Viagem e Aventuras

Alpinistas Alcançam o Cume do Vulcão Mais Alto da América do Norte

Nos arredores da capital do México, vulcões cobertos de neve desafiam alpinistas de montanha a atingir novas altitudes.Tuesday, June 5, 2018

Por James Burch

Sob a fronteira entre os estados mexicanos de Puebla e Vera Cruz, ergue-se o Pico de Orizaba, com mais de 5608 metros de altitude, reclamando para si dois superlativos: o da montanha mais alta do México e o do vulcão mais alto da América do Norte.  

A sua silhueta impõe-se na paisagem, sendo, muito possivelmente, visível a partir dos navios estacionados no Golfo do México, a cerca de 113 quilómetros de distância.

O Pico de Orizaba, também conhecido por Citlaltépetl, na língua indígena Nahuatl, é um destino óbvio para muitos alpinistas internacionais. É majestoso, com boas vias e muito acessível, situando-se nas proximidades das cidades de Puebla e México. (Recomenda-se uma visita à cidade do México.)

O que não significa que esteja isento de riscos. Recentemente, há alguns meses, um grupo de pessoas perdeu a vida na montanha.

Os companheiros de escalada Jeven Dovey e Carlos Bonilla conheceram-se quando ascendiam ambos ao cume do Monte Rainier, tendo alcançado juntos outros cumes na cordilheira de Cascade. (Experimente esquiar no Monte Rainier.) Apoiando-se reciprocamente, decidiram subir duas montanhas do México naquela que seria a sua primeira incursão em solo estrangeiro e a mais alta tentativa de ascensão até ao momento.

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A expedição guiada, organizada pela RMI Expedition, sob a coordenação de Mike King, incluiu também uma incursão a Iztaccíhuatl, designado abreviadamente por Izta, situado nos arredores da cidade do México. Tal como o Pico de Orizaba, Izta integra a extensa cordilheira vulcânica transmexicana. Ambos os vulcões estão adormecidos, ao contrário do Popocatépetl, um vulcão muito ativo contíguo ao Itza.

Mas a ascensão ao Itza teve de ser suspensa a apenas 305 quilómetro do cume. O tempo que levaria a concluir a via teria deixado a dupla exposta a uma tempestade iminente. Os guias já tinham sido surpreendidos por uma tempestade elétrica e não havia a mínima dúvida de que a opção tomada, ainda que desanimadora, era a mais acertada.

O tempo estava, relativamente, melhor na subida ao Orizaba, com a temperatura a rondar o -12o Celsius. Para manter os elementos a seu favor, a dupla optou por uma técnica conhecida do alpinismo, partindo durante a noite para evitar eventuais tempestades, com maiores probabilidades de atingir certas zonas durante o dia. O início antecipado tem um preço: exaustão em altitude, ainda um desafio após alguns dias de adaptação.

A total ausência de precipitação seria, contudo, o maior desafio que poderiam enfrentar. A estação seca tinha transformado o glaciar num manto de gelo azul, tornando arriscada a ascensão ao cume. A via alternativa, coberta por rochas soltas, também não estava isenta de perigos e Dovey conhecia-os bem. Numa outra subida, um encontro com uma rocha em queda tê-lo-ia projetado da montanha, não fosse estar acompanhado. Bonilla revelou-se um verdadeiro salva-vidas naquele momento.

A queda de neve durante a estadia da dupla no acampamento-base em Orizaba permitiu-lhes prosseguir a ascensão em direção ao cume, evitando assim o glaciar despido e escorregadio. (Saiba mais sobre o alpinismo de glaciares na Islândia). 

A partida antecipada permitiu-lhes alcançar a cratera, situada a poucos metros abaixo do cume, ainda a tempo de desfrutar da luz da manhã, oferecendo uma panorâmica singular. A partir daí, um pequeno contingente de três alpinistas, Dovey, Bonilla e o novo amigo Seth Redden, escalou em direção ao cume, fazendo-se acompanhar por King, animados pela perspetiva de uma panorâmica a 360o e um ímpeto emocional. No total, a subida durou cerca de oito horas.

Dovey quis partilhar os vídeos da sua própria experiência para encorajar outros a proporem-se a desafios semelhantes. O alpinismo de montanha não fez parte das primeiras etapas da sua vida e, atualmente, ele desfruta a oportunidade de alcançar aquilo que se esconde para lá da montanha. (Descubra como iniciar-se no alpinismo de montanha.)  A opção de integrar numa expedição guiada permitiu alcançar os objetivos, com uma dose ajustada de falhas e frustração e, simultaneamente, identificando e evitando os riscos, sempre se apresentavam excessivos.

Bonilla, Dovey e Redden preparam-se agora para ascender ao cume do vulcão de Cotopaxi, situado a cerca de 5895 metros de altitude, no Equador.

PREPARADO para subir ao cume do Pico de Orizaba? Siga os passos destes montanhistas.

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