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Cinco Atrações Culturais Imperdíveis da Capital Imperial Russa

Dos mais icónicos a algumas escolhas invulgares, passando por segredos bem guardados, estes museus são a garantia de uma passagem inesquecível pela cidade de São Petersburgo.sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Por Nancy Gupton
Fotografias Por Jeff Heimsath, Jess Mandia
A decoração com talha dourada e as paredes e tetos trabalhados do Museu Nacional do Hermitage são absolutamente encantadores.

A arte está em toda a parte em São Petersburgo, a segunda maior cidade da Rússia e uma das mais importantes atracões culturais do mundo.

São Petersburgo é uma cidade imersa em arte. A capital imperial de Pedro I, o czar conhecido como “Pedro, o Grande”, é hoje, indiscutivelmente o epicentro da produção cultural Russa, albergando célebres salas de ballet, teatros, entre outras atrações. No que toca às belas artes, não encontra rival.

Da longa lista de museus importantes em São Petersburgo (ou Piter, como lhe chamam os russos), destacámos cinco absolutamente imperdíveis.

MUSEU RUSSO

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Não existe em todo o mundo um lugar melhor que Museu Russo para mergulhar na história da arte do país. Das mais de 400 000 peças que compõem a coleção deste museu, algumas remontam ao século X. Inaugurado em 1898 pelo czar Nicolau II, em memória do seu pai, Alexandre III, este foi o primeiro museu dedicado exclusivamente à arte russa. A sua coleção permanente inclui peças de Karl Brullov, Ivan Aivazovsky, Alexander Ivanov, Vasily Kandinsky, entre outros.

Este complexo de museus cobre uma área de 16 hectares no centro da cidade; o museu principal reside no Palácio de Mikhailovsky, um edifício neoclássico de paredes amarelas e colunas de pedra branca. Também existe o Castelo Mikhailovsky, ou Castelo de São Miguel, o Palácio de Mármore, o Palácio Stroganov, os Palácios de Verão, e ainda três jardins, incluindo o Jardim de Verão, motivo de grande orgulho para czar Pedro I. O primeiro “palácio” de Pedro I, que é hoje parte integrante do complexo de museus, mais não era do que uma cabana de madeira com três divisões, contruída em 1703 à beira do rio Neva, na ilha de Petrograd.

O MUSEU HERMITAGE

A inquestionável joia da coroa dos museus russos é o Museu Hermitage, um vasto complexo considerado o segundo maior museu do mundo. A beleza começa nos próprios edifícios: seis estruturas dominadas pelo barroco ao longo do rio Neva. O Palácio de Inverno, em tons de verde marinho e branco, parece uma peça desenhada por um joalheiro. A sua construção foi concluída em 1764, o mesmo ano em que imperatriz Catarina II inaugurou o Hermitage com uma coleção de pinturas que comprara a um vendedor de Berlin.

O Museu do Hermitage é considerado o segundo maior do mundo.

Hoje, o museu conserva mais de três milhões de obras de arte e peças culturalmente relevantes; esculturas de Miguel Ângelo; galerias de armamento antigo; o boudoir, em tons de vermelho rubi, da imperatriz Maria Alexandrovna; a biblioteca privada do czar Nicolau II — e muito, muito mais.

MUSEU ERARTA

Uma visitante do Museu Erarta imersa numa exposição de arte interativa.

Situada num edifício neoestalinista que em tempos albergou o Synthetic Rubber Research Institute (Instituto para a Investigação em Borracha Sintética) da União Soviética, uma adição recente ao universo dos museus de São Petersburgo é o sofisticado Museu Erarta, dedicado maioritariamente à arte contemporânea. O Erarta (que significa “Era da Arte”) abriu em 2010 com o objetivo de divulgar arte contemporânea, apresentando-a a tantas pessoas quanto possível.

Além das 2800 obras na coleção permanente do museu, o Erarta também desenvolve, financia e comissiona os seus próprios projetos criativos. Um deles, o U-Space, mergulha os visitantes, individualmente, em espaços desenhados para evocar certas emoções ou sentimentos. Outro, o Teatro Sem Atores, é uma peça onde os quadros são as personagens. O Erarta também organiza e acolhe concertos, visionamentos multimédia, palestras e artes performativas, como teatro, dança etc.

Além a típica loja do museu, aqui vende-se também obras originais. Há uma livraria especializada em livros de arte; e a Erarta Home, uma loja de decoração com peças de autor e impressões personalizadas. Há até a Erarta Design, caso se sinta inspirado e queira renovar a casa.

MUSEU FABERGÉ

O Museu Fabergé não inclui apenas os famosos Ovos Fabergé, mas também pinturas, porcelanas e outras peças.

Em 1885, o czar Alexandre III pediu a um joalheiro de São Petersburgo, Peter Carl Fabergé, que desenhasse uma surpresa de Páscoa para a sua mulher, a imperatriz Maria Feodorovna. A peça que Fabergé criou foi um grande ovo que escondia supressas e miniaturas de ouro no interior. Encantada, a czarina pediu ao czar que lhe oferecesse um novo todos os anos — uma tradição que perdurou por muitos anos, tendo sido continuada pelo seu filho, o czar Nicolau II. Com o passar dos anos os ovos Fabergé foram-se tornando cada vez mais elaborados, sendo decorados com pedras preciosas e ornamentos variados.

O Ovo Cuco (Fabergé)
O Ovo "Lírios do Vale" (Fabergé)

O Fabergé detém 15 dos famosos ovos do joalheiro berlinense, nove dos quais encomendados pela familiar real. O ovo Lírios do Vale, criado em 1898, é uma maravilha da arte nova, repleto de pérolas, diamantes e esmalte rosado; um retrato de Nicolau e de duas das suas filhas surge quando é acionado um mecanismo com o manípulo de pérola. De um azul brilhante, o Ovo Cuco foi criado em 1900 e tem um mostrador de relógio e um pássaro escondido, que surge batendo as asas quando se carrega num botão. O Museu Fabergé contem ainda 4000 obras de arte russas, todas elas guardadas num edifício que é, ele mesmo, uma obra de arte: o neoclássico Palácio Shuvalov, construído no final do séc. XVIII à beira do rio Fontanka.

MUSEU DA FAMÍLIA SAMOILOV

Uma funcionária do Museu da Família Samoilov permanece junto à porta de entrada.

Quando achar que já viu ovos e pinturas suficientes, pode ir até ao Museu da Família Samoilov para ficar a conhecer um pouco da história do teatro de São Petersburgo. O museu encontra-se num apartamento — a bem dizer, o museu é o apartamento —, no segundo andar de um edifício que é agora um hotel da cadeia Corinthia, junto a Nevsky Prospekt, a principal avenida de São Petersburgo. Durante cerca de 20 anos, no final do séc. XIX, um vulto do teatro russo, Vassily Vassilievich Samoilov, viveu neste apartamento, agora transformado em casa-museu em honra do ator e da sua família.

Vassily foi um homem de muitos ofícios — cantor lírico, ator e pintor — e, nos palcos, o membro mais reconhecido da dinastia Samoilov, que se estendeu por várias gerações. O museu, que faz parte do Museu Nacional de Teatro e Música de São Petersburgo, contém os objetos pessoais e a mobília da família, retratos pintados pelo próprio Vassily, e artefactos vistosos que nos transportam para as épocas de ouro do teatro de São Petersburgo, entre o século XIX e o início do século XX. Também há uma pequena sala de concertos, onde por vezes há serões de música de câmara e outros concertos — era comum os Samoilovs organizarem pequenos eventos musicais aqui.