Viagem e Aventuras

Esta é a Razão por que a Patagónia é o Paraíso dos Escaladores

Quatro escaladores falam sobre o forte fascínio pela região sul americana.quarta-feira, 18 de abril de 2018

Por Emily Hopcian
Um alpinista escala a face norte da Torre Egger na Patagónia.

No extremo sul das Américas, ergue-se um lugar mágico e místico, a Patagónia.
É uma região vasta e remota, celebrada pelas suas histórias, que acolhe algumas das montanhas mais sublimes do nosso planeta – e de condições meteorológicas extremas.

O sonho de escalar na Patagónia reacende-se quando os olhos se detêm nos pináculos de granito e gelo que se elevam nos céus da região.

Os glaciares, os lagos alpinos e as florestas verdejantes no sopé das suas montanhas, que se insinuam únicas e sedutoras, são um convite à aventura - uma combinação irrequieta de medo e excitação.

Estendendo-se por uma área superior a 900 000 km2 ao longo da Argentina e do Chile, a Patagónia é o desafio supremo. Ela inquieta, ao mesmo tempo que inspira. Ela é promessa de um ritmo de vida simples, aventuras grandiosas e histórias improváveis. Ela é terra temperamental, dada a extremos, que nos instiga e testa os nossos limites. Na Patagónia, tudo é maior, tudo é mais arrojado, mais imponente e, sim, um tanto mais assustador. Para aqueles que querem escalar as suas paredes e subir ao alto das suas montanhas, ela exige paciência, preparação, experiência e tempo. Muito tempo.

O que faz, exatamente, da Patagónia o paraíso de um escalador? Escaladores em quatro dos locais mais emblemáticos da região partilham as suas visões.

O nascer do sol ilumina Fitz Roy, uma montanha que se ergue no campo de gelo no sul da Patagónia.

Oferece Diversidade

A cordilheira dos Andes atravessa a Patagónia de uma ponta à outra, oferecendo inúmeras paredes suplicando por quem as escale. Desde Bariloche a El Chaltén na Argentina e de Coyhaique a Torres del Paine no Chile, as montanhas dos Andes na Patagónia são um baú de tesouros para os escaladores que procuram paz, solidão e aventura.

“Para onde quer que olhes, há uma parede para escalar,” diz o chileno Nachita Mellado, de 15 anos, que costuma fazer escalada perto de Villa Cerro Castillo, no sul de Coyhaique. “A paisagem é estonteante e as possibilidades para desfrutar da sua beleza são infinitas.”

A americana Taylor Zehren, de 23 anos, que faz escalada em Bariloche há um ano, aprecia o vasto leque de níveis de escalada e as oportunidades de progressão que a Patagónia tem para oferecer.

“Para alguém que não é escalador profissional como eu,” afirma, “ter a oportunidade de escalar lado a lado com escaladores extraordinários, é fantástico. Aqui podes evoluir, evoluir e continuar a evoluir, porque há uma grande diversidade de vias com diferentes níveis de dificuldade. Faz-te querer escalar aqui mais e mais, aprender coisas novas e estar perto de pessoas que têm muito para te ensinar.”

É o Ponto de Partida para Cumes Inexplorados

A vastidão da Patagónia, a sua localização remota e as oscilações climáticas oferecem excelentes vias e cumes ainda por conquistar.

O chileno Javier Reyes Jerez, de 27 anos, passou os últimos seis verões a fazer escalada nas proximidades de Torres del Paine. Segundo ele, “a Patagónia é um campo de aventura com paredes gigantescas. Entre aquilo que já foi escalado e aquilo que está por explorar, há um mundo por descobrir.”

Na localidade de El Chaltén, o argentino Horacio Gratton, de 41 anos, tem estado a explorar as famosas montanhas que espreitam para a povoação desde os seus 18 anos. “Aqui, ainda se pode sentir a rudez das montanhas,” afirma. “Há vales por explorar e cumes sem vias de ascensão. No mundo, já não são muitas as oportunidades de ascender ao cume de uma montanha pela primeira vez.
Na Patagónia, sim.”

Um escalador tenta alcançar o cumo de La Calavera, uma via em Piedra Parada, na Patagónia.

Podes Escalar Sozinho

O que diferencia a Patagónia de outras mecas da escalada é que na Patagónia, facilmente, dá por si a escalar sozinho.

“Penso que é cada vez mais difícil, à medida que cresce a cultura de exterior, encontrar isolamento na natureza,” afirma Zehren. “Mas, aqui, não é preciso fazer grande esforço para estar completamente sozinho no meio deste cenário natural, absolutamente fantástico. Há lugares que se tornam muito movimentados, mas, se o teu objetivo é estar sozinho na Patagónia, estás sozinho.”

Tem os Seus Desafios

A Patagónia possui um clima único que fustiga o extremo sul da América do Sul.
Se conhece a Patagónia, saberá, certamente, que a neve, a chuva, os ventos ululantes e as abertas onde o sol espreita fazem parte do espírito.

“A Patagónia é a natureza no seu estado mais puro,” afirma Gratton. “O ambiente selvagem e hostil; o vento implacável; a conjunção de montanhas cobertas de neve, os lagos e as florestas que se fundem num enorme deserto até ao oceano.”

À medida que as condições meteorológicas se deslocam de oeste para este, as montanhas dos Andes sofrem os efeitos da violência dos elementos. As janelas de oportunidade para escalar ao cume de uma montanha na Patagónia são imprevisíveis, desafiantes e, muitas vezes, de curta duração.

“Conhecer a Patagónia e escalar as suas superfícies requer muita paciência,” afirma Jerez. “A Patagónia é muito difícil de explorar, e, com estas condições climáticas, precisas de muito tempo. Um mês, em regra, não é suficiente para superares os desafios que te apresenta.”

Zehren acrescenta que, até num dia ameno, o terreno das próprias montanhas constitui, por si só, um desafio.

“Muitas vezes, quando vais escalar, sentes-te bem contigo mesmo,” afirma.
“Na Patagónia, quando vais escalar, sentes que ainda tens muito que aprender.”

Um montanhista faz incidir a luz sobre um cume coberto de neve no maciço de Torres, na Patagónia.

Não Desilude

Por vezes tortuosa e sempre inspiradora, a Patagónia faz jus à sua fama. Se é possível resumir a essência da Patagónia em breves palavras, Mellado e Gratton fazem-no bem.

“Simplesmente, temos de desfrutar da Patagónia,” afirma Mellado. “As condições são hostis, mas esse é o seu encanto. Não fujam da Patagónia. O vento, a chuva, o frio e a incerteza — uma incerteza perigosa, mas divertida —  estão sempre lá. Podemos aprender a apreciar cada uma destas coisas. Nada se compara ao seu potencial, à sua beleza, àquela aura mágica e misteriosa que a envolve.”

“Para mim, as montanhas da Patagónia são ímpares,” afirma Gratton. “Os pináculos de rocha e gelo que se elevam nos céus. Se acrescermos a isso o ambiente geral — a natureza luxuriante, os glaciares gigantescos, as florestas virgens, o vasto deserto, as costas da Patagónia habitadas por pinguins e baleias, as pessoas, as aldeias turísticas alheias ao roubo ou ao crime, a distância de qualquer lugar, politicamente, perigoso — tudo isso faz da Patagónia um lugar absolutamente fantástico.”

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