns espaciais estão guardados num hangar isolado da estepe cazaque, no cosmódromo de Baikonur, condenados silenciosamente a apanhar pó, dejetos de pássaros e ferrugem. Também atraem fotógrafos desejosos de andar pelas ruínas, como, por exemplo, Alexandar Kaunas, que recentemente filmou parte da sua viagem até à caverna onde estão os vaivéns abandonados.

Um dos vaivéns, chamado Ptichka, nunca chegou a descolar. O outro não se destinava a voar, por se tratar de um veículo de teste.

É um final sem cerimónias para estes ícones de um programa espacial que, outrora, foi um motivo de orgulho. Os vaivéns foram desenhados e construídos durante os anos setenta e oitenta, como parte integrante da tentativa da URSS de superar a aerodinâmica dos satélites com duas asas, inventados pelos E.U.A. Como projetado, os vaivéns soviéticos não só conseguiam voar autonomamente, como também suportavam cargas mais pesadas de material que poderia ser utilizado na construção de estações espaciais e de armamento.

Isso nunca chegou a acontecer.

O programa espacial dos vaivéns nunca arrancou, foi uma baixa resultante do declínio que se sentiu durante a Guerra Fria e do colapso da economia soviética – apesar do sucesso do voo do satélite Buran (que significa “tempestade de neve” ou “nevão”), um satélite lançado sem piloto, em 1988.

Buran viria a ser o único satélite soviético a descolar da Terra. Em 1993, Boris Yeltsin cancelou em definitivo o programa, o que fez com que algumas naves fossem deixadas a apodrecer em hangares, enquanto outras foram levadas para exposições em vários locais, como, por exemplo, nas Olimpíadas de Verão de Sidney ou no Parque Gorky em Moscovo.

Buran, o único vaivém que, de facto, voou, foi destruído pelo colapso do hangar onde se encontrava, em 2002, provocando ainda a morte de oito pessoas, no seguimento de um tremor de terra. Ptichka e o outro vaivém de teste permanecem em Baikonur, aliciando todos os que apreciam relíquias da Guerra Fria e objetos utilizados na já antiga missão de enviar humanos para o espaço.

Em 2015, o fotógrafo Ralph Mirebs aventurou-se pelo complexo e tirou fotografias dos momentos esquecidos de uma corrida ao espaço que já faz parte do passado.

Veja as Fotografias do Hangar e das Naves Espaciais Soviéticas ao Abandono

Há seis meses, o realizador e fotógrafo russo Alexander Kaunas e um parceiro, caminharam 39 quilómetros no deserto, e conseguiram entrar no local, de forma duvidosa. Ali ficaram três dias, no meio dos destroços das aeronaves.

Ao lado do hangar à prova de explosão, numa outra caverna isolada, estão os restos de um foguetão enorme, chamado Energia, que servia para lançar os vaivéns para o espaço.

Se estivessem num filme de Hollywood, Kaunas e o seu parceiro conseguiriam ligar um dos vaivéns com um pouco de magia de engenharia, e pilotá-lo em direção a uma batalha intergaláctica para salvar a humanidade. Mas isto não é um filme e os vaivéns vão provavelmente ficar cobertos pelos detritos de décadas, à espera de que o próximo fotógrafo se esgueire e os fotografe.

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