Viagem e Aventuras

O Lugar Preferido dos Brasileiros para Fazer Compras Não É no Brasil

Qualquer pessoa que tenha ido de férias a um país com preços baixos já ouviu, por certo, algumas variações do seguinte conselho: leve as malas vazias.segunda-feira, 18 de junho de 2018

Por National Geographic
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Compre no estrangeiro e traga tudo no regresso a casa. Taxas de câmbio favoráveis e economias em vias de desenvolvimento podem baixar os preços, muito abaixo dos valores praticados no país onde se habita.

É uma tendência fascinante e leva-me a imaginar o entusiasmo dos turistas a tirar as malas do armário, colocá-las sobre a cama e enchê-las com nada, exceto ar. E depois interrogo-me: já agora porque não comprar as malas no destino?

Mas há um fenómeno estranho a acontecer no Brasil. Em vez de rumarem ao Cambodja, China ou Bangladesh, onde são fabricados muitos dos bens de consumo de baixo custo, os jovens brasileiros estão a viajar para os Estados Unidos. Não porque este seja o lugar mais barato à face da Terra. Porque não o é efetivamente. Mas, o custo de vista nos Estados Unidos é, comparativamente, inferior ao custo de vida no Brasil, onde algo como uma simples pizza de queijo pode custar mais do que o equivalente a 26 euros. Um dos sintomas do rápido crescimento da economia do Brasil resulta da implementação de uma política económica protecionista, que estabelece impostos alfandegários elevados e impõe restrições à importação de bens mais baratos.

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A razão para esta vaga de deslocações dos jovens brasileiros aos Estados Unidos assenta num fator pelo qual este país sempre se distinguiu: a escolha. Os estrangeiros são, frequentemente, atraídos pelas inúmeras possibilidades de escolha, que caracterizam o mercado americano, e pela rapidez das linhas de distribuição. Lojas como a Target e o Wal-Mart permitem adquirir numa única superfície, numa só viagem, milhares de produtos, que podem ser difíceis de encontrar nas pequenas cidades brasileiras. E depois há a amazon.com, que entrega à porta milhões de produtos, muitos deles em dois dias ou menos.

Compreende-se assim por que mais de dois milhões de brasileiros se deslocam aos Estados Unidos todos os anos. No seu conjunto, os turistas brasileiros gastam, em média, o equivalente a mais de 7,7 mil milhões de euros, sobretudo em cidades como Miami e Nova Iorque, as quais, há que lembrar, não são propriamente os lugares mais baratos para visitar.

As tendências impuseram-se de tal forma, que as lojas da Target, no sul da Flórida, vendem, atualmente, roupas em contraciclo sazonal, com casacos de inverno e fatos de esqui a ocuparem montras e expositores, a meio do verão, que coincide com o inverno no hemisfério sul.

Faz sentido que assim seja, mas a questão que se coloca é perceber se vale realmente a pena. Após gastar o equivalente a 690 euros num bilhete de avião, pagar várias noites num hotel de Miami, comer num restaurante nesta cidade e conduzir um carro de aluguer, sobre o qual recaem taxas adicionais, será que uma caixa de pensos rápidos a 1,7 euros ou a mala de um designer a 350 euros é assim tão bom negócio? Aparentemente sim, é. Nos voos de regresso dos Estados Unidos, com destino ao Brasil, os tanques de combustível das aeronaves da companhia aérea de topo TAM vêm mais cheios do que é habitual. A razão? As aeronaves têm de fazer face ao progressivo excesso de peso das malas.

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