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Visite o Único País do Mundo com Emissões de Carbono Negativas

O Butão integrou a sustentabilidade na sua identidade nacional. Terça-feira, 27 Março

Por Soo Youn

O Butão é possivelmente o país mais feliz do mundo. É também um dos mais ecológicos. E isto não é coincidência. De facto, o rei Jigme Singye Wangchuck criou o índice de Felicidade Interna Bruta baseado em quatro pilares: desenvolvimento sustentável, proteção ambiental, preservação cultural e boa governação. Outros países tomaram-no como exemplo, já que o reino dos Himalaias não tem apenas emissões neutras, mas sim negativas.

Também é notável que isto aconteça apesar do aumento do fluxo de turismo. Uma das formas que os estrangeiros têm para poder contribuir parece contraintuitiva: visitando o país.

Como destino turístico, o Butão permanece um local único, entalado entre dois vizinhos fortemente industrializados: a China e a Índia. A nação isolada só abriu as suas portas aos visitantes estrangeiros em 1974, e apenas permitiu a chegada da televisão em 1999.

O Butão integrou a sustentabilidade como uma característica da sua identidade nacional. “Os nossos monarcas iluminados foram incansáveis ao trabalhar para o desenvolvimento do nosso país, no cuidado de encontrar um equilíbrio entre o crescimento económico e o desenvolvimento social, a sustentabilidade ambiental e a preservação cultural, tudo isto dentro do enquadramento da boa governação”. Quem o diz é Tshering Tobgay, o primeiro-ministro do Butão, numa conferência TED Talk, de 2016.

Efetivamente, a Constituição do Butão estipula que 60% do seu território seja mantido e protegido como floresta. Uma das formas de manter o controle sobre esta situação foi refrear o impacto do turismo.

A menos que seja um nativo da Índia, do Bangladesh ou das Maldivas, precisará de um visto para explorar esta alegre área do sul da Ásia – não é possível fazer viagens por conta própria, só contratando o serviço de uma agência de turismo homologada pelo governo. Além do visto (34 euros), os turistas têm também de pagar uma taxa adicional que varia entre 170 e 212 euros, “a taxa de permanência diária”. A taxa pode confundir ou desencorajar potenciais visitantes. Vale, portanto, a pena clarificar o que é esta taxa. Inclui estadia em acomodações de três estrelas (por mais um pouco, é possível aumentar o nível de luxo), todas as refeições, um guia credenciado, equipamento de campismo e de trekking, viagens domésticas (excluindo voos), e taxas e comissões.

Uma taxa diária de desenvolvimento sustentável de 55 euros está também incluída no pacote. Esta taxa destina-se a financiar a educação, os cuidados de saúde e o desagravamento da pobreza, mas também se destina à construção de infraestruturas que acomodem o aumento da indústria do turismo.

“A utilização das instalações de saúde do Butão está livre de encargos e a educação até ao liceu é também garantida pelo estado. Quem quer prosseguir os estudos pode fazê-lo gratuitamente até à obtenção do seu diploma superior”, explica-nos, via e-mail um representante do Bhutan Tourism Council

Existem imensas razões pelas quais o Butão é um país onde as emissões de carbono são negativas. Para além das suas florestas protegidas, detém o recorde mundial de maior quantidade de árvores plantadas por hora, diz Erin Levi, a autora de Bradt Travel Guide to Bhutan, um guia que será lançado brevemente.

“Tem fraca densidade populacional – é do mesmo tamanho da Suíça e tem apenas um décimo da população. Fez um lento caminho até ao desenvolvimento – a primeira estrada foi construída apenas nos anos 60, o que significa que as pessoas demoraram muito tempo a começar a poder comprar carros”, explica-nos Levi.

Mas não quer isto dizer que o país é complacente. “Apesar de tudo, só recentemente existe hora de ponta no trânsito de Thimphu, a única capital asiática onde não existem semáforos.”

 

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