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10 Factos Surpreendentes Sobre Yellowstone

O parque nacional mais antigo do mundo mudou a forma como as pessoas veem a natureza, deixando um legado para as gerações futuras. Wednesday, May 30, 2018

Por Kim Heacox
Vista aérea de Grand Prismatic Spring.

Yellowstone, o primeiro e ainda o mais conhecido parque nacional do mundo, foi constituído em 1872, no ano em que a ponte de Brooklyn foi construída e o presidente Ulysses S. Grant completou o seu primeiro mandato na Casa Branca, na altura denominada Mansão do Executivo. Nesse mesmo ano, Julio Verne estava a terminar a sua Volta ao Mundo em 80 Dias e Thomas Edison desenvolveu o telégrafo quadruplex. Mas nada mudou tanto o mundo como Yellowstone.

O novo parque ensinou às pessoas a importância de se ser comedido e de preservar os lugares de vida selvagem para que um dia eles possam salvar a humanidade.

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Retirados do novo livro da National Geographic, sob o título Os Parques Nacionais: Uma História Ilustrada, dez factos surpreendentes dão-lhe a conhecer Yellowstone e o seu legado.

1. Três anos antes da constituição do parque, o explorador David E. Folsom avistou pela primeira vez o lago de Yellowstone, em 1869, e descreveu-o como “uma cena de uma beleza transcendente”. O parque acolhia ainda outras maravilhas da natureza, incluindo desfiladeiros, bacias termais e formações rochosas, que “se assemelhavam a um velho castelo”.

2. Folsom e o seu colega explorador Charles W. Cook escreveram sobre a sua expedição em Yellowstone, mas tiveram dificuldade em vender a história à imprensa, porque os editores de revistas achavam-na demasiado rebuscada.

3. Quando os membros da expedição Washburn-Doane, realizada em 1870, regressaram a casa num estado de magreza e exaustão extremos, uma testemunha revelou que, à exceção de um, nenhum dos homens estava em condições de aparecer em público. No entanto, todos eles descreveram a experiência com entusiamo, como se tivessem descoberto um conto de fadas para crianças.

4. O pintor Thomas Moran, que integrou a expedição Hayden em 1871, pintou o Grand Canyon de Yellowstone numa tela de 2 por 4 metros, que vendeu ao Congresso norte-americano por um preço equivalente a 8600 euros. Foi a primeira pintura de uma paisagem a integrar a entrada do Senado dos Estados Unidos.

5. Quando foi constituído o Parque Nacional de Yellowstone, no Wyoming, as regiões de Idaho e Montana ainda não eram estados. Como tal, a proposta de constituição do parque não mereceu grande contestação por parte dos governos regionais e interesses comerciais locais. Segundo um congressista com uma visão mais alargada do futuro, o parque seria “um lugar ideal para os pulmões americanos respirarem ar puro”.

6. No início, os americanos entendiam que um só parque nacional era suficiente. Mas Yellowstone tinha os seus encantos e, com o tempo, tornou-se num motivo de orgulho nacional, tendo atraído pessoas de todos os quadrantes e criado a sua própria economia. E assim a ideia transformou-se naquilo que conhecemos hoje: milhares de parques nacionais dispersos pelo mundo.

7. No início, Yellowstone era administrado pelo Exército dos Estados Unidos até ser constituído o Serviço de Parques Nacionais dos Estados Unidos, em 1916. Durante décadas, o parque foi gerido para agradar aqueles que o visitavam, pelo que foram incluídas espécies de peixes não-nativas e foram abatidos lobos para aumentar a população de alces e de outros animais de pastagem, tão do agrado do público na altura.

8. No início dos anos 50, o professor A. Starker Leopold, o filho mais velho do autor e ecologista Aldo Leopold, disse aos estudantes do curso de licenciatura que, a manter-se assim a gestão das extensões de terra públicas, não tardaria que as florestas, sob a alçada do Serviço de Parques Nacionais, ardessem. Nenhum dos seus alunos lhe deu crédito. Cerca de 35 anos mais tarde, no verão de 1988, o Serviço de Parques Nacionais deixou que Yellowstone fosse consumida pelo fogo.

9. Durante esse verão quente, as empresas presentes no parque queixaram-se que os fogos iriam contribuir para desfigurar o parque e denegrir a paisagem natural e, por conseguinte, acabar com o turismo. Mas tal não aconteceu.

Yellowstone recebeu mais visitantes em 1989 do que em qualquer outro ano daquela década. A casca dos pinheiros queimados revelou-se uma excelente fonte de nutrientes para os alces. Os ursos-pardos multiplicaram-se. As sementes de faia preta surgiram em todos os lados. E nos oito anos seguintes foi identificada a presença de sementes do pinheiro branco nos 275 locais de estudo, monitorizados pelo Serviço de Parques Nacionais.

10. Após 70 anos de ausência, os lobos foram reintroduzidos em Yellowstone em 1995 e a medida foi muito bem sucedida, em todos os aspetos. “Um imenso oceano de alces e bisontes aguardava-os”, escreveu Rick Bass, um escritor de Montana.

Ao restabelecer o equilíbrio do ecossistema do parque, os lobos restituíram a vitalidade a um sem-número de espécies. Os alces deixaram de se comportar como gado em confinamento, tendo recuperado a agilidade e a atitude de alerta próprias da espécie. A vegetação voltou a cobrir as orlas ribeirinhas e os pequenos pássaros canoros regressaram.

“A cor foi devolvida à terra”, escreveu Bass. “Ou talvez nunca tenha sido apagada, como o pigmento no solo, mas apenas se tenha mantido impercetível durante algum tempo.”

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