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Viagem Assustadora Pelas Capelas de Ossos Mais Conhecidas da Europa

A Capela dos Ossos de Évora certamente não lhe é desconhecida. Sabia que só em Portugal há mais cinco? Conheça as capelas mais assustadoras da Europa.

Publicado 23/05/2018, 16:21

À semelhança da nossa Capela dos Ossos de Évora, mais países têm as suas capelas de ossos e ossuários. Estas construções são comuns na Europa e existem há centenas de anos, sendo que as mais antigas remontam ao século VI a.C. Os ossos humanos sempre foram alvo de grande obsessão, sendo-lhes associada uma grande componente mística, desde sempre.

Há séculos, os cemitérios eram muito mais pequenos que os de hoje em dia, e era prática comum fazer a exumação dos corpos, passados anos do enterro, para que outros pudessem lá ser enterrados. Os ossos e esqueletos que eram retirados das sepulturas eram guardados em áreas geralmente próximas a cemitérios ou mosteiros, de forma a ficarem seguros.

Ao longo do tempo, e por razões muito relacionadas com superstições e misticismos, tornou-se prática comum colocar os ossos e crânios em exposição. Estas ostentações de ossos eram normalmente formas de avisar e relembrar a população – então muito religiosa – da mortalidade e da efemeridade da vida.

Associados aos restos mortais, nas capelas de ossos e ossuários, existem muitas vezes “mensagens” ou lemas, que remetem para a transitoriedade da vida, e para o desapego do “mundo material”.

Existe um número ainda desconhecido de capelas de ossos e ossuários em todo o mundo. No entanto, estima-se que grande parte dos da Europa sejam conhecidos.

ÉVORA, PORTUGAL – CAPELA DOS OSSOS

A Capela dos Ossos em Évora.
Fotografia por Nuno Sequeira André

A Capela dos Ossos em Évora remonta ao século XVII e faz parte da menos conhecida Igreja de S. Francisco.

Foi construída por iniciativa de três monges franciscanos com o objetivo de representar a transitoriedade da vida. Mais de cinco mil ossos e crânios adornam as paredes, teto e colunas, e até o exterior desta capela, provenientes dos cemitérios da cidade.

Há ainda dois esqueletos inteiros pendurados, sendo um deles o de uma criança. A Capela dos Ossos representa uma alegoria à morte, e pode ler-se na entrada o mote “Nós ossos que aqui estamos, pelos vossos esperamos.” Esta é a mais famosa, mas existem mais cinco capelas de ossos na região de Algarve e Alentejo.

CRIPTA DOS CAPUCHINHOS – ROMA, ITÁLIA

Interior da Cripta dos Capuchinhos, com os esqueletos vestidos com os trajes dos frades.
Fotografia por JVL

A Cripta dos Capuchinhos, do século XVII, pertence à Igreja de Nossa Senhora da Conceição dos Capuchinhos.

Em 1631, quando se completou a sua construção, o cardeal Antonio Barberini ordenou que os milhares de frades sepultados no convento fossem exumados e transferidos para a cripta. Os ossos foram colocados nas paredes e os frades sepultados aí até 1870, quando foi proibido. Além de ossos e crânios espalhados pelas paredes, há sepulturas e inclusive esqueletos completos e vestidos com os trajes franciscanos. À entrada da cripta lê-se “O que vós sois, nós já fomos; o que nós somos, vós sereis.”

OSSUÁRIO DE SEDLEC – SEDLEC, REPÚBLICA CHECA

Vista do Interior do Ossuário de Sedlec, na República Checa
Fotografia por Marcin Szala

O ossuário de Sedlec é uma pequena capela católica que fica por baixo da Igreja e Cemitério de todos os Santos, na cidade de Kutná Hora.

Por volta do ano de 1400 foi construída a Igreja no meio do cemitério que já lá havia. Com o crescimento do cemitério e com todos os ossos exumados para construção da igreja, começou a armazenar-se as ossadas no interior do ossuário. A sua decoração macabra só se deu em 1870, pelo xilógrafo František Rint. Rint elaborou um candelabro gigante com vários ossos de todo o corpo, bem como várias grinaldas feitas de crânios.

OSSUÁRIO MEDIEVAL – WAMBA, ESPANHA

Parede do Ossuário Medieval de Wamba, em Espanha, coberta de crânios.
Fotografia por Fundación Joaquín Díaz

Em Valladolid existe um pequeno ossuário na parte norte da Igreja de Santa Maria. É nesta igreja que está sepultada a D. Urraca de Portugal.

Nas paredes deste ossuário estão crânios e ossos de mais de 3000 monges, que foram depositados e cimentados entre os séculos XIII e XVII. Numa das paredes do ossuário lê-se “Como te vês, eu me vi. Como me vês, tu verás. Tudo acaba nisto aqui. Pensa [nisso] e não pecarás.”

CASA DOS OSSOS – HALLSTATT, AUSTRIA

Caveiras pintadas na Beinhaus, em Hallstatt, Áustria.
Fotografia por Wolfgang Sauber

A Casa dos Ossos austríaca é uma pequena capela com um cemitério adjacente. Como o cemitério é bastante pequeno, em 1720 os ossos enterrados foram exumados, e os crânios foram limpos e colocados a branquear ao sol, para depois serem pintados.

As decorações nos crânios incluem os nomes das famílias, ou o nome do falecido, flores, cruzes, e o ano da morte. Dos 1200 crânios na Casa dos Ossos de Hallstatt, cerca de metade estão decorados e expostos em prateleiras, com estilos muito característicos do ano em que foram pintados.

OSSUÁRIO DA IGREJA DE SAN BERNARDINO ALLE OSSA – MILÃO, ITÁLIA

Detalhe do fresco por Sebastiano Ricci, no Ossuário de San Bernadino alle Ossa, Milão.
Fotografia por G.dallorto

A capela dos ossos que existe em Milão é resultado da reconstrução em 1676 do ossuário original, que data de 1200. Os ossos que decoram a capela num estilo barroco são provenientes de um cemitério vizinho, e há quem diga que são os ossos dos cidadãos milaneses católicos que pereceram na luta contra a heresia.

OSSUÁRIO DAS CATACUMBAS DE PARIS – PARIS, FRANÇA

Galerias do Ossuário das Catacumbas de Paris, França.
Fotografia por ignis

As catacumbas de Paris são famosíssimas em parte pelo seu ossuário. Estima-se que haja aqui entre cinco a sete milhões de esqueletos. E se agora se encontra organizado, com os ossos e crânios a decorar as paredes em padrões geométricos, nem sempre foi assim. Antes de 1781, as ossadas eram atiradas para os túneis das catacumbas, sem ordenação.

CAPELA DOS CRÂNIOS – CZERMNA, POLÓNIA

Interior da Capela dos Crânios de Czermna, Polónia.
Fotografia por Merlin

A capela dos crânios ou igreja de S. Bartolomeu, é uma pequena igreja com um exterior modesto, na cidade de Czermna, na Polónia. Foi construída durante os anos 1776 a 1804, no local que funcionava como vala comum para os falecidos na Guerra dos Trinta Anos, e noutras, e ainda para vítimas de cólera, peste e sífilis.

Aquando da sua construção, o padre Wacław Tomaszek reparou que havia mais de 20 mil esqueletos enterrados, e decidiu limpá-los e revestir as paredes da capela com ossos e crânios. Entre os mais de 3000 ossos, há um crucifixo com uma inscrição em latim que remete para os pecados cometidos em vida e que serão “pagos” na morte.

Apesar de hoje em dia não se ter este hábito por se considerar macabro e mórbido, há séculos atrás esta devoção não era vista como tal. Diversas organizações religiosas responsáveis por estes monumentos dizem que o objetivo era efetivamente lembrar a população de que a vida era só uma passagem para o “outro mundo”, apelar ao desapego dos bens materiais, e a um estilo de vida “sem pecado”. Atualmente, são das atrações turísticas mais procuradas!

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