Viagem e Aventuras

Mergulhe nas Profundezas do Primeiro Museu Subaquático dos Estados Unidos

Com data de inauguração prevista para o final deste mês, o museu integra um conjunto de esculturas abaixo da superfície do mar, seguindo uma fórmula que combina turismo responsável, ambientalismo e criatividade.quinta-feira, 7 de junho de 2018

Por Alex Crevar
O Museu Subaquático de Cancun, na imagem, já abriu portas ao público. Os mergulhadores poderão descobrir um novo museu ao largo da costa de Grayton Beach, na Flórida, que será inaugurado no início do verão de 2018.

Uma planície de areia deserta não será a típica expressão que inspira a criatividade. Esta é, porém, a condição que faz do leito do Golfo do México o lugar ideal para acolher o primeiro Museu de Arte Subaquático ou UMA na sigla inglesa. Situado a cerca de 1200 metros ao largo do enclave da Flórida e da orla costeira coberta pelas areias brancas de Grayton Beach, no Condado de Walton, o UMA tem inauguração prevista para o fim do mês de junho de 2018.

À semelhança de projetos do género perto de Cancun e do Museu Atlântico de Lanzarote, nas Ilhas Canárias, a experiência destina-se a mergulhadores. Nos dias de céu limpo, os praticantes de snorkeling também podem desfrutar do percurso submerso, que integra sete esculturas a 18 metros de profundidade, com base numa fórmula que articula turismo responsável, ambientalismo e criatividade.

O espaço público, cujas entradas são livres para todos os visitantes, resulta de uma colaboração entre a Aliança de Artes Culturais do Condado de Walton, na sigla inglesa CAA, e a Associação dos Recifes Artificiais do Sul de Walton ou SWARA em inglês, com o apoio do Conselho para o Desenvolvimento Turístico do Condado de Walton e do Fundo Nacional para as Artes. As obras de arte que repousam no leito do Golfo do México incluem um tributo a Jacques Cousteau pela autoria do Aqua Lung, um equipamento de mergulho pioneiro à época, assim como um ananás oco, um crânio e um polvo anamórfico. Todas as obras de arte foram concebidas para possibilitar e promover a integração da vida marinha, como por exemplo corais, cardumes de peixes e ostras em fase embrionária.

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Acima da superfície, uma parceria entre uma organização ligada às artes e os ambientalistas que promovem a instalação de recifes artificiais pode ser, no mínimo, curiosa. Mas a criatividade é, por definição, imprevisível e estruturada em epifanias. Neste caso, a inspiração partiu de um membro do Conselho da CAA e da artista Allison Wickey, que, em 2017, praticava snorkeling sobre um recife artificial instalado pela SWARA, para fomentar a diversidade da vida marinha e promover o ecoturismo sustentável, em franco crescimento na zona. No total, a SWARA colocou na área quatro recifes para a prática de snorkeling e nove recifes orientados para o mergulho. Cada recife compõe-se de dúzias de estruturas e 700 mantêm-se no lugar desde 2015. “Foi um momento de revelação”, recorda Wickey, que discutiu toda a logística com a SWARA, tendo apresentado, posteriormente, a ideia à CAA.  “Os rostos na sala iluminaram-se e as reações das pessoas têm sido sempre as mesmas, quando ouvem falar do projeto.”

As esculturas do UMA assentam sobre uma superfície de cimento, cujo peso varia entre uma tonelada e meia e as duas toneladas, e não contêm quaisquer plásticos ou outros materiais tóxicos. Logo que as condições climáticas sejam favoráveis, a coleção será transportada para o seu derradeiro destino numa barca. Depois, uma grua fará descer, cuidadosamente, as obras de arte ao leito do Golfo do México, para ocuparem as devidas posições, com uma distância de seis metros entre si. Logo que a instalação das peças esteja concluída, será inaugurada a exposição deste museu único, criado por uma estirpe rara de mecenas das artes.

“Quando as pessoas mergulharem e virem a exposição e se aperceberem da vida marinha que se concentrou em torno das estruturas, poderão reconhecer-lhe o valor”, diz Andy McAlexander, presidente do Conselho de Administração da SWARA, referindo-se ao poder da filosofia inovadora do UMA, que renovará, anualmente, o conjunto das instalações artísticas. “Quando se vê pequenos peixes procurarem refúgio no interior de uma obra de arte, há mais para lá da beleza da arte que os olhos alcançam. Sente-se a beleza da vida no seu conjunto e a importância do papel que cada um de nós desempenha na preservação de um bem tão delicado.”

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