Viagem e Aventuras

Foi Assim que Estes Alpinistas se Prepararam para Subir ao Cume de uma das Montanhas Mais Conhecidas

Uma equipa composta pela elite do alpinismo polaco vai tentar escalar uma das montanhas mais mortais do Planeta — um feito que nunca ninguém realizou.sexta-feira, 1 de junho de 2018

Por Sarah Gibbens
A lua cheia ilumina o K2.

Nos picos mais altos do K2, a segunda montanha mais alta do mundo, a velocidade das rajadas de vento começa a rivalizar com a dos furações. Estreitas correntes de jato rasgam as vertentes da montanha, ameaçando derrubar quem quer que esteja nas suas rampas.

O vento é apenas um dos riscos de escalar a K2. No inverno, as temperaturas na montanha de 8535 metros de altitude caem abaixo dos 27 graus celsius negativos. O dia tem apenas algumas horas de luz. E tem algumas das inclinações mais íngremes do mundo.

Apenas 14 montanhas no mundo têm mais de oito mil metros de altura. Já todas foram escaladas no inverno, exceto a K2, apesar de as tentativas terem começado em 1987, e prosseguido em 2002 e 2012. Mas uma equipa dos melhores alpinistas polacos irá partir hoje, numa tentativa de fazer história ao atingir o cume da K2 no inverno.

A equipa, que é composta por 13 alpinistas, voará da Polónia até Islamabade, no Paquistão, onde irão viajar até à fronteira montanhosa que o país faz com a China. Uma vez chegados, serão necessários pelo menos 100 carregadores para transportar uma tonelada de equipamento fundamental para o estabelecimento do acampamento de base.

Apenas o Monte Evereste, com 8848 metros de altura, se eleva acima da K2, cujo pico se situa a 8610 metros acima do nível médio das águas do mar. O cume da montanha já foi atingido por alpinistas, mas apenas na primavera e verão, quando as condições são menos perigosas, e no inverno a montanha já foi parcialmente escalada, mas nunca ninguém conseguir chegar ao pico no inverno.

PREPARAÇÃO PARA FAZER HISTÓRIA

A K2 é uma montanha mais letal do que o Evereste, e já sucumbiram 84 pessoas na montanha desde que se começou a contar. Apenas 306 pessoas chegaram ao cume, comparadas com as mais de quatro mil que já completaram a ascensão ao Monte Evereste.

A cordilheira Caracórum, à qual pertence a K2, é mais fria do que a cordilheira dos Himalaias, observa a alpinista e escritora Bernadette McDonald, autora de um livro sobre o alpinismo polaco.

“A combinação de dificuldade, temperatura e vento fazem dela um objetivo formidável”, diz-nos acerca da nova expedição.

Michał Leksiński, um porta voz da expedição, observa que “enviámos pessoas ao espaço e pusemos alguém na lua, mas nunca ninguém esteve no cume da K2 durante o inverno.”

A equipa polaca tem-se vindo a preparar há já quase dois anos, abastecendo-se com o melhor equipamento de escalada e contratando uma equipa adicional de meteorologistas, nutricionistas, treinadores desportivos e médicos.

Envolvem os melhores alpinistas do mundo e são orientados pelo reputado alpinista polaco Krzysztof Wielicki. O alpinista de 67 anos chegou às manchetes dos jornais em 1980, quando se tornou na primeira pessoa a escalar o Monte Evereste no inverno. Liderou três exposições invernais a diferentes picos da K2, mas nunca até ao seu ponto mais alto.

A equipa inclui os alpinistas Janusz Gołąb, Adam Bielecki, Rafał Fronia, Marek Chmielarski, Marcin Kaczkan, Artur Małek, Piotr Tomala, Maciej Bedrejczuk , Denis Urubko, o socorrista médico Jarosław Botor, o realizador Dariusz Załuski, e o gerente de base Piotr Snopczyński.

Os alpinistas treinaram em salas especializadas chamadas câmaras hiperbáricas, o que permite aos treinadores manipularem a pressão do ar de forma a preparar os corpos dos alpinistas para lidar com o ambiente de elevada altitude e baixos níveis de oxigénio da montanha.

UMA HISTÓRIA DO ALPINISMO

Se existe algum país preparado para chegar ao cume da K2 durante o inverno, esse país é a Polónia. Das 13 montanhas com mais de 8000 metros que já foram escaladas no inverno, nove foram escaladas por equipas polacas e uma foi escalada por uma equipa de polacos e italianos.

A escalada tornou-se um desporto popular na Polónia após a Segunda Guerra Mundial. Ansiosos por escapar ao controlo comunista que se sentia no país, os homens voltaram-se para a escalada como uma forma de encontrar liberdade. Os clubes de escalada tornaram-se, de repente, muito populares, relembra Leksiński.

“Penso que esta equipa vai conseguir, mas não tenho a certeza de que seja neste ano”, afirma McDonald, explicando que pode demorar mais do que uma temporada a urdir uma estratégia de escalada. “Sinceramente, espero que consigam, porque sinto que os polacos ‘merecem’ escalar a K2 no inverno.”

A equipa espera conseguir estabelecer um acampamento base por volta do início de janeiro e dar inicio à escalada pouco tempo depois. Os alpinistas estão receosos de calendarizar de forma rígida a subida, dada a imprevisibilidade da K2.

Continuar a Ler