Viagem e Aventuras

10 Formas de Conhecer o Mundo Numa Bolha de Vidro

Experiências para os momentos em que, seja por conforto, segurança ou pragmatismo, decida ver a paisagem natural através de uma bolha de vidro. Segunda-feira, 21 Maio

Por Bob Cooper

A experiência de contemplação da natureza é, geralmente, mais autêntica quando vivida sem filtros, sem nada entre si e as árvores, as abelhas e a brisa. Mas, por vezes, por razões de conforto, segurança ou pragmatismo, é melhor optar pela segunda melhor alternativa: observar a paisagem natural através de uma parede ou de uma bolha de vidro que oferece proteção dos elementos. É uma emoção muda fixar um tubarão a centímetros de distância num túnel subaquático de vidro ou uma indulgência aconchegante admirar as Luzes do Norte na Finlândia sobre uma cama gigante, no interior aquecido de um iglu envidraçado. Nestas dez viagens, o vidro acrescenta-lhes um toque de classe.

ALOJAMENTO EM IGLUS

Cabines de sauna privadas e amplas janelas são os elementos característicos dos quartos de Snowman World Glass Resort, na Aldeia do Pai Natal, na Finlândia. Pavimentos aquecidos e telhados de vidro térmico mantêm-no quente no interior dos iglus de vidro, que integram o Arctic Snow Hotel. E há ainda uma cerca para renas situada no exterior das cabines de telhados envidraçados na Aldeia das Luzes do Norte. Estas situam-se entre dezenas de alojamentos constituídos por iglus de vidro, que se podem encontrar no extremo norte da região da Lapónia, na Finlândia, permitindo aos hóspedes observar a aurora boreal num luxo aquecido.

PAUSA PARA O TUBARÃO

Os dois túneis subaquáticos, com 91 metros de comprimento, são a principal atração do aquário da baía de San Francisco, no cais 39. Aqui caminha-se ao longo de enormes piscinas de água salgada proveniente da baía, habitadas por um magote de esturjões, raias que se agitam, e múltiplas espécies de tubarões, incluindo o tubarão-bruxa, o maior predador na baía de San Francisco. Estas criaturas passam a centímetros de distância, ao nível dos olhos e por cima da cabeça.

UM ELEVADOR E TANTO

No filme Charlie e o Grande Elevador de Vidro, uma sequela do clássico filme infantil Charlie e a Fábrica de Chocolate, o elevador entra em órbita acidentalmente. O Elevador de Bailong, construído ao longo de um pilar de rocha maciço no Parque Nacional de Florestas de Zhangjiajie, no sul da China, não vai tão longe, mas eleva-se a 335 metros do solo. É quase tão alto como o Empire State Building. A viagem dura uns breves 66 memoráveis segundos, à medida que o ascensor se eleva sobre o desfiladeiro.

NÃO OLHE PARA BAIXO

O Parque Nacional de Florestas de Zhangjiajie, na China, não acolhe apenas o maior elevador de vidro do mundo, mas também a sua homóloga horizontal, a maior ponte de vidro do mundo. Concluída em 2016, a ponte de vidro de Zhangjiajie tem 402 metros de comprimento e aproximadamente 305 metros de altura, despertando receios em muitos visitantes, como se pode ver no vídeo. Os acrofóbicos talvez dispensem uma visita ao Grand Canyon Skywalk, uma passagem pedonal envidraçada, em forma de ferradura, que se estende por 21 metros sobre os 1219 metros de profundidade do desfiladeiro.

ANINHE-SE NO CÉU

Os quartos Skylodge Adventure Suites trouxeram um novo significado à expressão “em suspenso”. Cada cápsula, feita inteiramente de vidro, ergue-se suspensa sobre a extremidade de uma falésia, com vista sobre o Vale Sagrado de Cuzco, no Peru. Para aceder a este espaço fabuloso, é necessária energia para fazer uma pequena travessia por tirolesa ou escalar uma via ferrata, mas o seu guia recompensá-lo-á com um jantar gourmet e um bom vinho, antes de o deixar sozinho na companhia de condores, os seus vizinhos na falésia.

O HELICÓPTERO CERTO

A melhor vista aérea sobre muitas das maravilhas da natureza é aquela que é obtida a partir de um pássaro a motor. O amplo para-brisas e as grandes janelas laterais dos helicópteros turísticos permitem aos passageiros tirar fotografias aéreas dignas de uma publicação no Instagram. Muitos parques nacionais disponibilizam viagens de helicóptero, incluindo o Grand Canyon, Glacier, Yellowstone e os vulcões do Havai. Os preços variam largamente. Um voo de 15 minutos para sobrevoar o Parque Nacional de Torres del Paine, no Chile, pode ascender aos 255 euros, enquanto um pequeno voo com vista para as Great Smoky Mountains pode custar tão somente 26 euros.

VIAJAR SOB UMA CÚPULA

As cúpulas panorâmicas nas carruagens de comboios estão a tornar-se tão comuns quanto as perucas nas cabeças dos políticos, mas, enquanto estas servem para cobrir uma careca, as primeiras servem para alargar o horizonte para os passageiros. Dois comboios panorâmicos dos caminhos de ferro do Alasca incluem carruagens com telhados sob a forma de cúpulas de vidro; quatro ferrovias dos caminhos de ferro canadenses Rocky Mountaineer integram carruagens com cúpulas panorâmicas para que os passageiros possam usufruir da beleza das paisagens ao longo da zona ocidental do Canadá; e quatro ferrovias da Via Rail Canada incluem carruagens com cúpulas panorâmicas.

UM QUARTO NUMA BOLHA

Os quartos em forma de bolha são um apelo para viajantes aventureiros e minimalistas. Estes quartos são esféricos. Pode contemplar o céu estrelado deitado numa cama no interior de uma bolha praticamente toda transparente, assente sobre uma plataforma relativamente baixa.  A maioria destes quartos-bolha situam-se nas florestas, permitindo usufruir de uma certa privacidade. Este tipo único de alojamento pode ser encontrado em Attrap’Rêves, na zona rural francesa, perto de Marselha, em Finn Lough, na região rural da Irlanda do Norte, e noutros lugares da Europa.

BARCOS COM COBERTURAS ENVIDRAÇADAS

Uma viagem a céu aberto num barco panorâmico sob um calor abrasador, uma chuva torrencial ou com temperaturas frias perde toda a graça. E ser obrigado a recolher à zona coberta do barco implica perder a beleza da paisagem. A solução passa por barcos de recreio, com superfícies envidraçadas e zonas climatizadas, que se multiplicaram nos rios que atravessam cidades como Chicago, Paris, Copenhaga, Singapura e Estrasburgo. Melhor ainda, o barco com cobertura envidraçada que atravessa regularmente o rio Neckar em Heidelberg é alimentado a energia solar, proporcionando uma viagem silenciosa e sem emissão de carbono.

SUBTERRÂNEOS COM CHÃO EM VIDRO

Barcos com pavimentos envidraçados, submarinos, semi-submersíveis e até mesmo caiaques permitem-lhe entrar no mundo das criaturas marinhas sem equipamento ou molhar sequer os pés.  Grande parte da viagem na Grande Barreira de Coral, tal como os mini-submarinos Quicksilver que partem de um pontão, são concebidos para otimizar a experiência de observação dos peixes tropicais através de amplas janelas laterais. Os submarinos no Havai e os caiaques na Nova Zelândia são dois outros meios para observar a vida marinha de perto.

VEJA AS FOTOS DESTAS 9 MARAVILHAS ARQUITETÓNICAS INSPIRADAS NA NATUREZA.

Bob Cooperum escritor de viagens estabelecido na Califórnia, é um antigo colaborador da revista National Geographic Traveler.

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