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Sexta-Feira 13: Eis As Razões Pelas Quais Este Dia Nos Assusta

Descubra como foi que esta data adquiriu a reputação de trazer infortúnios e como até pessoas que não são supersticiosas podem ser influenciadas por esta triscaidecafobia coletiva.quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Por Brian Handwerk
A segunda sexta-feira 13 deste ano calhou em outubro 2017.

Como se outubro não fosse um mês suficientemente assustador, o de este ano inclui também uma sexta-feira 13.

Este 13 de outubro é a segunda sexta-feira infame do ano de 2017. E apesar de o dia 13 de janeiro não ter sido assim tão sinistro, o número de vezes pelas quais passamos por este dia parece não importar: este é um dia assustador que continua a provocar desconfortos e medos de marés de azar.

Não há nenhuma razão lógica para ter medo de coincidências de dias de semana e dias do mês que ocorrem de vez em quando. Mas a combinação: sexta-feira e 13 pode ter impactos assinaláveis. Por vezes, somos nós os responsáveis, criamos, na nossa cabeça, o bom e o mau.

QUER SE ACREDITE, QUER NÃO SE ACREDITE

Jane Risen, uma cientista comportamental da University of Chicago Booth School of Business, descobriu que as superstições podem influenciar até quem não acredita nelas. Num dos estudos que levou a cabo, Risen descobriu que tanto as pessoas que admitem ser supersticiosas como as que não consideram ter essa característica acreditam que podem estar agoiradas e que isso lhes trará má sorte ou que terão muita sorte.

“De uma maneira geral, penso que isto acontece porque o azar é uma ideia que nos assalta, que é mais fácil de imaginar a seguir ao agoiro”, afirma Risen. “As pessoas utilizam a capacidade de imaginar facilmente uma determinada coisa como um sinal de que é possível que essa coisa exista.”

Esta forma de pensar pode ser mais generalizada em sextas-feiras 13: “Mesmo que não acreditemos, o simples facto de que a sexta-feira 13 existe como um elemento cultural reconhecido faz com que essa possibilidade exista também na minha cabeça”, explica-nos. Eventos que passariam despercebidos num qualquer outro dia ganham uma nova importância quando acontecem neste dia.

“Esta forma de pensar aviva o que está socialmente instituído, torna tudo um pouco mais verdadeiro, mesmo quando conseguimos racionalmente perceber que não o é.”

Felizmente, o estudo de Risen sugere também uma forma de inverter a maldição: execute rituais que afastem a má sorte, como, por exemplo, bater na madeira ou atirar sal por cima do ombro. Risen descobriu que algumas pessoas os executam mesmo quando não acreditam em superstições, e, depois de serem testados, tanto os supersticiosos como os não supersticiosos sentiram os benefícios depois de executar os rituais.

“Percebemos que as pessoas que acreditam no agoiro acreditam que é menos provável que alguma coisa menos boa aconteça se baterem na madeira”, diz Risen. “Parece, pois, que o ritual é eficaz na medida em que ajuda as pessoas a controlarem as suas preocupações.”

Segundo Rebecca Borah, uma professora da Universidade de Cincinatti, o simples facto de estarmos conscientes das superstições pode ajudar a infundir um sentimento de controlo num mundo de preocupações incontroláveis e aleatórias.

"Quando nos são impostas regras, sabemos comportar-nos de acordo com elas, parece sempre mais fácil”, declarou, em 2014, à National Geographic. Nas sextas-feiras 13, “não fazemos nada demasiado assustador, ou verificamos duas vezes se temos o depósito do carro com combustível suficiente, ou o que quer que seja.”

“Há mesmo quem fique em casa – se bem que, de acordo com as estatísticas, a maioria dos acidentes acontece em casa, e, portanto, essa pode não ser a melhor estratégia.”

MOTIVADA PELA RELIGIÃO?

Onde surgiu pela primeira vez esta superstição que consiste no medo do dia sexta-feira 13?

É difícil apontar as origens e evolução de uma superstição. Mas Stuart Vyse, um professor de Psicologia na Connecticut College, em Nova Londres, diz que o nosso receio das sextas-feiras 13 pode ter tido origem em crenças religiosas em redor do 13.º convidado da última ceia – Judas, o apóstolo que traiu Jesus – e o facto de a crucificação ter acontecido a uma sexta-feira, dia que era também conhecido como o dia do enforcado.

A combinação destes fatores produziu uma “espécie de duplo infortúnio para o numero 13, um dia já infame”, explicou Vyse em 2014. Alguns teólogos creem também que Eva tentou Adão com o fruto proibido numa sexta-feira, e que Abel foi morto pelo seu irmão Caim numa sexta-feira 13.

Curiosamente, Espanha parece estar livre desta malfadada união de número e dia. A sexta-feira 13 não é um dia preocupante, mas se for uma terça-feira 13 será a data mais perigosa do ano.

Outros especialistas suspeitam de razões ainda mais antigas para esta forma de triscaidecafobia. Thomas Fernsler, um investigador assistente de políticas científicas no Mathematics and Science Education Resource Center, da University of Delaware, em Newark, diz que o número 13 sofre por estar a seguir ao 12.

Os numerologistas consideram o 12 um número “completo”. Existem 12 meses num ano, 12 signos do zodíaco, 12 deuses do olimpo, os 12 trabalhos de hércules, as 12 tribos de Israel e os 12 apóstolos de Jesus.

As associações do número 13 com a falta de sorte “estão ligadas ao facto de o 13 estar um pouco depois da compleição. O número a seguir torna-se inquieto e retorcido”, observou em 2013.

A numerologia também explica porque é que os italianos não têm problema nenhum com as sextas-feiras 13, mas temem os 17.os dias. O numeral romano XVII pode também ser escrito da seguinte forma VIXI, que, em latim, significa algo semelhante a “a minha vida acabou”.

COINCIDÊNCIA QUE SAI CARA

Além de serem arbitrárias, as superstições, como o medo de passar por debaixo de escadotes, dos gatos pretos ou dos números do azar, persistem de forma inacreditável no tempo.

"Depois de entrarem nos costumes de uma cultura, tendemos a perpetuá-las”, explicou-nos, em 2013, Thomas Gilovich, um professor de psicologia da Cornell University em Ithaca, Nova Iorque.

Os gatos pretos também são vistos como um sinal de má sorte em muitas culturas europeias.

Algumas pessoas, seja por determinação ou por necessidade, passam este dia a tentar aguentar e controlar os nervos. Outras, de facto, comportam-se de forma diferente pelo facto de ser uma sexta-feira 13.

Podem recusar-se a viajar, a comprar uma casa, ou tomar a decisão de seguir uma dica de investimento na bolsa, e este tipo de inatividade pode desacelerar visivelmente a atividade económica, de acordo com Donald Dossey, um historiador de folclore e fundador do Stress Management Center and Phobia Institute, que falou com a National Geographic em 2013.

"Estima-se que haja uma perda de entre 713 a 826 milhões de euros em volume de negócios nesse dia, porque as pessoas não viajam de avião nem fazem negócios como fariam normalmente”, diz Dossey.

Ironicamente, as pessoas que se deixam levar pelos seus medos supersticiosos podem estar a deixar passar a oportunidade de passar o dia num mundo um pouco menos perigoso. Um estudo realizado em 2008 pelo Dutch Centre for Insurance Statistics revelou que as sextas-feiras 13 são os dias em que acontecem menos acidentes de viação comparativamente a qualquer outra sexta-feira do ano. O estudo mostra também uma diminuição de ocorrência de incêndios ou de roubos.

Dentro em breve, esta sexta-feira 13 vai chegar ao fim, e até o ser mais supersticioso pode voltar a descontrair – pelo menos até o dia 13 de abril de 2018.