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Viagem Assustadora Pelas Capelas de Ossos Mais Conhecidas da Europa

A Capela dos Ossos de Évora certamente não lhe é desconhecida. Sabia que só em Portugal há mais cinco? Conheça as capelas mais assustadoras da Europa. Quarta-feira, 23 Maio

Por National Geographic

À semelhança da nossa Capela dos Ossos de Évora, mais países têm as suas capelas de ossos e ossuários. Estas construções são comuns na Europa e existem há centenas de anos, sendo que as mais antigas remontam ao século VI a.C. Os ossos humanos sempre foram alvo de grande obsessão, sendo-lhes associada uma grande componente mística, desde sempre.

Há séculos, os cemitérios eram muito mais pequenos que os de hoje em dia, e era prática comum fazer a exumação dos corpos, passados anos do enterro, para que outros pudessem lá ser enterrados. Os ossos e esqueletos que eram retirados das sepulturas eram guardados em áreas geralmente próximas a cemitérios ou mosteiros, de forma a ficarem seguros.

Ao longo do tempo, e por razões muito relacionadas com superstições e misticismos, tornou-se prática comum colocar os ossos e crânios em exposição. Estas ostentações de ossos eram normalmente formas de avisar e relembrar a população – então muito religiosa – da mortalidade e da efemeridade da vida.

Associados aos restos mortais, nas capelas de ossos e ossuários, existem muitas vezes “mensagens” ou lemas, que remetem para a transitoriedade da vida, e para o desapego do “mundo material”.

Existe um número ainda desconhecido de capelas de ossos e ossuários em todo o mundo. No entanto, estima-se que grande parte dos da Europa sejam conhecidos.

ÉVORA, PORTUGAL – CAPELA DOS OSSOS

A Capela dos Ossos em Évora remonta ao século XVII e faz parte da menos conhecida Igreja de S. Francisco.

Foi construída por iniciativa de três monges franciscanos com o objetivo de representar a transitoriedade da vida. Mais de cinco mil ossos e crânios adornam as paredes, teto e colunas, e até o exterior desta capela, provenientes dos cemitérios da cidade.

Há ainda dois esqueletos inteiros pendurados, sendo um deles o de uma criança. A Capela dos Ossos representa uma alegoria à morte, e pode ler-se na entrada o mote “Nós ossos que aqui estamos, pelos vossos esperamos.” Esta é a mais famosa, mas existem mais cinco capelas de ossos na região de Algarve e Alentejo.

CRIPTA DOS CAPUCHINHOS – ROMA, ITÁLIA

A Cripta dos Capuchinhos, do século XVII, pertence à Igreja de Nossa Senhora da Conceição dos Capuchinhos.

Em 1631, quando se completou a sua construção, o cardeal Antonio Barberini ordenou que os milhares de frades sepultados no convento fossem exumados e transferidos para a cripta. Os ossos foram colocados nas paredes e os frades sepultados aí até 1870, quando foi proibido. Além de ossos e crânios espalhados pelas paredes, há sepulturas e inclusive esqueletos completos e vestidos com os trajes franciscanos. À entrada da cripta lê-se “O que vós sois, nós já fomos; o que nós somos, vós sereis.”

OSSUÁRIO DE SEDLEC – SEDLEC, REPÚBLICA CHECA

O ossuário de Sedlec é uma pequena capela católica que fica por baixo da Igreja e Cemitério de todos os Santos, na cidade de Kutná Hora.

Por volta do ano de 1400 foi construída a Igreja no meio do cemitério que já lá havia. Com o crescimento do cemitério e com todos os ossos exumados para construção da igreja, começou a armazenar-se as ossadas no interior do ossuário. A sua decoração macabra só se deu em 1870, pelo xilógrafo František Rint. Rint elaborou um candelabro gigante com vários ossos de todo o corpo, bem como várias grinaldas feitas de crânios.

OSSUÁRIO MEDIEVAL – WAMBA, ESPANHA

Em Valladolid existe um pequeno ossuário na parte norte da Igreja de Santa Maria. É nesta igreja que está sepultada a D. Urraca de Portugal.

Nas paredes deste ossuário estão crânios e ossos de mais de 3000 monges, que foram depositados e cimentados entre os séculos XIII e XVII. Numa das paredes do ossuário lê-se “Como te vês, eu me vi. Como me vês, tu verás. Tudo acaba nisto aqui. Pensa [nisso] e não pecarás.”

CASA DOS OSSOS – HALLSTATT, AUSTRIA

A Casa dos Ossos austríaca é uma pequena capela com um cemitério adjacente. Como o cemitério é bastante pequeno, em 1720 os ossos enterrados foram exumados, e os crânios foram limpos e colocados a branquear ao sol, para depois serem pintados.

As decorações nos crânios incluem os nomes das famílias, ou o nome do falecido, flores, cruzes, e o ano da morte. Dos 1200 crânios na Casa dos Ossos de Hallstatt, cerca de metade estão decorados e expostos em prateleiras, com estilos muito característicos do ano em que foram pintados.

OSSUÁRIO DA IGREJA DE SAN BERNARDINO ALLE OSSA – MILÃO, ITÁLIA

A capela dos ossos que existe em Milão é resultado da reconstrução em 1676 do ossuário original, que data de 1200. Os ossos que decoram a capela num estilo barroco são provenientes de um cemitério vizinho, e há quem diga que são os ossos dos cidadãos milaneses católicos que pereceram na luta contra a heresia.

OSSUÁRIO DAS CATACUMBAS DE PARIS – PARIS, FRANÇA

As catacumbas de Paris são famosíssimas em parte pelo seu ossuário. Estima-se que haja aqui entre cinco a sete milhões de esqueletos. E se agora se encontra organizado, com os ossos e crânios a decorar as paredes em padrões geométricos, nem sempre foi assim. Antes de 1781, as ossadas eram atiradas para os túneis das catacumbas, sem ordenação.

CAPELA DOS CRÂNIOS – CZERMNA, POLÓNIA

A capela dos crânios ou igreja de S. Bartolomeu, é uma pequena igreja com um exterior modesto, na cidade de Czermna, na Polónia. Foi construída durante os anos 1776 a 1804, no local que funcionava como vala comum para os falecidos na Guerra dos Trinta Anos, e noutras, e ainda para vítimas de cólera, peste e sífilis.

Aquando da sua construção, o padre Wacław Tomaszek reparou que havia mais de 20 mil esqueletos enterrados, e decidiu limpá-los e revestir as paredes da capela com ossos e crânios. Entre os mais de 3000 ossos, há um crucifixo com uma inscrição em latim que remete para os pecados cometidos em vida e que serão “pagos” na morte.

Apesar de hoje em dia não se ter este hábito por se considerar macabro e mórbido, há séculos atrás esta devoção não era vista como tal. Diversas organizações religiosas responsáveis por estes monumentos dizem que o objetivo era efetivamente lembrar a população de que a vida era só uma passagem para o “outro mundo”, apelar ao desapego dos bens materiais, e a um estilo de vida “sem pecado”. Atualmente, são das atrações turísticas mais procuradas!

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