Circuitos Ciência Viva: Em Dezembro Descubra a Cidade do Porto

Explorar, perguntar, saber mais. É com este espírito que os Circuitos Ciência Viva apresentam 18 destinos de viagem em Portugal.segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Por Circuitos Ciência Viva

Explorar, perguntar, saber mais. É com este espírito que os Circuitos Ciência Viva apresentam 18 destinos de viagem em Portugal. Em família ou com amigos, são mais de 200 etapas para explorar em todo o país, com os centros Ciência Viva como ponto de partida.

Com um cartão, um guia e uma app pode planear um ano inteiro de programas em família beneficiando de todas as vantagens que os Circuitos Ciência Viva lhe oferecem.

Este mês, a National Geographic partilha algumas etapas dos três percursos do Circuito do Porto. Para saber todas as histórias, curiosidades e desafios saiba como aderir aos Circuitos Ciência Viva em www.circuitoscienciaviva.pt

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DEZEMBRO | PORTO

Com o Circuito Ciência Viva do Porto, perguntámos a um portuense o que é o Porto e respondeu-nos que não é bem um lugar, é mais um estado de espírito. Uma cidade de personalidade forte e sedutora, que combina múltiplos contrários: trendy mas um bocadinho à moda antiga, cinzenta mas colorida, agitada mas serena, romântica mas com o seu génio vincado. Partimos à descoberta do Porto e explorámos jardins românticos e bosques surpreendentes, visitámos uma casa habitada por poemas e por uma jovem baleia e ficámos (literalmente) a ver estrelas. E ainda galgámos colinas, descemos às caves (que afinal não são no Porto) e subimos à torre com uma vista (e escadas) de tirar o fôlego. Tudo para saber de onde vem esta obsessão por camélias, dragões, tripas e vinho.

Aqui, na National Geographic, deixamos um pouco desse estado de espírito.

E começamos pelos centros Ciência Viva da cidade: um que nos mostra o céu e outro que nos convida a celebrar a vida na Terra.

No Planetário do Porto – Centro Ciência Viva, e nas palavras do seu diretor, Daniel Folha,  encontramos um dos melhores miradouros da cidade. Lá dentro o céu está sempre incrivelmente límpido e tem-se a melhor vista sobre o Universo que o Porto pode oferecer. Em cada sessão viajamos num género de nave espacial imaginária que percorre o espaço e o tempo a alta velocidade, desvendando histórias do universo. E para quem gosta de olhar para astros de verdade, às segundas quintas-feiras de cada mês, às 21 h, o Planetário aponta os telescópios para o céu.

De volta à Terra caminhamos pela rua do Campo Alegre até encontrarmos um palacete de cor das borras do vinho tinto que se destaca no meio do arvoredo. Chegamos ao mais recente centro Ciência Viva: a Galeria da Biodiversidade.

Este espaço ocupa a antiga casa dos avós de Sophia de Mello Breyner Andresen e recebe os seus visitantes no átrio com o esqueleto da jovem baleia-azul...tal como Sophia escreveu no livro “A Saga”.  A exposição permanente junta animais naturalizados com objetos e módulos interativos numa celebração da vida nas suas dimensões biológica, estética, literária e histórica. Cada sala conta-nos uma história, levanta-nos uma questão ou atinge-nos com uma provocação.

Mas há mais para ver. Recentemente atracou na Galeria da Biodiversidade a grande arca fotográfica que pretende retratar e dar a conhecer todas as espécies em cativeiro. Da autoria do fotógrafo da National Geographic, Joel Sartore, a exposição Photo Ark é a nova arca de Noé que procura sensibilizar o público para a conservação dos animais em extinção. O projeto conta já com mais de 7000 mil registos fotográficos de espécies ameaçadas e poderá encontrar na exposição as fotografias mais emblemáticas deste trabalho.

À saída da Galeria, o Jardim Botânico é um espaço único para nos perdermos sem um mapa na mão mas sim com um livro de Sophia. Recomenda-se uma visita guiada para descobrir os melhores segredos deste lugar, cuja importância está, não só na sua coleção grandiosa e rara de espécies botânicas, mas também nos diversos traçados do jardim e na sua riqueza histórica e literária. Como diz Paulo Farinha Marques, o seu diretor, um jardim botânico é um ensaio da relação entre o ser o humano e a natureza, para o melhor e para o pior. Fazendo a visita durante o Inverno têm o privilégio de ver as camélias em flor que têm uma uma história antiga com o Porto.

De regresso à cidade, com novos horizontes na bagagem, deixamo-nos guiar pelos cheiros, pelas pessoas, pelas ruas e ruelas numa viagem no elétrico que percorre a baixa e o centro histórico. Apanhamos boleia, paramos pelo caminho e assim vamos descobrindo a história e os lugares mais genuínos e pitorescos da Invicta sobre os carris. O Museu do Carro Eléctrico, o Palácio da Bolsa, o Centro Português de Fotografia e o Museu Nacional dos Soares dos Reis são alguns dos edifícios de paragem obrigatória da Linha 1. Até que chegamos ao ponto alto do Porto, a torre dos Clérigos.

São precisos 76 metros, 240 degraus e algum fôlego, mas vale a recompensa: uma vista de 360 ° sobre o Porto e um dos melhores pores-do-sol da cidade. Durante algum tempo, este foi o maior edifício de Portugal. Serviu de orientação para os barcos, foi telégrafo e até relógio. Mas o que mais intriga nesta torre é o seu arquiteto (que, na realidade, era antes pintor). Nicolau Nasoni está para o barroco do Porto mais ou menos como Gaudí está para o modernismo de Barcelona. Há obras dele espalhadas por toda a cidade. Quando morreu, foi sepultado nesta torre, mas ninguém sabe muito bem onde.

 

Com o fôlego recuperado descemos a Rua dos Clérigos e passeamos na Praça da Liberdade, que se abre para a Avenida dos Aliados, junto à estátua de D. Pedro IV, o primeiro imperador do Brasil que deixou o seu coração no Porto (literalmente!). Depois vamos até a Ribeira para uma visita inadiável. É Património Mundial da UNESCO, com vista para o Douro. A Ponte D. Luís I, inaugurada em 1886, é uma verdadeira filigrana de ferro desenhada por Seyrig, um sócio de Eiffel. Atravessamos a pé, pelo tabuleiro inferior e vamos à procura da história do vinho do Porto, que se derrama desigualmente pelas duas margens do rio: uma dá-lhe o nome e a outra dá-lhe o chão.