Visite o Único País do Mundo com Emissões de Carbono Negativas

O Butão integrou a sustentabilidade na sua identidade nacional.

Tuesday, March 27, 2018,
Por Soo Youn
Mosteiro de Gangteng
Um festival acontece do exterior do Mosteiro de Gangteng, no vale de Phobjikha, no Butão.
Fotografia de Peter Adams, Getty Images

O Butão é possivelmente o país mais feliz do mundo. É também um dos mais ecológicos. E isto não é coincidência. De facto, o rei Jigme Singye Wangchuck criou o índice de Felicidade Interna Bruta baseado em quatro pilares: desenvolvimento sustentável, proteção ambiental, preservação cultural e boa governação. Outros países tomaram-no como exemplo, já que o reino dos Himalaias não tem apenas emissões neutras, mas sim negativas.

Também é notável que isto aconteça apesar do aumento do fluxo de turismo. Uma das formas que os estrangeiros têm para poder contribuir parece contraintuitiva: visitando o país.

Como destino turístico, o Butão permanece um local único, entalado entre dois vizinhos fortemente industrializados: a China e a Índia. A nação isolada só abriu as suas portas aos visitantes estrangeiros em 1974, e apenas permitiu a chegada da televisão em 1999.

O Butão integrou a sustentabilidade como uma característica da sua identidade nacional. “Os nossos monarcas iluminados foram incansáveis ao trabalhar para o desenvolvimento do nosso país, no cuidado de encontrar um equilíbrio entre o crescimento económico e o desenvolvimento social, a sustentabilidade ambiental e a preservação cultural, tudo isto dentro do enquadramento da boa governação”. Quem o diz é Tshering Tobgay, o primeiro-ministro do Butão, numa conferência TED Talk, de 2016.

Efetivamente, a Constituição do Butão estipula que 60% do seu território seja mantido e protegido como floresta. Uma das formas de manter o controle sobre esta situação foi refrear o impacto do turismo.

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A menos que seja um nativo da Índia, do Bangladesh ou das Maldivas, precisará de um visto para explorar esta alegre área do sul da Ásia – não é possível fazer viagens por conta própria, só contratando o serviço de uma agência de turismo homologada pelo governo. Além do visto (34 euros), os turistas têm também de pagar uma taxa adicional que varia entre 170 e 212 euros, “a taxa de permanência diária”. A taxa pode confundir ou desencorajar potenciais visitantes. Vale, portanto, a pena clarificar o que é esta taxa. Inclui estadia em acomodações de três estrelas (por mais um pouco, é possível aumentar o nível de luxo), todas as refeições, um guia credenciado, equipamento de campismo e de trekking, viagens domésticas (excluindo voos), e taxas e comissões.

Uma taxa diária de desenvolvimento sustentável de 55 euros está também incluída no pacote. Esta taxa destina-se a financiar a educação, os cuidados de saúde e o desagravamento da pobreza, mas também se destina à construção de infraestruturas que acomodem o aumento da indústria do turismo.

“A utilização das instalações de saúde do Butão está livre de encargos e a educação até ao liceu é também garantida pelo estado. Quem quer prosseguir os estudos pode fazê-lo gratuitamente até à obtenção do seu diploma superior”, explica-nos, via e-mail um representante do Bhutan Tourism Council

Existem imensas razões pelas quais o Butão é um país onde as emissões de carbono são negativas. Para além das suas florestas protegidas, detém o recorde mundial de maior quantidade de árvores plantadas por hora, diz Erin Levi, a autora de Bradt Travel Guide to Bhutan, um guia que será lançado brevemente.

“Tem fraca densidade populacional – é do mesmo tamanho da Suíça e tem apenas um décimo da população. Fez um lento caminho até ao desenvolvimento – a primeira estrada foi construída apenas nos anos 60, o que significa que as pessoas demoraram muito tempo a começar a poder comprar carros”, explica-nos Levi.

Mas não quer isto dizer que o país é complacente. “Apesar de tudo, só recentemente existe hora de ponta no trânsito de Thimphu, a única capital asiática onde não existem semáforos.”

 

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