Viagem e Aventuras

Uma Câmara é Engolida por Lava, mas Continua a Filmar

Vídeo: Durante uma excursão por vulcões no Havai, uma rocha derretida submergiu uma GoPro esquecida - mas a câmara continuou a filmar. Quarta-feira, 27 Dezembro

Por Elaina Zachos

Num certo dia de agosto de 2016, Erik Storm dirigiu-se ao vulcão mais próximo por motivos profissionais.

Storm é proprietário e guia principal da Kīlauea EcoGuides, uma empresa de excursões no Havai dedicada aos vulcões. Storm costuma normalmente caminhar até ao Parque Nacional de Vulcões do Havai na "ilha grande", cerca de três ou mais vezes por semana, para acompanhar, como guia, as excursões. Nesse dia em agosto, Storm estava a acompanhar um grupo de turistas de São Francisco, e levava o seu equipamento fotográfico/filmagem.

Durante a caminhada, Storm colocou a sua câmara numa fenda que se formou quando lava ocupou toda a paisagem em 2012. Storm também tem uma máquina fotográfica Nikon e acompanha fotógrafos profissionais em excursões ao vulcão, pelo que está familiarizado com filmagens em condições extremas. Storm já tinha colocado a câmara neste tipo de posição centenas de vezes, presa entre rochas e apontada ao fluxo de lava. Mas, desta vez, a rocha derretida estava a fluir mais rapidamente que o habitual.

Storm estava tão absorto a contar uma história sobre Pele, a deusa polinésia do fogo, que se esqueceu da câmara dispendiosa. Em seguida, viu uma chama surgir de uma fenda na Terra. A sua GoPro tinha ido à vida.

"Nunca colocaríamos nada intencionalmente no caminho da lava", afirma Storm. "Foi um erro de 400 dólares".

CHAMUSCAR E SALVAMENTO

O vídeo de 2016 veio à tona este mês, após um fotógrafo israelita ter derretido acidentalmente a câmara no seu drone ao voar sobre os fluxos de lava no Havai. Essa câmara ainda está funcional, apesar de parcialmente derretida. Esta história levou muitas pessoas a descobrirem o incidente de Storm.

A GoPro de Storm teve um "fim escaldante", mas o guia conseguiu tirar a câmara da fenda com o seu martelo geológico e recuperar as imagens enquanto a rocha arrefecia. Passados cerca de 20 minutos, Storm afirmou que a câmara estava fria o suficiente para manusear com as suas luvas de couro, pelo que a enrolou numa toalha e trouxe-a de volta para casa consigo.

Storm ainda mantém a caixa da câmara no escritório que, ironicamente, é impermeável, apesar de ter eliminado devidamente a bateria e retirado a restante cablagem para colocá-la num centro de reciclagem de tecnologia.

Atualmente, Storm tem três câmaras GoPro, que utiliza para excursões a vulcões e surf. A National Geographic contactou a GoPro, Inc. para obter comentários, mas a empresa não respondeu a nenhum dos pedidos até ao momento-

GRITAR NA IGREJA

Storm afirma que, para os locais, o vulcão é "como a igreja". De acordo com a mitologia havaiana, os picos da ilha são sagrados e divinos. É considerado desrespeitoso mexer na lava, cozinhar com a mesma ou adulterá-la de alguma forma, acrescenta.

"Respeito ao máximo o local onde trabalho e trabalho arduamente para garantir que as pessoas compreendam que este é um local muito sagrado e que exige respeito", afirma Storm. "Queremos que o mundo inteiro saiba o quão sagrado e especial é este sítio."

Apesar de se movimentar lentamente, a lava pode atingir temperaturas acima dos 1000º C e pode queimar qualquer material. Pela segurança dos seus clientes, a Kīlauea EcoGuides fornece regularmente aos mesmos luvas de couro, máscaras para gases vulcânicos e iluminação, uma vez que costumam terminar as suas caminhadas já ao anoitecer. Storm afirma que, por vezes, chegam a carregar cerca de 18 a 22 kg de equipamento nas suas mochilas, incluindo água e bens de primeiros socorros.

"Quando alguém vem visitar um vulcão ativo, pedimos às pessoas que respeitem o local e que não toquem na lava", afirma Storm. Afirma que a GoPro queimada foi um "acidente honesto da minha parte".

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