Viagem e Aventuras

Sete Prisões Antigas que Estão Abertas ao Público

Tenha um vislumbre das brutalidades infligidas por trás das paredes destas instituições desativadas, que se situam um pouco por todo o mundo. Segunda-feira, 30 Outubro

Por Gulnaz Khan

No Texas Prison Museum, em Huntsville, vemos uma cadeira de madeira debaixo de um holofote, exibida da mesma forma despretensiosa como poderíamos encontrar uma cadeira de braços neoclássica francesa no Metropolitan Museum of Art. Em vez de guilochés e pérolas, esta cadeira específica foi “adornada” com correias de cabedal, que eram utilizadas para prender os pulsos e tornozelos de centenas de reclusos, enquanto faziam passar eletricidade pelo seu corpo. Décadas depois da “Old Sparky” se ter reformado, os visitantes podem ver a disposição dos materiais das cenas com os próprios olhos.

As prisões, tal como outros locais históricos, oferecem a possibilidade de saber um pouco mais sobre a história política de um país, a forma de olhar para o crime e castigo, e para as leis que governam a liberdade e os direitos humanos. Todos os anos, milhões de pessoas se infiltram nestas prisões desativadas de paredes lúgubres que existem pelo mundo fora para ouvir as histórias macabras que lá se passaram.

ILHA ROBBEN, ÁFRICA DO SUL

 Ao largo da Cidade do Cabo, este local, considerado Património da Humanidade pela UNESCO, já foi um hospital para leprosos, uma base militar, mas ganhou a sua (má) fama pelo facto de ter sido uma prisão de segurança máxima para prisioneiros políticos durante o Apartheid, o sistema de segregação racial sancionado pelo estado sul-africano. A história sombria da Ilha de Robben terminou finalmente em 1990, quando acabaram com o sistema repressivo sul-africano e os prisioneiros foram libertados. O revolucionário anti-Apartheid Nelson Mandela, que passou 18 anos preso na Ilha de Robben, tornou-se no primeiro presidente negro a ser eleito através de eleições representativas plenamente democráticas, em 1994.

Facto menos conhecido: na Ilha de Robben, vive uma colónia de pinguins-africanos, uma espécie ameaçada.

Como visitar: existem viagens de barco da Cidade do Cabo para a Ilha de Robben três vezes por semana (quatro vezes em época alta), e as viagens demoram cerca de 30 minutos para cada lado. As visitas à prisão duram quatro horas, e custam 19 euros para adultos e 11 para crianças.

OLD MELBOURNE GAOL, AUSTRÁLIA

Entre 1842 e 1929, a Old Melbourne Gaol albergou alguns dos criminosos mais infames da Austrália, como por exemplo, o foragido Ned Kelly e o assassino em série Frederick Bailey Deeming. Durante o seu mandato, 133 prisioneiros foram executados por enforcamento e enterrados em sepulturas, sem nenhuma marcação, no pátio da cadeia. Uma das mais notáveis exposições de Gaol é a sua coleção de máscaras da morte. Após a execução de um prisioneiro, a sua cabeça era rapada, e era aplicado gesso na sua cara e na sua cabeça para criar uma máscara. Os historiadores acreditam que o estado pode ter criado estas máscaras como símbolos de poder – uma representação do seu triunfo sobre o crime. As máscaras eram também usadas no estudo pseudocientífico da frenologia, que reivindicava ser possível determinar características da personalidade de um indivíduo com base na forma do seu crânio e da sua cara.

Facto menos conhecido: A ala feminina só foi construída no final de 1846. Antes disso, as mulheres, as crianças e os homens eram mantidos juntos.

Como visitar: Old Melbourne Gaol está aberta todos os dias, das 9 h 30m às 17h, com exceção do dia de Natal e da Sexta-feira Santa, e chega-se lá facilmente através de transportes públicos. O bilhete para um adulto custa 16 euros, e para as crianças custa 8,50 euros. Os interessados devem planear as suas visitas com, pelo menos, uma hora e meia de duração.

ALCATRAZ, ESTADOS UNIDOS

Uma das mais notáveis prisões dos Estados Unidos, o rochedo foi originalmente usado como fortaleza militar e prisão na década de 50, do século XIX, e mais tarde, entre 1934 e 1963, funcionou como penitenciária federal. Os presidiários mais proeminentes da instituição foram Al “Scarface” Capone e Machine Gun Kelly. Pensava-se que era impossível escapar desta prisão por causa da sua localização isolada, rodeada pelas águas gélidas da baía de São Francisco. Em 1962, os presidiários John Anglin, Clarence Anglin e Frank Morris testaram esta teoria quando deixaram, nas suas camas, cabeças feitas em papier-mâché, escaparam da prisão pelo edifício central e escapuliram-se da ilha numa jangada feita com impermeáveis. Até hoje não se sabe do seu paradeiro.

Facto menos conhecido: todos os anos centenas de atletas participam no Escape From Alcatraz Triathlon em São Francisco, com um percurso de natação de 2,4 quilómetros, 29 quilómetros para ciclismo e 13 quilómetros em atletismo.

Como visitar: só é possível aceder à ilha com a empresa Alcatraz Cruises, que disponibiliza viagens a partir do cais 33, em São Francisco. Existem visitas de dia e de noite durante todo o ano, com exceção de alguns feriados. É frequente os bilhetes esgotarem. Por isso, reserve com antecedência. Planeie a sua visita para durar cerca de duas horas.

CASTELO DA MINA, GANA

Este castelo, considerado património da humanidade pela UNESCO, foi construído pelos portugueses em 1482, no Golfo da Guiné, e pensa-se que foi neste sítio que os europeus tiveram o seu primeiro contacto com povos subsarianos. Ocupado durante séculos por diversos órgãos de poder coloniais, este posto comercial acabou por se tornar uma paragem obrigatória das rotas transatlânticas do comércio de escravos. Dezenas de milhares de africanos foram capturados e detidos, e eventualmente passaram pela porta “sem retorno” do Castelo da Mina – eram levados para os navios de escravos e vendidos por toda a Europa e suas colónias.

Facto menos conhecido: o Castelo da Mina é um dos edifícios europeus mais antigos situado fora dos limites da Europa.

Como visitar: é fácil chegar ao Castelo da Mina de táxi partindo de Cape Coast, na região central do Gana, cerca de três horas a oeste de Accra. O museu está aberto todos os dias, das 9 h às 16 h 30m. As entradas custam aos estrangeiros 8,5 euros para adultos e 1,6 euros para crianças.

TUOL SLENG, CAMBOJA

Quando o genocida Khmer Vermelho chegou ao poder no Cambodja em 1975, este antigo liceu foi convertido na prisão de segurança 21, um centro de detenção que fomentou a tortura e assassinato de milhares de pessoas. Trinta minutos a sul da prisão foram encontradas valas comuns com corpos mutilados de homens, mulheres e crianças, nos campos de extermínio de Choeung Ek. Depois da queda do regime em 1979, Tuol Sleng foi transformada em museu para lembrar as vítimas do genocídio e os horrores infligidos pelo Khmer Vermelho, que se estima ser responsável pela morte de 1,7 milhões de pessoas no tempo que esteve no poder.

Facto menos conhecido: a atriz Angelina Jolie está a realizar um novo filme para Netflix baseado no livro de memórias intitulado First They Killed My FatherA Daughter of Cambodia Remembers, escrito pela ativista de direitos humanos Loung Ung, que viveu a sua infância sob o domínio do Khmer Vermelho. O filme tem estreia marcada para o final de 2016, em duas línguas: inglês e khmer.

Como visitar: Tuol Sleng fica na capital do país, Phnom Penh, e podemos ir de tuk-tuk ou de táxi, a partir do centro da cidade. Trinta minutos mais a sul podemos encontrar o Choeung Ek Genocidal Center, para uma séria lição de história.

ILHA DO DIABO, GUIANA FRANCESA

Esta colónia penal, situada ao largo da pitoresca costa atlântica da Guiana Francesa, foi construída no início da década de 50 do século XIX, sob as ordens do imperador francês Napoleão III. Durante cerca de um século, a colónia, que se estendeu por três ilhas além das instalações no continente, albergou dezenas de milhares de criminosos condenados e de prisioneiros políticos que foram desterrados e condenados a cumprir as suas penas a fazer trabalhos pesados. Os prisioneiros eram distribuídos por campos de trabalho que se estendiam pelas ilhas, onde passavam longas e fatigantes horas a desbravar selva, a construir estradas e a construir as suas celas. As águas infestadas de tubarões, o terreno impiedoso e a ameaça de doenças tropicais fazem com que a fuga das condições brutais desta prisão se transforme numa tarefa mortal.

Facto menos conhecido: depois de 11 anos na Ilha do Diabo, o prisioneiro Henri Charrière escapou e foi para a Venezuela numa jangada feita de cocos. A sua autobiografia serviu de inspiração para Papillon, o filme de 1973, protagonizado por Steve McQueen e Dustin Hoffman.

Como visitar: os visitantes podem apanhar um autocarro em Caiena, a capital, e, depois de uma viagem de uma hora, chegam à cidade de Kourou. No porto de Kourou existem várias empresas que proporcionam visitas de um dia às ilhas.

CASTELO DE IF, FRANÇA

Esta fortaleza do século XVI transformada em prisão foi tornada famosa por Alexandre Dumas e pelo seu romance de vingança de 1844, O Conde de Monte Cristo. A localização isolada do castelo, no meio das fortes correntes da baía de Marselha fizeram dela o local ideal para eliminar prisioneiros religiosos e políticos. Entre as suas impositivas paredes de pedra estiveram prisioneiros em condições de sobrelotação e falta de higiene, durante quase três séculos até ao seu encerramento, no final do século XIX. Depois disso, a prisão abriu ao público como atração turística.

Facto menos conhecido: Edmond Dantès, o protagonista vingativo do romance de Dumas, é completamente ficcional.

Como visitar: apanhe um ferry no porto de Marselha para o Castelo de If — a viagem dura 20 minutos. O horário de funcionamento varia consoante as épocas do ano. Aconselhamos, portanto, a consulta do horário antes de ir. A visita ao monumento é gratuita para cidadãos da Comunidade Europeia e para crianças com menos de 18 anos, os adultos pagam cerca de 5 euros.

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