Viagem e Aventuras

Porque Razão os fãs do Espaço Fazem Longas Viagens até Esta Misteriosa Paisagem

"É como se o espaço sideral estivesse a vir para aqui", refere um fotógrafo sobre os céus pintados pela aurora que cobrem este local inacreditável. sexta-feira, 1 de junho de 2018

Por Nadia Drake
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Graças ao nosso núcleo dinâmico, a Terra está envolvida por uma camada magnética que protege o Planeta da radiação cósmica nociva. Esta camada, chamada magnetosfera, não é, geralmente, visível a olho nu — à exceção das zonas junto aos polos do Planeta, onde luzes misteriosas e brilhantes no céu noturno a deixam transparecer.

Estas luzes bailarinas, a que se chamam auroras, são mais intensas quando o sol lança um grande número de partículas carregadas para a Terra, que colidem com átomos na atmosfera do Planeta e produzem uma variedade de luzes deslumbrante.

A arquitetura caraterística da Islândia, de como é exemplo esta casa nos arredores de Húsavík, contribui também para um efeito noturno espetacular.

As cores de uma aurora dependem do tipo de átomos com os quais as partículas cósmicas embateram.  Se as partículas colidirem com um átomo de oxigénio a alta altitude, é produzida a cor vermelha, mas se o embate se der a uma altitude mais baixa, a cor que brilha é o verde. O nitrogénio molecular produz vermelho, ocasionalmente, azul, e, possivelmente, lilás. Em conjunto, as cortinas de luz ondulantes desvelam a forma como os eletrões helicoidais de alinham com o campo magnético da Terra.

Para muitos fãs do Espaço, a Islândia é o melhor local para observar estas manifestações do escudo magnético do nosso planeta.

"Queria ir a este local que gera tantas expetativas sobrenaturais... e observar as luzes do norte, de noite, nesta grande paisagem vulcânica que parece a Lua", diz Robert Ormerod, um fotógrafo estabelecido no Reino Unido.

O vapor produzido pela atividade sísmica suaviza o céu preenchido pela aurora, na Islândia.

O país insular no Atlântico Norte é uma terra de campos irregulares feitos de lava, glaciares, excentricidades sísmicas e praias de areia preta. O seu terreno de aspeto alienígena apareceu nos ecrãs em Prometheus, Interstellar, vários filmes da Star Wars  e Game of Thrones — e torna-se ainda mais peculiar quando o céu que está por cima de nós se enche de tons vibrantes.

Ormerod viajou para a Islândia para fazer parte de um projeto que, espera, ilumine as vidas de todos os que são fascinados pelo cosmos e anseiam por uma viagem até às estrelas, mas que, como a grande maioria de nós, nunca teve essa hipótese.

"O que acontece com quem não consegue desistir de um sonho, mas que também não se pode tornar num astronauta? O que fazem com essa paixão?", pergunta.

Entre estes, estão pessoas que participaram nas simulações de Marte, que se sentem atraídos pela busca por civilizações alienígenas inteligentes, e rocketeers amadores. E, depois, há os caçadores de auroras, que vão até ao limite para testemunhar luzes cósmicas etéreas.

Vestido com uma réplica de um fato espacial do Apollo, Örlygur Hnefill Örlygsson encontra-se nos arredores de Húsavík. Em 2015, Örlygur liderou uma expedição com Walter Cunningham, Rusty Schweikart e Harrison Schmitt, os astronautas de Apollo, bem como com a família de Neil Armstrong, até aos locais de treino originais de Apollo, na Islândia.

"Para mim, é uma outra forma de sentir entusiasmo pelo espaço: Veja como isto é bonito, veja o quão pequenos somos, veja esta coisa sobrenatural que acontece", diz. "É como se o espaço sideral estivesse a vir para aqui."

Ormerod visitou a ilha no ano passado para fotografar não só os céus do norte, como também Örlygur Hnefill Örlygsson, diretor do Icelandic Museum of Exploration. Örlygsson tem uma réplica de um fato espacial da era de Apollo e foi muito importante na missão de trazer os astronautas de Apollo de volta à ilha onde se prepararam para caminhar na Lua.

Nessa viagem, Ormerod também viajou pela estrada circular da ilha e encontrou dois irmãos que estavam à caça de auroras e que, de dia, eram engenheiros e, à noite, observadores do céu.  Foi quando ele viu a aurora pela primeira vez.

"Foi um momento muito impressionante. Estava estupefacto", recorda. "E eles estavam como se nada fosse."

Na noite seguinte, Ormerod não saiu quando os irmãos passaram para o irem buscar; estava cansado da viagem e da sessão fotográfica da noite anterior. Mas foi recompensado por ter arriscado ir além da carrinha onde dormia; o espetáculo de luz celestial era ainda mais impressionante.  Durante as partes mais intensas, Ormerod não tentou capturar o espetáculo natural. Ele apenas pousou a máquina e observou-o.

"Era algo que nunca tinha visto em nenhuma fotografia", diz. "Criava formas no céu, como se fossem aranhas, a rastejar por todo o céu noturno. Parecia uma invasão de alienígenas. Era inacreditável."

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