7 “Cidades Fantasma” Abandonadas Pela História

As cidades fantasma transportam-nos para tempos idos, cenários pós-apocalípticos, ou para histórias de terror. Conheça 7 cidades abandonadas pela História.quinta-feira, 21 de junho de 2018

Por National Geographic

algo de fascinante que nos impele a querer conhecer e visitar em cidades que, outrora vibrantes e cheias de vida, estão desertas e desoladas, esquecidas pela História. As cidades fantasma de todo o mundo atraem turistas, curiosos, ou apenas pessoas que querem relembrar. Algumas são assustadoras, outras nostálgicas, mas, sem dúvida, todas elas são fascinantes.

O número exato de cidades, localidades, aldeias, entre outros, sem habitantes no mundo não é conhecido, mas, sabe-se que ultrapassa as 200, principalmente na Europa. De facto, em Portugal temos três aldeias fantasma: Picões, em Valpaços; Vilarinho das Furnas, em Terra de Bouros; e Aldeia de Broas, em Mafra. O país europeu onde há mais cidades abandonadas é na Itália.

Assim, apresentamos uma lista com sete cidades fantasma, espalhadas pelo globo, que ficaram despovoadas algures no tempo, e que são autênticos museus de ausência.

PYRAMIDEN - SVALVARD, NORUEGA

Busto de Lenin na praça principal de Pyramiden.
Busto de Lenin na praça principal de Pyramiden.
fotografia de Bjoertvedt / CC BY-SA 3.0 / Wikimedia Commons

No arquipélago de Svalbard, a norte da Noruega, jaz a cidade fantasma de Pyramiden. Esta cidade foi fundada por baleeiros suecos em 1910, e vendida à União Soviética em 1927. O propósito de Pyramiden, que em tempos alojou cerca de 1000 habitantes, era uma cidade de exploração mineira que terminou em 1988, ano em que foi abandonada.

Os que lá viviam dizem que a evacuação da cidade se deu “da noite para o dia”, tanto que é possível ver pratos limpos nas cantinas das escolas, roupas e lençóis dobrados nas casas, ou os equipamentos usados pelos mineiros exatamente no sítio onde foram deixados ao fim de um dia de trabalho.

De 1988 e até 2007 a cidade esteve deserta, e desde então tornou-se uma atração turística. Há, agora, excursões em várias línguas, e até um hotel. As únicas pessoas que lá vivem – os números variam de 5 a 30 – são os encarregados de manter a cidade e prepará-la para a chegada dos turistas.

KOLMANSKOP, NAMÍBIA

Vista aérea da cidade fantasma de Kolmanskop.
Vista aérea da cidade fantasma de Kolmanskop.
fotografia de SkyPixels / CC BY-SA 4.0/Wikimedia Commons
A areia invade as construções.
A areia invade as construções.
fotografia de Harald Süpfle / CC BY 2.5 / Wikimedia Commons

Kolmanskop é uma cidade fantasma no deserto da Namíbia (Este País É o Seu Próximo Destino de Férias), a cerca de 10 km de Lüderitz. A cidade foi construída em 1908, e habitada por alemães, com o propósito de explorar diamantes. Foi abandonada em 1954 devido ao esgotamento das pedras preciosas. Nos seus 46 anos de existência, Kolmanskop teve mais de mil habitantes, alemães e nativos, um hospital, uma sala de festas, uma escola, teatro, casino e até uma estação de raios X.

Atualmente, quem visita a cidade fantasma de Kolmanskop encontra casas em ruínas invadidas por areia, edifícios envoltos em dunas, e zero habitantes. Esta cidade atraiu, no entanto, vários realizadores que a usaram como cenários em filmes e séries de televisão. Para visitar a cidade e as suas ruínas é necessária, por razões de segurança, uma permissão do governo.

ORADOUR-SUR-GLANE, FRANÇA

Carcaça de carro após mais de 70 anos.
Carcaça de carro após mais de 70 anos.
fotografia de TwoWings / Calibas / CC BY-SA 3.0 / Wikimedia Commons

A comuna francesa da Nova Aquitânia, Oradour-sur-Glane, foi o palco de um massacre, a 10 de Junho de 1944, perpetrado pelas tropas da SS. Antes disso, e desde a época medieval, Oradour-sur-Glane era uma pequena vila que tinha uma escola, uma igreja e mais de 600 habitantes que viviam em harmonia. Quatro dias depois do “Dia D”, um massacre inexplicavelmente barbárico aconteceu em Oradour-sur-Glane, e 642 pessoas – quase toda a população – foram fuziladas, asfixiadas ou queimadas vivas.

Desde então, e por ordem do antigo presidente Charles De Gaulle, a cidade mantém-se intacta, e serve como uma lembrança, um memorial, dos eventos brutais que lá se passaram. A agora cidade fantasma de Oradour-sur-Glane, também chamada de cidade-mártir, possui um museu e permite visitas ao público. Na entrada pode ler-se “Souviens-toi”, ou “Lembra-te”.

PRIPYAT, UCRÂNIA

Parque de diversões abandonado.
Parque de diversões abandonado.
fotografia de Justin Stahlman / Bumper cars / CC BY 2.0 7 Wikimedia Commons
Ruínas da piscina municipal abandonada.
Ruínas da piscina municipal abandonada.
fotografia de Timm Suess via Flickr

Pripyat é uma cidade fantasma ucraniana, perto da fronteira com a Bielorrússia. Esta cidade era uma cidade normal até ao desastre nuclear de Chernobyl, a 26 de Abril de 1986. Devido à proximidade de Pripyat e Chernobyl, a cidade foi profundamente afetada pela radiação libertada no maior acidente nuclear da História. Foi completamente evacuada nos dias seguintes, à exceção de muito poucas pessoas que se recusaram a sair, cientes dos riscos de saúde a que estariam a expor-se.

Atualmente, pensa-se que três pessoas, idosas, ainda vivam em Pripyat, e um grupo composto de cientistas, investigadores e militares tem acesso à cidade. No entanto, a entrada na cidade é ilegal, e é necessária uma permissão especial do Governo. Nas ruínas da cidade, invadidas por plantas e fungos, podem encontrar-se objetos mundanos que foram deixados para trás, como brinquedos, livros ou fotografias. Os cientistas estimam que só dentro de 900 anos é que os níveis de radiação serão seguros para que alguém possa voltar a habitar a cidade fantasma de Pripyat.

VAROSHA – FAMAGUSTA, CHIPRE

Vista da entrada do distrito de Varosha.
Vista da entrada do distrito de Varosha.
fotografia de TomasNY / CC BY 2.5 / Wikimedia Commons

Varosha, apesar de considerada uma cidade fantasma, não é tecnicamente uma cidade, mas sim um distrito da cidade de Famagusta, no Chipre. Na década de 70, Varosha era o maior destino turístico do Chipre, pelo que se construíram imensos prédios e hotéis. Tudo florescia, até 1974, altura em que se deu a invasão de Famagusta pelas tropas turcas. O exército ocupou Varosha, e os seus habitantes – cerca de 39 mil – foram desalojados.

Desde então, o distrito de Varosha está ainda sob o controlo do Estado turco, embora tenha sido decretado em 1984 pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas a proibição de ocupação da zona por qualquer pessoa que não tenha sido habitante. Assim, as forças armadas turcas não podem repovoar a área. Na ausência de habitantes, e não havendo manutenção, as ruas e edifícios outrora lindíssimos de Varosha continuam a deteriorar-se. As construções foram invadidas pela natureza, e plantas e animais são os únicos habitantes.

ILHA DE HASHIMA, JAPÃO

Vista aérea da Ilha de Hashima.
Vista aérea da Ilha de Hashima.
fotografia de Kntrty via Flickr

Hashima é uma ilha no Japão que ganhou o título de cidade fantasma depois de ter sido completamente evacuada, e abandonada, em 1974. A história de Hashima começa em 1890, quando a Mitsubishi comprou a ilha e iniciou um projeto de extração de carvão em minas submarinas. Em 1959, mais de 5200 pessoas viviam em Hashima. No entanto, em 1960, por altura da substituição do carvão por petróleo no Japão, as minas de carvão por todo o país foram fechando, tal como as de Hashima. A Mitsubishi anunciou formalmente o encerramento das atividades na ilha, em 1974, e toda a população saiu.

Apartamentos em ruínas, Hashima.
Apartamentos em ruínas, Hashima.
fotografia de Jordy Meow / CC BY-SA 3.0 / Wikimedia Commons

Em 1999, o acesso à ilha de Hashima foi restabelecido, e em 2007 foram iniciadas visitas turísticas. Esta cidade fantasma suscita muita curiosidade por parte de turistas, entusiastas de ruínas, e por realizadores de cinema. Por ter sido uma cidade completamente industrial, tem dezenas de edifícios de betão característicos de um dado período arquitetónico no Japão. Contudo, a natureza vence sempre, e as construções estão a ser tomadas por plantas várias, bem como por pássaros e outros animais que se instalaram na ilha. Atualmente, Hashima está sob a jurisdição de Nagasaki – detentora de várias cidades fantasma.

TYNEHAM – DORSET, INGLATERRA

Igreja e cemitério de Tylenham, com visitas de turistas.
Igreja e cemitério de Tylenham, com visitas de turistas.
fotografia de Tuuraan78 / CC BY 3.0 / Wikimedia Commons

A história da vila de Tyneham, em Inglaterra é, no mínimo, curiosa. Esta vila foi completamente despojada dos seus habitantes por altura da Segunda Guerra Mundial, em 1943, pelo Departamento de Guerra britânico. O departamento que agora constitui o Ministério da Defesa, evacuou os moradores, medida supostamente temporária, para usar a vila como um local de treino militar e de construção de artilharia. Os então 225 moradores de Tyneham partiram pouco antes do Natal de 1943, na esperança de, no fim da guerra, voltarem às suas casas, tendo ajudado a nação com o seu sacrifício.

No entanto, não foi bem assim. Depois do final da guerra, em 1948, o exército expropriou Tyneham, mantendo a vila, agora considerada uma cidade fantasma, sob a sua alçada até hoje. Em 2008, Tyneham foi reaberta ao público, para turismo, tendo dois museus. Mas cuidado, na vila podem ler-se vários avisos sobre minas que não explodiram e outros explosivos, pelo que os visitantes são aconselhados a manter-se nos percursos oficiais.

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